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População promete iniciar desassoreamento da Barra do Camacho com pás e carrinhos de mão

Ato será feito em protesto marcado para o próximo sábado, dia 15
População promete iniciar desassoreamento da Barra do Camacho com pás e carrinhos de mão
Foto: Anderson Martins/DCSC
Por Lucas Renan Domingos Em 12/05/2021 às 15:33

Moradores, turistas e pescadores do Balneário Camacho, em Jaguaruna, estão organizando uma manifestação para o próximo sábado, dia 15. Como forma de protesto, eles prometem iniciar o desassoreamento da Barra do Camacho utilizando pás e carrinhos de mão. O ato também servirá para alertar as autoridades sobre a necessidade de celeridade na resolução do problema.

O canal que liga a Lagoa de Jaguaruna até o mar está seco devido ao acúmulo de areia, o que impede a circulação de peixes, causando a morte de algumas espécies e impedindo a prática da pesca na lagoa. No último dia 22 de abril, a vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, visitou o local e prometeu analisar um projeto elaborado pela Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) para solucionar o problema. A obra está orçada em R$ 4,6 milhões. Ela também anunciou que o Governo Federal se comprometeu a enviar R$ 1,5 milhão para fazer o desassoreamento emergencial na Barra do Camacho.

“Só que a gente ficou sabendo que este recurso de R$ 4 milhões viria do Governo de Santa Catarina. Mas com a saída da Daniela e a volta do Carlos Moisés a informação que chegou para nós é de que o recurso não deve vir mais e será destinado para o Oeste do Estado”, contou Reginaldo de Pellegrin, um dos organizadores da manifestação.

Diante da notícia, um grupo de pessoas está se mobilizando para efetuar o protesto. “Já temos mais de 170 pessoas no WhatsApp dispostas a ajudar a desassorear a barra com pás e carrinho de mão. A gente sabe que será difícil, mas precisamos mostrar que a solução precisa ser rápida”, destacou Pellegrin.

Impacto econômico

Na região de Jaguaruna, aproximadamente 1,5 mil famílias sobrevivem da pesca da Barra do Camacho. “Sem falar no impacto econômico para a cidade. As pessoas antes vinham para cá pescar, iam no comércio local ou quando não conseguiam pegar peixe, passavam nas peixarias do município. Só que hoje o Camacho está esquecido, com poucas pessoas, muitos até querendo vender suas casas, porque um dos atrativos era a Barra do Camacho. Agora não tem mais peixe, a lagoa no máximo a água fica na coxa”, afirmou o organizador da manifestação.


Canal da Barra do Camacho está praticamene vazio devido ao acúmulo de areia - Foto: Julio Cavalheiro/Secom

Outra preocupação é a questão ambiental. “A lagoa recebe água de diferentes rios da região. Ali os peixes menores cresciam e iam para o mar pelo canal. Os peixes maiores, como agora em época de tainha, entravam na lagoa para se reproduzir. Com a Barra do Camacho seca, isso não acontece. Os peixes que estão na lagoa não têm oxigenação da água e acabam morrendo e o pescador não tem mais o que pescar”, disse Pellegrin. Recentemente, pessoas foram flagradas fazendo a pesca irregular no local.

Alesc tenta liberar os recursos

O recurso de R$ 4 milhões citado por Pellegrin se trata de um montante que a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) tenta liberar junto ao Governo de Santa Catarina. O dinheiro é a sobra de uma doação feita pela Alesc ao Executivo Estadual em 2020, por meio da Defesa Civil. O objetivo é de que o recurso seja aplicado imediatamente no desassoreamento da Barra do Camacho.

O deputado estadual Felipe Estevão (PSL), presidente da Comissão de Pesca e Aquicultura da Alesc, chegou a tratar do assunto com a vice-governadora Daniela Reinehr, quando ela ainda estava como governadora interina. A reportagem tentou contato com a assessoria do deputado para saber se o recurso ainda será destinado para Jaguaruna ou será levado ao Oeste Catarinense. As ligações não foram atendidas até a publicação desta matéria.