Portal Engeplus, 20 anos
Publicidade
PublicidadePublicidade
'Em tempo recorde'

Em nota, Ministério Público questiona votação sobre projeto na Câmara de Vereadores

Vereadores aprovaram projeto do Executivo por unanimidade

Por Amanda Garcia Ludwig - amanda.garcia@engeplus.com.br

4 min de leitura

Compartilhar:
Em nota, Ministério Público questiona votação sobre projeto na Câmara de Vereadores
Foto: Luan Ghisi

O promotor de justiça Carlos Eduardo Tremel de Faria, titular da 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma, questionou via nota oficial a votação da Câmara de Vereadores de Criciúma sobre Projeto de Lei que altera parte da Lei de Contratações Temporárias (6.856/2017). Na nota, intitulada "A quem interessa calar o Ministério Público?", o promotor explica ter enviado à Casa uma recomendação para que o assunto fosse retirado da pauta para debate futuro, com aprofundamento do tema.

O promotor afirma, na nota do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que o projeto de lei foi votado em regime de urgência na noite dessa terça-feira, dia 13, faz mais um 'remendo' na lei. Entre as recomendações, o promotor pediu que o projeto fosse analisado por comissões competentes como, por exemplo, a Comissão de Constituição e Justiça.

Antes do início da votação na noite dessa terça-feira, a vereadora Giovana Mondardo (PCdoB) solicitou à Casa a leitura da recomendação do MPSC. Em seguida, a sessão foi suspensa. Já no retorno da sessão, os vereadores realizaram a votação, aprovando a matéria por unanimidade, com abstenção de voto de Giovana e ausência de votos de Arleu da Silveira, Geovana Benedet Zanette e Salésio Lima.

Publicidade

Veja o vídeo do momento:

Projeto votado na sessão faz nova alteração na Lei de Contratações Temporárias (6.856/2017)

O projeto votado na sessão dessa terça-feira, dia 13, foi enviado à Câmara de Veradores pelo Poder Executivo, ou seja, o Município de Criciúma, assinado pelo prefeito Clésio Salvaro. Ele faz uma nova alteração na Lei 6.856/2017.

Na justificativa do projeto, Salvaro ressalta o fato de que as atividades "não podem ser paralisadas até que seja dado provimento definitivo aos aprovados no concurso público".

Para o MPSC, "o Município de Criciúma tem se utilizado de forma irregular da exceção à forma de provimento dos cargos públicos, em verdadeira burla à regra do concurso público, situação constatada em diversos procedimentos e ações da Promotoria de Justiça da Moralidade Administrativa."

Após receber a nota do MPSC, o Portal Engeplus entrou em contato com os vereadores Geovanna Benedet Zanette (presidente da Câmara de Vereadores) e Nicola Martins (líder do governo na Câmara), mas não foi atendido.

Confira a nota do MPSC na íntegra:

A quem interessa amordaçar o Ministério Público?

O Ministério Público lamenta que, na noite de ontem, em regime de urgência, sem análise das comissões competentes, como, por exemplo, a Comissão de Constituição e Justiça, foi aprovado pela Câmara Municipal de Vereadores mais um remendo na Lei de Contratações Temporárias. (6.856/2017).

Mesmo sendo expedida recomendação para que, pelo menos, o assunto fosse retirado da pauta para um debate futuro, como maiores aprofundamentos, a Câmara de Vereadores preferiu aprovar o Projeto de Lei “em tempo recorde.

Percebe-se que, durante a sessão, quando se mencionou a recomendação do Ministério Público, a sessão foi suspensa. Ao invés de fazer a leitura da recomendação publicamente, como sugeriu a Vereadora Giovana Mondardo, preferiu-se tratar do assunto de maneira sigilosa, com a presença de Secretários Municipais, sem a possibilidade da população compreender os motivos suscitados pelo Ministério Público.

A Câmara de Vereadores deveria ser considerada uma casa popular, entretanto, preferiu amordaçar este Promotor de Justiça. Entende-se que a postura tomada pelo legislativo municipal foi grave, pois quando se cala um Promotor de Justiça, automaticamente, está limitando a liberdade de expressão de toda a sociedade.

Atitudes antidemocráticas como a de ontem, não engrandecem a sociedade e não contribuem para o fortalecimento da cidadania. Não seria prudente ouvir o que o Promotor de Justiça tem a dizer antes de aprovar uma lei? Ainda mais se tratando de uma lei que o Ministério Público já revelou possuir diversas inconstitucionalidades? (Processo n. 5011790-18.2021.8.24.0000)

Lembra-se que o Município de Criciúma tem se utilizado de forma irregular da exceção à forma de provimento dos cargos públicos, em verdadeira burla à regra do concurso público, situação constatada em diversos procedimentos e ações da Promotoria de Justiça da Moralidade Administrativa.

Em que pese a Câmara Municipal possuir, teoricamente, independência para conduzir seus trabalhos, não se mostra plausível a mudança legislativa de um dia para o outro, sem ao menos tentar compreender os motivos suscitados pelo Ministério Público, instituição que não qualquer compromisso político-partidário.

Lembra-se que o Poder Legislativo tem, também, a função de fiscalizar os atos do Poder Executivo, de maneira independente, não devendo avalizar propostas inconstitucionais pelo gestor público.

Ao final, fica a reflexão: A quem interessa amordaçar o Ministério Público?"

Promotor de Justiça Carlos Eduardo Tremel de Faria, titular da 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma.

Compartilhar:
Receba as notícias de Criciúma e região no WhatsAppAs principais do dia, direto no seu celular. Grátis.Entrar no grupoLeia a seguirDefinida Mesa Diretora da Comissão Especial Temporária sobre a ACP do Carvão