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Bruna Bervian Candido: uma médica que herdou a profissão dos pais

Ela está trabalhando no combate ao coronavírus há 35 dias em Criciúma
Bruna Bervian Candido: uma médica que herdou a profissão dos pais
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 24/04/2020 às 08:26

Ter um sonho e realizá-lo é o desejo de muitas pessoas, não é mesmo? Com Bruna Bervian Candido, de 31 anos, não foi diferente. Seu desejo de infância era se formar em medicina e ela conseguiu realizá-lo em julho de 2019 através Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Ela herdou a profissão do pai Antônio Candido, que era cirurgião geral e faleceu em 2001. A mãe Liseane Bervian Candido é enfermeira aposentada. 

Bruna é filha única. Natural de Erechim (RS), ela chegou a Criciúma em 2013 para cursar medicina. Na Capital do Carvão, conheceu o namorado Gustavo Gomes Sarturi. A médica passou no processo seletivo da Prefeitura Municipal e atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Verdinho. Com a chegada do coronavírus, está atuando no Centro de Triagem da área central e também na Vigilância Epidemiológica. 

O Portal Engeplus iniciou uma série de reportagens contando a história de trabalhadores que estão na linha de frente do novo vírus em Criciúma. 

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Mais que uma profissão, uma paixão 

Para conseguir entrar na universidade de medicina não foi fácil. Bruna se dedicou muito aos estudos e tentou por cinco anos ingressar no curso. Antes de conseguir, ela ainda cursou fonoaudiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) por pouco mais de um ano, mas percebeu que sua vocação era outra e desistiu. 

Bruna conta que sempre foi apaixonada por medicina desde criança e seus pais lhe ajudaram muito. “Como sou filha única, quando meus pais saiam para jantar, eu preferia ficar no hospital com o pessoal de enfermagem do que na casa de alguns parentes. Ajudava a arrumar os remédios, a cuidar dos bebês e estava sempre nos corredores dos hospitais com meu pai. Essa paixão pela medicina foi só aumentando ao passar do tempo”, conta. 

“Sinto que nasci para a medicina. Hoje, sou médica porque me dediquei durante anos e busco diariamente ajudar meus pacientes”. 
Bruna Bervian Candido
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O pai de Bruna sempre incentivou a filha a ser médica. Aos 9 anos, ela acompanhou uma cesária e, desde então, se apaixonou ainda mais pela profissão. “Meu pai dizia que eu seria médica, mas eu falava que não. Sinto que a medicina está em mim e eu nasci para fazer o que faço. Me dediquei muito para chegar onde estou. Foram dias e noites de estudo para passar no vestibular e depois também ao longo do curso”, lembra. 

Bruna passou no vestibular de medicina em 2013. Eram 62 candidatos por vaga. Quando recebeu a notícia da aprovação, quase não acreditou. “Já tinha prestado tanto vestibular que já não acreditava mais. Quando vi meu nome na lista quase não acreditei. Minha família ficou ligando para a Unesc para confirmar e foi uma felicidade imensa”, pontua. 

Um ano de conclusão de curso e uma pandemia pela frente

A gaúcha se formou há um ano e esperava realizar sua residência em clínica médica no próximo ano. Porém, os planos mudaram com a chegada do coronavírus. “Hoje, estou dedicada exclusivamente ao coronavírus. Todos os meus planos ficaram de lado para que eu consiga ajudar a sociedade a sair desta pandemia que estamos enfrentando”, comenta. 

Bruna está há apenas um ano atuando em Criciúma, mas conta que quando foi questionada se queria trabalhar no combate a Covid-19, não pensou duas vezes. “Na hora que chegou o questionamento, já dei meu nome. Obviamente que nenhum médico espera enfrentar uma pandemia, ainda mais em um vírus que ninguém conhece. Por isso que é tão desafiador”, conta. 

“Sei que vamos passar por tudo isso, mas precisamos de cuidados e muito estudo para que possamos vencer e ajudar a população no combate ao coronavírus”, observa, 

A médica conta que está atuando no combate desde o dia 19 de março. Atualmente, ela trabalha duas vezes por semana no Centro de Triagem da área central e todos os dias na Vigilância Epidemiológica. 

“Trabalho em média 12 horas diárias na Vigilância e quando atuo no Centro de Triagem faço 36 horas seguidas. Minha vida mudou completamente e hoje vivo quase exclusivamente com as outras profissionais de saúde no combate ao vírus”, observa. 

E a família? 

Bruna conta que mora com seu namorado e que ele está em isolamento, tomando todos os cuidados necessários ao chegar em casa. “Ele me entende muito bem e consegue perceber a importância da minha profissão. O Gustavo sempre me ajuda em relação ao cuidado de casa, da limpeza para que eu não leve o vírus para dentro do meu lar”, analisa. 

A mãe de Bruna continua morando em Erechim e sozinha. “Ela mora em um apartamento e também está isolada. Por ter trabalhado com a saúde, ela sabe da importância dos cuidados com higiene e também da importância do isolamento”, afirma. 

Como ela enxerga a pandemia? 

Atuando há mais de um mês no combate ao coronavírus, Bruna afirma que é difícil falar sobre o coronavírus, já que todos os dias o cenário muda. “Em Criciúma estamos bem equipados com dois Centros de Triagem, um hospital de retaguarda (antiga Casa de Saúde do Rio Maina), mas isso não quer dizer que o vírus não chegará na região. Por isso prezo tanto pelo cuidado das pessoas”, relata. 

“É algo que você não enxerga e o isolamento social feito lá em março está dando resultado agora. Mas não quer dizer que com a flexibilização tudo acabou. Pelo contrário, temos que redobrar os cuidados para que não precisemos mais fechar comércio, fechar tudo e se isolar novamente”, pontua. 

Bruna comenta que é difícil fazer uma previsão das próximas semanas, mas garante que é preciso cautela. “Tivemos a confirmação de 89 casos de coronavírus na cidade e eu conversei com todos. Liguei para todos os pacientes e falei sobre a importância do isolamento, sobre a gravidade do vírus. É um momento difícil para nós profissionais também, mas é necessário essa conversa e explicação”, analisa. 

A médica ainda pediu empatia da população e que continuem se cuidando diariamente. “Precisamos nos colocar no lugar do outro. Talvez eu não esteja vivenciando o coronavírus de perto, porém, outras pessoas estão. Temos que tirar tudo isso como lição para a vida. Que possamos sair desta pandemia melhores e pensando mais no próximo”, finaliza.