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Duas baleias encalham em praias do sul de SC

A espécie não é comum na região, mas migra desde a Antártica para o nordeste
Por Amanda Garcia Ludwig Em 28/05/2016 às 22:54

Duas baleias jubarte foram encontradas encalhadas mortas nessa exta-feira, no Sul de Santa Catarina. Uma delas na praia de Balneário Rincão e outra na praia de Ibiraquera (Imbituba). O Protocolo de Encalhes da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca/ICMBio e o Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) foram acionados para atender as ocorrências.

No dia 27 as equipes deslocaram-se até Balneário Rincão para avaliar o animal juvenil macho de 7,80 metros de comprimento. No sábado pela manhã as equipes reuniram esforços para coletar amostras e buscar determinar a causa da morte de outro juvenil macho de 8,48 metros de comprimento. Em ambos os casos não foram detectadas interações com apetrechos de pesca e/ou colisão com embarcações, no entanto, apresentavam debilidade corporal e ausência de conteúdo estomacal. As análises laboratoriais poderão aprimorar o diagnóstico das mortes com maior precisão.

A baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), é uma espécie que migra desde a Antártica para o litoral nordeste brasileiro durante inverno e primavera para se reproduzir. A ocorrência de encalhes desta espécie não é comum na região da APA da Baleia Franca, já que a migração ocorre longe da costa, mas em 2015 foi registrada uma ocorrência atípica de encalhes da espécie na região sul do Brasil.

Participaram desta ação o Projeto Baleia Franca, a Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC - Laguna e a APA da Baleia Franca/ICMBio. As equipes contaram com o apoio das Prefeituras de Imbituba e Balneário Rincão através das Secretarias de Obras, Turismo e Meio Ambiente para destinação adequada das carcaças dos animais.

Protocolo de Encalhes da APA da Baleia Franca

O Protocolo de Encalhes da APA da Baleia Franca é um programa desenvolvido pela equipe desta Unidade de Conservação Federal para prestar assistência aos mamíferos marinhos encalhados na unidade, estabelecendo assim diretrizes entre as instituições executoras deste plano para o desenvolvimento de ações coordenadas para o atendimento destes casos.

A coordenação do Protocolo de Encalhes na Unidade é formada pela APA da Baleia Franca/ICMBio, Projeto Baleia Franca, Associação R3 Animal, Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC/CERES, Museu de Zoologia Professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski da UNESC, Corpo de Bombeiros, Capitania dos Portos e Policia Militar Ambiental. 

As instituições de pesquisa e conservação que atuam no Protocolo são integrantes da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (REMAB), criada pelo ICMBio em 2011 para melhorar o monitoramento e atendimento a encalhes e capturas de mamíferos aquáticos.

Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS)

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da PETROBRAS de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo IBAMA e tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e mortos. 

Para isso, será realizado o monitoramento de 2.100 km de praias entre Rio de Janeiro e Santa Catarina. Na primeira fase do projeto, a PETROBRAS firmou contrato com a Fundação Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), que fará o monitoramento de 1.100 quilômetros de praias entre Laguna (SC) e Ubatuba (SP). Já a segunda fase será entre as cidades de Paraty e Maricá, no Rio de Janeiro.

A Univali é a responsável pela coordenação e execução destas atividades junto a uma rede de instituições que atua ao longo do litoral. São elas: Associação R3 Animal, Instituto Argonauta, Instituto Gremar, Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto Australis, Projeto Biopesca, e Fundação Pró-Tamar. 

Outras informações sobre como ajudar

Em casos de encalhes de animais mortos
- Informe o local do encalhe e outras informações úteis a um dos membros do Protocolo (contatos abaixo);
- Evite se aproximar do animal sob risco de contaminação biológica;

Em caso de animais vivos
- Não tente devolver o animal para a água, pois pode ser perigoso;
- Obtenha fotografias do animal, possibilitando a identificação da espécie e documentação do caso.
- Evite respirar o ar expirado pelos animais;
- Não se aproxime da cauda. São animais grandes em situação de debilidade física, que podem se tornar ariscos com a aproximação de outros indivíduos e, assim, causar ferimentos.

Colaboração: Coordenação do Protocolo de Encalhes da APA da Baleia Franca/ICMBio