Dois jornalistas, um blog, 700 textos e um livro
Criadores do blog Desilusões Perdidas marcam presença na 8ª Semana Acadêmica de Jornalismo da Satc

Não foi tarefa fácil, mas os mais de 700 textos publicados no blog Desilusões Perdidas, que tem como personagem o jornalista fictício Duda Rangel – desiludido com a profissão, mas apaixonado por ela –, viraram um livro. A vida de jornalista como ela é compila 110 textos divididos em 16 capítulos temáticos. Há poesias, crônicas, contos e textos literários que retratam as graças e as desgraças da profissão jornalista.
Logo mais às 19h30min, Anderson e Emerson Couto, criadores do blog, estarão no encerramento da 8ª Semana Acadêmica de Jornalismo da Faculdade Satc, em Criciúma, para bater um papo com profissionais e estudantes e lançar o livro, que está entrando em sua segunda tiragem.
Nesta tarde, os irmãos gêmeos e jornalistas estiveram no Portal Engeplus para conversar sobre a obra e a profissão. Confira:
Portal Engeplus – Quem é Duda Rangel?
Anderson – O Duda Rangel, na verdade Carlos Eduardo Rangel, é o narrador do blog. Fizemos uma pesquisa de nomes, evitamos repetir algum já existente e chegamos a ele. O blog é de ficção, mas muita história é autoral, minha e do Emerson, e precisávamos de alguém para dar vida a tudo isso com muito bom humor.
Engeplus – No blog vocês o descrevem como um jornalista desiludido. Mas escreve textos bem humorados.
Emerson – O Duda já foi mais infeliz na profissão, mas voltou a conviver com ela com bom humor. Ele é desempregado, abandonado pela mulher. Mas ele gosta da profissão. Por isso faz textos engraçados, magoados, sarcásticos, ele é debochado também. Muitos leitores pensam que ele é real, mas não é, e não mostramos nossa cara. Eu e o Anderson não estamos no blog.
Engeplus - Como surgiu a ideia do blog?
Emerson – Escrevíamos humor na faculdade, fazíamos fanzines também. Somos do jornal impresso e entramos muito novos no Estadão. Ficamos sérios e em 2009 resolvemos voltar para o humor e escolhemos o blog por conta da linguagem, por ser diferente do que fazíamos e porque queríamos discutir a profissão de forma mais leve.
Engeplus – O blog é autoral?
Anderson – Fazemos o real e a ficção, mas muito do que tem no blog é autoral, são as nossas histórias. O Duda é dois anos mais velho que nós, não podíamos nos distanciar do Duda senão nossas história não valeriam. Ele é saudosista, trabalha naquele ambiente em que se fumava muito. Mas nós, eu e o Emerson, rejuvenescemos muito de um ano para cá porque temos andado muito em universidades para aprender com os jovens jornalistas. Para nós, o que vimos, é que mudaram foram os canais de comunicação e suas tecnologias. A essência é a mesma: curtir o que faz, ir pra rua, apuração. Contar as histórias é bom demais.
Engeplus – Vocês têm concorrentes ou já viram algo semelhante ao trabalho de vocês?
Anderson – Nosso blog é de humor, mostramos de tudo, nossa vida jornalística está ali. Recebemos algumas contribuições, o que nos ajuda a oxigenar o blog. O que vemos hoje é que existem canais para tratar da profissão, discutir, mas mais para escrachar e mostrar os erros dos colegas. O blog é para motivar também. Com as histórias que postamos lá uns se desmotivam na profissão, outros não, pelo contrário.
Engeplus – A vida de jornalista como ela é já vai para a segunda tiragem. Há planos para o Duda Rangel?
Emerson – Sim Queremos fazer uma série de televisão. O roteiro está quase pronto e conversamos com duas produtoras. O plano é ampliar os assuntos do Duda, falar de jornalismo de forma mais clara ára que quem não é jornalista entenda também. Sinceramente, já pensamos também em como matar o Duda (risos).
Engeplus – Vocês deixaram a redação, encontraram outro espaço na profissão. Como avaliam o mercado daqui para frente?
Anderson – O mercado de jornalismo muda de cidade para cidade. Em São Paulo, o jornalismo tradicional está mais restrito e os profissionais migram para outros nichos. A grande mudança fica e ficará por conta da independência dos profissionais, mudança dos locais de trabalho e geração de conteúdo.
Emerson – Vejo isso de forma positiva. Há cada vez mais canais para jornalistas e leitores. Ambos estão muito próximos.








