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Reflexão

A saúde mental em tempo de coronavírus

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Foto: Unsplash

*Artigo escrito por Michele Valeska

Estamos passando por um momento muito delicado que nos tira tudo que temos: nossa rotina diária, trabalho, vida social, mas principalmente o contato afetivo. Muitas vidas, planejamentos de eventos, comemorações, viagens, negócios, tudo cancelado sem data definida. O futuro torna-se incerto demais. Não há vacina, o tratamento exige esforços e aparelhos respiratórios, um cenário angustiante para todas as pessoas. Um vírus conhecido chamado Corona, porém mutante que chega como um fantasma, nos trazendo a sensação de perda de controle das nossas vidas.

Perdemos o controle e nos sentimos desprotegidos frente a um vírus que é invisível ao olho humano, mas está presente em nosso meio. Não sabemos onde, mas ele está circulando. Esses pensamentos nos remetem a sensação de insegurança, de que a qualquer momento seremos pegos de surpresa, ou que alguém próximo possa estar doente. O excesso de informações que temos acesso hoje via internet, grupos de whats, trazem muitas mensagens que acabam gerando pânico, realidades vivenciadas por outros países também nos assustam muito. Porém o que devemos fazer com essas mensagens? Acreditar? São fake News? Como manter a saúde mental nesse momento?

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Em 2003, no auge da epidemia da SARS, o acesso à internet e aos smartphones não era tão amplo. Dessa forma não havia tantos serviços de saúde mental disponíveis para serem acessados online. Mas no contexto da atual pandemia de coronavírus a realidade é outra e os profissionais de saúde mental podem oferecer seus serviços mesmo durante a crise.

Em uma publicação na revista científica “The Lancet”, sobre os efeitos psicológicos da quarentena durante o período da epidemia de SARS, a síndrome respiratória aguda que surgiu em 2002. De acordo com o levantamento, 29% apresentaram sintomas de estresse pós-traumático, enquanto 31% tiveram depressão depois do isolamento.

Este mundo de sentimentos de medo, ansiedade, insegurança, tristeza, preocupação é um alerta para que procuremos um lugar seguro, onde possamos nos proteger e esperar a crise passar. Parece simples, mas não é, envolve nossa família, mudança de hábitos, higiene e isolamento social sem data definida para acabar.

Nesse momento de incertezas sobre o que nos espera, somado ao isolamento social, parte fundamental para conter a expansão do vírus, pode desencadear estresse e ansiedade a todos. Além disso, insônia e depressão e até crises de pânico. As pessoas que já possuem transtornos de ansiedade são as mais afetadas, porque a pandemia agrava a intensidade do transtorno já presente na vida dessas pessoas. Por isso, devem ser cuidadas com mais atenção. Podem precisar de mudanças de medicação e psicoterapia. A boa notícia é de que podem ser atendidas virtualmente, o Conselho Federal de Psicologia regulamentou essa modalidade de atendimento virtual.

Dentre as coisas boas do isolamento social é manter-se conectado aos familiares através das redes sociais, procure se atualizar em notícias confiáveis a respeito da epidemia, evite notícias que trazem ansiedade e angústia. Tente manter uma rotina diária como leituras pessoais e profissionais por exemplo, hábitos que trazem relaxamento e equilíbrio mental. Faça coisas que sejam prazerosas como assistir filmes e séries. Evite pensamentos negativos. Proteja-se, mas não esqueça de ser solidário, nesse momento pequenas ações podem ser de grande ajuda para os outros. Busque a empatia com todos, pois estamos juntos no mesmo barco. Não se desespere, respire fundo e tente ficar calmo. O isolamento social não é prisão, vai acabar, vai passar. É necessário para proteger você, sua família, seus filhos, toda sociedade. Aproveite a quarentena para fazer coisas que gosta e que não tem tempo ou oportunidade de fazer. Aproveite o tempo com sua família, converse, brinque, jogue jogos. O nosso tempo é valioso ao lado de quem amamos. Dedique um tempo para você, seu autocuidado.

Nos períodos de maior estresse, foque nas suas necessidades e envolva-se em atividades que goste e ache relaxante. Se exercitar (mesmo que na sala), ficar com o sono em dia e comer alimentos saudáveis sempre é uma boa. Lembre-se que as autoridades de saúde pública e especialistas do mundo todo estão trabalhando continuamente para garantir os melhores cuidados aos afetados.

Que possamos tirar valiosos aprendizados nesse momento turbulento, que possamos nos unir e olhar pelas pessoas e fatos, desacelerar, refletir e encontrarmos a cura.

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