Data é comemorada com um reflexo positivo na temporada de pesca da tainha
Mesmo abaixo da expectativa, quantidade capturada é maior que a obtida no ano passado
Por Thiago Hockmüller - thiago.hockmuller@engeplus.com.br
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Nesta sexta-feira, dia 29, é comemorado o Dia do Pescador. Na região da Colônia Z-33, de Balneário Rincão, estima-se que aproximadamente 400 famílias dependem exclusivamente da pesca e são responsáveis pela captura de mais de 50 toneladas de tainha nesta temporada.
Isto significa uma média de R$ 400 mil gerados pela pesca somente entre os meses de maio e julho. Neste período, com a entrada das frentes frias durante o outono e início do inverno, os peixes saem em cardumes migratórios do Rio Grande do Sul e buscam águas mais quentes para desovar em direção ao norte. Este ciclo oferece aos pescadores grandes cardumes e o sustento para suas famílias.
O pescador e presidente da Colônia de Pescadores Z-33, João Piccolo, já está há 18 anos envolvido com a pesca. Ele lembra que mais de R$ 3 milhões aquecem a economia do município somente com o recebimento do seguro-defeso. "O pescador é guerreiro. Quando chove, não tem tempo ruim. Eles precisam enfrentar todos os tipos de dificuldades e sofrem muito para exercer a atividade. Peço que Deus continue abençoando os pescadores", afirma Piccolo.
O seguro-defeso funciona como uma assistência financeira temporária que é concedida aos pescadores durante o período de defeso, onde a atividade é paralisada para a preservação de espécies.
Outro dado fornecido por Piccolo, e comemorado por ele, é que aproximadamente 100 pescadores já estão devidamente aposentados. Fruto de dedicação à atividade e do trabalho de assistência realizado pela Colônia. "Eu gostaria que todo o pescador não perdesse a confiança e contasse sempre com a Colônia. Oferecemos toda a estrutura de documentos para que os pescadores recebam todos os benefícios", garante.
Ano melhor, mas ainda abaixo da expectativa
Durante a temporada de pesca da Tainha, o principal desafio enfrentado pelos pescadores é o clima. Menos frio, menos peixe, mais preocupação. Foi assim em 2017. Um ano considerado "sem inverno para os pescadores".

Em 2018, a temporada começou ruim pela demora na aproximação da frente fria. A aflição durou praticamente o mês de maio inteiro. Em junho, começaram os registros de grandes cardumes pescados na costa catarinense.
No Rincão, mais de dez toneladas foram capturadas na primeira semana do mês. Detalhe: oito somente em uma "puxada". A quantidade foi maior do que toda a pesca no primeiro mês de temporada. "Agora temos junho inteiro, o mar melhorou, o frio está mais forte, e com isso o cardume vem pra costa", projetou Piccolo logo depois do registro, ainda comemorando a sorte e o clima.
E ele estava certo. No dia 19, pescadores em canoas avistaram um grande cardume. Não deu outra. Mais 11 toneladas de tainha foram pescadas.
Com a temporada encerrando neste domingo, dia 1º, as 50 toneladas de tainhas capturadas estão abaixo da expectativa, mas ainda assim superaram a quantidade pescada no último ano. "Já é um reflexo positivo, mas não é o que estávamos esperando. E isso em toda Santa Catarina. Em 2016, foram 100 toneladas. Em 2017, menos de 40", explica.
Sem armazenamento, menos dinheiro
Mas nem tudo é positivo. A Colônia Z-33 e os associados ainda sonham com um local para armazenamento da pesca. Se essa estrutura existisse, os R$ 400 mil poderiam ser multiplicados. E assim, mais renda para os pescadores e mais fomento econômico. "Não temos estrutura de armazenamento para agregar valor ao produto. Precisamos nos desfazer do peixe, porque estraga rápido. Se tivesse um local de armazenagem... para se ter uma ideia, só o quilo da ova é comercializado a R$ 80 para exportação. Sem o armazenamento, vendemos o quilo da tainha a uma média de R$ 8, com a ova junto.Isto significa prejuízo", lamenta Piccolo.
O tão sonhado local para armazenamento quase se concretizou. Com ele, viriam um restaurante e uma escola de manipulação de pescados. Mas... "tínhamos um projeto na colônia, já havia recurso garantido de R$ 250 mil. Mas com a extinção do Ministério da Pesca, não podemos mais utilizar o recurso e ele foi repassado para a prefeitura, que utilizou para realizar outros serviços", conta o presidente da Colônia. "É bem complicado. Não tem recurso. Estamos tentando buscar, mas está tudo parado. E com isso o pescador perde qualificação, e o produto deixa de agregar valor", completa.

Homenagem da Epagri
Em Florianópolis, o Dia do Pescador não passará em branco. A Epagri lança nesta sexta-feira, às 18h30, um documentário de 15 minutos abordando a importância da pesca artesanal da tainha para as comunidades locais e mostrando como ocorre o cerco na praia. “Para nós a pesca mais bonita é a da temporada da tainha. E quando os peixes chegam na praia vêm muitos ajudantes. É um momento emocionante”, conta no vídeo o pescador Danir Mamedes da Silva.
O lançamento do documentário acontece no rancho do Getúlio, na Praia do Campeche.



