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Segurança pública

CPT: policiamento especializado muda vida de moradores de Criciúma

Há oito anos, o quartel da CPT está instalada no bairro Boa Vista

Por Rafaela Custódio -

9 min de leitura

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CPT: policiamento especializado muda vida de moradores de Criciúma
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

A busca pela segurança pública aos moradores de uma cidade não é tarefa fácil para nenhum órgão de segurança. Mudar estatísticas, reduzir números de homicídios, roubos, furtos, aumentar as apreensões de drogas e armas, prisões e combater facções não é um serviço simples e, não acontece de um dia para o outro. Mas é possível reverter dados negativos com trabalho, dedicação e estratégia. A Companhia de Patrulhamento Tático (CPT) do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM) de Criciúma faz parte desta estratégia e tem feito um trabalho histórico e mudado a vida de milhares de moradores.

Há oito anos, a CPT foi instalada no bairro Boa Vista, em Criciúma. A Escola de Educação Básica Professor Lindolfo possuía cerca de 100 estudantes, porém a estrutura era para mil alunos, com isso, foi decidido fechar a unidade escolar e, por isso, a Companhia foi instalada no local.

A Polícia Militar, por meio da CPT, se instalou na unidade escolar em 2015 para ter uma base no bairro Boa Vista, já que a localidade passava por momentos de tensão e com muita criminalidade.

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O que é a CPT?

A Companhia de Patrulhamento Tático possui um policiamento especializado. Atualmente é comandada pelo capitão Giovanni Fagundes dos Santos. “Temos duas grandes funções, que é dar apoio para as demais guarnições em ocorrências que necessitam de um número maior de policiais ou técnicas, treinamentos e um material diferenciado, como ocorrências de alto risco. Basicamente, todas as funções da tropa servem para isso. Somos divididos em quatro frações: Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT), Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), o Canil e a Cavalaria. Cada um com suas peculiaridades e suas modalidades de policiamento”, explica o capitão.

O comandante da CPT lembra que a Companhia existe há 30 anos e que teve diversos comandos. Os que mais permaneceram no cargo foram o coronel Cristian Dimitri Andrade, atualmente na reserva, o tenente-coronel Mário Luiz Silva, hoje comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, e o próprio capitão Giovanni. “Nos últimos 25 anos, a Companhia esteve no comando de nós três. Tiveram alguns interinos durante os anos, mas basicamente os três foram os que mais ficaram no comando. Além disso, o sucesso da CPT passa pela tropa, que não muda muito”, garante.

De uma escola a um quartel

O capitão Giovanni explica que os policiais precisaram se adaptar ao novo quartel, que foi construído para ser uma escola e precisou de mudanças. “Os banheiros e pias foram feitos para crianças, não havia uma estrutura de quartel, porém fomos adaptando, mudando e melhorando dia após dia”, conta.

A ideia de ir para a escola surgiu pela necessidade. “Nós já possuímos tropas especializadas fora do Batalhão, localizado no Jardim Maristela. Porém, era embaixo de uma casa e os pelotões foram crescendo, com isso, o local passou a não suportar a demanda. Então, fomos procurar locais para que pudéssemos receber a sede da Companhia. E aqui, na época, foi pensado por conta do colégio, que fecharia. É importante ressaltar que a unidade escolar não foi fechada para que a CPT fosse instalada. O fechamento da escola aconteceria naturalmente em virtude de possuir cerca de 100 alunos e era para ter aproximadamente mil”, comenta.

O comandante da CPT relembra que o bairro Boa Vista em 2015 passava por um momento de tensão e com muita criminalidade, inclusive homicídios. “A gente aproveitou essa oportunidade e viemos pra cá, porque é um lugar que precisava. Além disso, é um ponto estratégico, pois o Batalhão está no lado Norte da cidade e a CPT no Sul”, destaca.

Segundo o capitão, em 2015, apenas no bairro Boa Vista, foram 11 homicídios, inclusive um na porta da antiga escola. “O bairro necessitava. É uma comunidade onde em 2015 nós tivemos 11 mortes só aqui. Nosso objetivo vindo para cá foi trazer qualidade de vida aos moradores, e segurança pública. Por aqui, não passam apenas as guarnições especializadas e, sim, todas, pois o quartel é utilizado por diversos policiais militares que estão na rua e utilizam a CPT para banheiros ou até mesmo tomar água”, salienta.

Estrutura física

Conforme o capitão Giovanni, a Polícia Militar precisou mexer na estrutura física da escola para que o ambiente se tornasse um quartel. “Quando nós chegamos aqui era uma escola, ou seja, aquele padrão estadual com as cores azul, vermelho e branco. Pintamos todos os cômodos da escola com as cores da Polícia Militar. Trouxemos também os símbolos da CPT, mudamos as antigas salas e pensamos além, pois esse quartel também é uma escola para a PM. Já formamos diversos policiais aqui, tivemos formação de sargentos, de táticas policiais, radiopatrulhamento”, frisa.



A CPT ainda possui um ambiente que simula uma casa para que os policiais possam treinar para as ocorrências. “Essa morada que temos aqui na CPT simula a maioria das casas de Criciúma e recebemos da Contempla Engenharia e Empreendimentos. Com o apoio da Prefeitura de Criciúma conseguimos asfaltar todo o quartel, porque antigamente os espaços eram de quadras esportivas. Já melhoramos os banheiros, cozinha e outros ambientes do quartel”, conta.


Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

Relacionamento com a população

O capitão Giovanni (foto ao lado) afirma que a população do bairro Boa Vista aceita muito bem o quartel instalado na localidade. “A gente sabe que, historicamente, o bairro Boa Vista foi uma área de vulnerabilidade social e, por conta disso, o crime acabou se instalando. A gente sabe que a maioria esmagadora são trabalhadores que saem de manhã para trabalhar, voltam a noite e passam o dia inteiro trabalhando. Mas sabemos que por essa questão de vulnerabilidade social, o crime acabou se instalando em alguns pontos aqui. Temos consciência que ainda não acabou o tráfico de drogas, porém ele não está mais ostensivo como era antigamente. Hoje, ele existe, a gente não vai ser hipócrita em dizer que não existe, mas tá bem mais contido, até porque nossas guarnições passam todos os dias aqui”, observa.

Para o capitão, sem a CPT instalada no bairro, o Boa Vista seria tomado pelas facções. “Em 2015, a cidade de Criciúma foi a que teve mais homicídios por número de habitantes em Santa Catarina. Não teve nenhuma outra cidade que teve tanto homicídio na história do Estado do que naquele ano de 2015. Óbvio que a gente sabe que não foi só a vinda da CPT para a comunidade, mas entendemos que contribuiu bastante para mudarmos esses números. A Polícia Militar de Criciúma atua forte e atualmente somos referência”, comenta.

O comandante do 9º BPM, tenente-coronel Mário Luiz Silva destaca a importância da instalação da CPT no bairro Boa Vista. “Em nenhum momento a PM deixou ou foi impedida de atuar naquela comunidade. Contudo, o local era muito mais propenso para o criminoso do que para o policial militar. As viaturas, evidentemente, não conseguiam ficar de forma onipresente naquele ambiente, atendendo todas as demandas de toda aquela região. Então, o criminoso tinha uma facilidade muito maior de atuar pela ausência de policiamento naquele local. Com a chegada e com a opção de levar uma Companhia Tática para lá, um policiamento mais voltado para a repressão, nós tivemos uma ocupação por parte do Estado de um espaço que era ocupado pelo criminoso. Quando da chegada naquele ambiente, foram desencadeadas algumas operações para ocupar o bairro. Nossa primeira operação foi a denominada Operação Boas-Vindas, que foi uma massificação do nosso policiamento naquele ambiente durante praticamente um mês, dominando ambientes que outrora eram ocupados pelo tráfico, pela criminalidade, e ocupando o nosso espaço e resgatando a tranquilidade para os moradores daquele local”, afirma.

Conforme o tenente-coronel, essa Operação Boas-Vindas partiu no primeiro momento da repressão contra o crime e num segundo momento de proximidade com a comunidade. “Os moradores na grande maioria daquele local são pessoas de bem e que queriam e buscavam a presença policial naquele local. Nós, Polícia Militar, fomos lá e estendemos as mãos a eles, dizendo que estávamos ali para sermos seus guardiões e auxiliares na segurança pública. Nós tivemos ali os primeiros meses de combate, de aproximação e, depois, nós seguimos com ações ao longo dos meses, anos, e que culminou, hoje, com uma redução significativa da criminalidade naquele ambiente, inclusive com relatos dos próprios moradores, do quão aquele ambiente se tornou muito mais agradável, muito mais seguro, muito melhor de se viver”, ressalta o comandante do 9º BPM.

Portal Engeplus · Tenente-coronel Mário Luiz Silva

Há mais de 20 anos na CPT, policial conta sobre atuar no Boa Vista

Atualmente, a CPT conta com 50 policiais, 32 estão diariamente na Companhia. Entre eles, está o terceiro sargento Júlio César Inácio. Ele atua na CPT desde 2002. “É muito gratificante trabalhar na CPT, porque aqui aprendo diariamente com os outros policiais. É um ambiente totalmente técnico e possui muito treinamento e percebo que evoluímos diariamente”, destaca.

O terceiro sargento relata que sempre participou de diversas operações no bairro Boa Vista, mas após a instalação da CPT, muita coisa mudou. “Sempre fizemos muitas operações na comunidade, mas não nos estabelecemos aqui. Então, a gente entrava no bairro, fazia diversas abordagens, apreendíamos drogas, armas e depois saíamos, e hoje, não. Agora, estamos aqui. Tem tráfico? Deve ter, claro. Mas, com toda a certeza, é bem diferente de anos atrás”, observa.

Moradores elogiam a Companhia de Patrulhamento Tático

Morador há 55 anos do bairro Boa Vista, Rogério Hilário, garante que a história da comunidade mudou após a chegada da Companhia de Patrulhamento Tático. “Nosso bairro possuía muitos crimes como furtos, roubos e até mesmo homicídios. Não vamos negar, hoje mudou. Depois que eles [Polícia Militar] vieram para cá, melhorou muito que é difícil de explicar. Temos um sossego inexplicável. Com certeza, a CPT faz diferença aqui no bairro. Não tenho o que reclamar desses policiais”, frisa.

Já Teresinha Fernandes mora há 61 anos no bairro Boa Vista e também notou diferença na localidade após a chegada da CPT. “Melhorou bastante o bairro, porque aqui, antigamente, eles mexiam na casa. Após a chegada da PM eles nunca mais mexeram. Antigamente tínhamos muito roubo, não podíamos deixar nada na rua ou se desligar, porque levavam tudo e atualmente isso não acontece mais. Agora, é bem tranquilo morar aqui”, afirma. “Antigamente a gente saia de casa para trabalhar, quando chegava não tínhamos as coisas, eram roubo/furto mesmo. Tive casa roubada há anos e levaram botijão de gás, televisão, roupa. Depois que a CPT chegou, isso nunca mais aconteceu”, pontua. Confira abaixos fotos da CPT:

CPT: policiamento especializado muda vida de moradores de Criciúma — foto 1
Foto 1 de 13
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