Área invadida gera transtorno entre moradores, no bairro Cidade Alta, em Forquilhinha
Isso acontece porque uma lei federal estabeleceu que uma área de 30 metros quadrados deve ser desocupada para recuperação ambiental
Um impasse tem deixado os moradores irritados no bairro Cidade Alta, no município de Forquilhinha. A comunidade passa por um processo de transição e alguns moradores estão se rebelando em decorrência deste processo de mudança. Isso acontece porque uma lei federal estabeleceu que uma área de 30 metros quadrados deve ser desocupada para recuperação ambiental.
Conforme o secretário de Habitação e Desenvolvimento Econômico de Forquilhinha, Rogério Dagostim, julho é o mês estabelecido para começar a recuperação ambiental. "Ou seja, o prazo está chegando e nós notificamos os moradores que estão de forma irregular para que eles desocupem o local”, explica.
Muitos moradores serão contemplados com um projeto de habitação do município, mas só serão beneficiados aqueles que estavam instalados no bairro Cidade Alta já no ano de 2009. “Depois da oferta desse projeto muitas pessoas foram morar no local. Somos contrários e não permitimos esse comércio de vender um terreno para que uma pessoa ganhe intencionalmente uma casa popular”, explica. “O projeto de habitação é um programa para o município de Forquilhinha e as pessoas que estavam na região em 2009 é que serão beneficiadas”, reafirma.
Cerca de 85 famílias moram no local. As casas do projeto habitacional do município estão em fase de acabamento, mas mesmo que elas não estejam prontas até julho, quando começa a recuperação ambiental, os moradores terão que deixar o local. “Eles terão que ficar em casa de parentes, ou alugar alguma residência até que as casas populares fiquem prontas”, salienta Dagostim. O local será recuperado por duas empresas mineradas que atuaram durante anos na região. “Estamos investindo em casas, academias, pavimentação, ou seja, são R$ 7 milhões para melhorias no bairro, estamos primando pela qualidade de vida, não queremos transtornos”, pontua o secretario.
Conforme o delegado de Forquilhinha, Danilo Bandeira, nessa quinta-feira foi realizado um sobrevoo no bairro Cidade Alta após uma operação da Polícia Civil. “Fizemos um levantamento de casas de alguns baderneiros e algumas pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Logo em seguida, fizemos um ronda terrestre e encontramos uma barricada feita por alguns cidadãos que estavam revoltados”, comenta. A barricada foi montada na ponte da comunidade que faz limite com o bairro Sangão, de Criciúma.
Com a presença dos policiais civis, a barricada foi desfeita e o local foi liberado. “Conversei e orientei os moradores para que eles formassem uma comissão e fossem à prefeitura do município, ou ao Ministério Público para rever essas questões habitacionais”, salienta a autoridade policial.
O delegado acrescenta que, após a presença dos policiais, a situação se acalmou. “Nossa parte nós fizemos, mas essa questão social não compete a nós”, completa.
Durante essa quinta-feira, a Polícia Militar de Forquilhinha foi acionada para conter os ânimos dos moradores que estavam exaltados na comunidade. Segundo policiais da PM, a situação está normalizada, algumas viaturas estão fazendo escoltas no transporte coletivo, pois ônibus chegaram a ser apedrejados. Na madrugada passada, a situação também foi tranquila.
Os moradores da localidade ficam apreensivos com a onda de violência instaurada no local. Uma trabalhadora, que prefere não se identificar, afirmou que algumas linhas não passam pela comunidade. “Ficamos prejudicados, pois temos que andar muitas vezes à noite a pé pelo bairro. Hoje, por exemplo, tive que pegar outra condução para ir trabalhar, pois o meu ônibus não passou”.




