As filmagens de acidente com morte que se tornam crime

Muita gente recebeu via rede social, no sábado, imagens do grave acidente que resultou na morte de um jovem casal em Criciúma. A gravação e distribuição deste conteúdo configuram um crime cuja autoria será investigada pela Polícia Civil.
“Sim, quem fez isso é suspeito de vilipêndio de cadáver. Com as redes sociais temos coisas boas mas muitas coisas ruins, como as propagações de imagens como esta”, argumenta o delegado Márcio Campos Neves. “Em paralelo às circunstâncias do acidente haverá um inquérito para apurar a conduta de quem filmou e se forem identificados vão sim responder a processo criminal”, reforça.
O delegado lembra a situação dos familiares que acabam, como foi neste caso, tendo acesso a informações e imagens como as repassadas no sábado. “Você imagina a família ver seus filhos e entes queridos expostos desta forma nas redes sociais e as pessoas acabam replicando”, critica. Campos Neves lembra a gravidade de imagens onde constam corpos dilacerados e pontua que, em vez de ajudar, muitas vezes as pessoas que testemunham acidentes se preocupam mais em fotografar e filmar. “Isso é uma inversão total de valores. A família também tem o direito de processar os autores, se assim entender. Ninguém quer que seus parentes sejam expostos desta forma”, conclui. O vilipêndio de cadáver consta no artigo 212 do Código Penal Brasileiro.







