Por Fabrício Júnior - fabricio.junior@engeplus.com.br
Em 07/07/2025 às 11:33Os alunos da Escola Municipal de Educação Básica Polo de Surdos (EMEBPS) Profª. Maria de Lourdes Carneiro, no bairro Vila Francesa, em Criciúma, tiveram uma manhã diferente nesta segunda-feira, dia 7. Os artistas Rafael Odrus e Ricardo Herok realizaram uma oficina de grafite na instituição.
Além dos alunos surdos, participaram da atividade estudantes que se destacaram em avaliações na escola. “Nós queremos mostrar para o surdo que ele é capaz e que mesmo com as dificuldades ele vai conseguir. O evento de hoje é para mostrar também que estudar vale a pena e incentivar os demais que não estiveram nesse trabalho”, frisou Daniela Rosso, diretora da escola.
Odrus (surdo ao contrário), hoje com 42 anos, teve surdez congênita e se apaixonou pela arte logo cedo. Intitulado o primeiro grafiteiro surdo do Brasil, o brasiliense começou a desenhar antes dos quatro anos. Com 17 anos, ele foi incentivado a grafitar.
Desde então, o artista já pôde percorrer o mundo para mostrar seu trabalho, que teve início nas periferias em Brasília e foi demonstrado em vários estados, além de países como Estados Unidos, França e África do Sul. “Nessas experiências a dificuldade maior foi o contato. A comunicação se deu mais pela expressão facial e corporal. Estou sempre viajando em vários lugares para ter essa troca de experiência e estar ensinando e ajudando também os estudantes”, pontuou Odrus. A entrevista foi realizada com o auxílio da intérprete Nanci Virtuoso, que trabalha na escola.
A aluna Estela Olivo Matias, de 14 anos, comentou sobre a oportunidade de conhecer a arte do grafite e avaliou de forma positiva a atividade. “Estou amando a experiência. Eu amei o grafite. Isso é bom para os alunos conhecerem uma arte nova e poder aprender algo novo”. A professora e intérprete Aline Girardi Felicio Martinho auxiliou na entrevista com a adolescente.
O artista catarinense Herok, que hoje reside em Balneário Rincão, falou sobre a importância da arte na escola. “Eu venho nessa proposta da oficina para estar fomentando a prática artística e incentivando a galera também. Eu e o Odrus fizemos parte de um coletivo, que é nacional e internacional. Eu convidei ele para vir para cá, em um mural que fizemos ao lado do campo do Criciúma. Ele voltou mais vezes e agora estamos usando o exemplo dele para vários lugares”.
Referência na região
Iniciado em 2018, o projeto começou atendendo 12 alunos surdos residentes de Criciúma. Atualmente são 31 estudantes que têm o aprendizado na instituição. As crianças e adolescentes contam com o suporte do governo municipal para o deslocamento à escola e dispõe de aulas de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Língua Portuguesa.
De acordo com a diretora da instituição, os profissionais são extremamente capacitados para o atendimento aos alunos. “Os funcionários já frequentaram ou frequentam o curso de Libras. Hoje são aproximadamente 95% dos profissionais que já tiveram essa oportunidade”, destacou Daniela.
A diretora acrescentou ainda que a escola hoje atende também alunos com pais surdos. A ação auxilia na comunicação entres pais e filhos dentro de casa.
Confira a galeria de fotos da atividade:
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