Frequência de alunos cai pela metade nesta sexta, dia mencionado em áudio com ameaça ao Colegião
Confira a entrevista com a diretora da escola, que espera normalidade na próxima semana
Por Thiago Hockmüller - thiago.hockmuller@engeplus.com.br
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Três dias após a disseminação do áudio com ameça de atentado contra o colégio Sebastião Toledo dos Santos, o Colegião, e dois após a resolução do caso, o clima ainda é de tensão entre pais e alunos. Na manhã desta sexta-feira, dia 2, data na qual o autor da brincadeira havia marcado o suposto atentado, cerca de metade dos alunos não compareceram às aulas.
A escola conta com um total de 850 estudantes, 400 destes estudam no período da manhã. Como vem acontecendo desde terça-feira, um policial militar está no local desde as 7h15 para aumentar a sensação de segurança e também para monitorar a situação. Desde às 6 horas, como já é de rotina, a escola também conta com um vigilante contratado pelo Estado. Mesmo assim, cerca de 200 alunos estiveram ausentes nesta manhã.
“Poucos alunos vieram para a aula, um número bem baixo. Bastante pais e alunos estão com medo, mas não tem motivo para ter medo. Estamos aqui desde o primeiro dia fazendo a segurança, já foi elucidado o caso, identificado o autor e não há motivo para faltar a aula”, relata o soldado da PM, Mateus Colombo, que faz a vigilância da escola neste momento.
A Polícia Civil identificou o autor do áudio disseminado nas redes sociais na quarta-feira. Ele é de Nova Veneza, tem 18 anos de idade, foi encaminhado à Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos e confessou a autoria do áudio. Ele teve o celular apreendido e assinou um Termo Circunstanciado pelos crimes de ameaça e falsa comunicação de crime.
Situação deve voltar ao normal na próxima semana

Apesar do clima de tensão que ainda ronda a escola, a expectativa é que a frequência dos estudantes volte ao normal já na segunda-feira. Aliás, o desfalque desta manhã é visto com certa normalidade uma vez que o autor da brincadeira havia citado que o crime ocorreria nesta sexta-feira.
Em entrevista para o Portal Engeplus, a diretora do Colegião, Juraci Brocca, explicou que as faltas serão analisadas individualmente e são passíveis de justificativa. Abaixo, confira a entrevista completa com a diretora, que conta como foi o clima vivido desde a terça-feira.
Portal Engeplus: Com toda essa situação, houve alguma baixa no quadro de alunos da escola?
Juraci: Não. Temos a compreensão que foi um susto muito grande. Tomamos consciência de que foi uma brincadeira, não sei nem porque com o nome da nossa escola, não há nenhuma relação com nossa escola. E semana que vem tudo voltará ao normal. Estaremos em ritmo de feira cultural e a situação vai se normalizar”.
Portal Engeplus: Como os professores e os alunos processaram todas essas informações?
Juraci: “Desde a primeira vez que eu tive conhecimento do áudio, me deu a impressão que era uma coisa inconsequente. Mas entre achar que é uma brincadeira e comprovar que é, há um longo caminho. Em função disso procuramos a Polícia Civil e a Militar. Nas primeiras conversas que tivemos eles já nos tranquilizaram, disseram que pelo tom de voz, por ter mandado um recado dizendo que mandaria para o pessoal de Criciúma, isso deu indício de que ele não morava aqui. Na terça a noite, nos contatos que tivemos com a polícia, já sabíamos que tinham encontrado o responsável”.
A frequência está bem reduzida. Os pais ligaram para a gente e por mais que nós tenhamos ditos que estava tudo resolvido, que o menino já havia sido localizado, a maioria preferiu não mandar os filhos hoje
Portal Engeplus: Como foi essa aproximação com a polícia e como a senhora viu essa atuação e repercussão até chegar no rapaz envolvido?
Juraci: "Foi excelente (atuação). Tomei conhecimento do áudio por uma mãe, que esteve na escola entre 13h30 e 14h30. O primeiro contato foi com a ronda escolar e imediatamente vieram na escola. Conversamos, fizemos o boletim de ocorrência na Polícia Civil, e no retorno o pessoal da DIC (Divisão de Investigação Criminal) já estava aqui na escola. Abrimos um canal de contato com eles durante o dia para repassar informações. Chegou muita informação a partir de quando o áudio passou a circular. E no final da noite eles já disseram que tinham um provável suspeito. A atuação da Polícia Civil foi bastante rápida, só temos a agradecer o empenho que tiveram e a atenção que nos deram. A Polícia Militar também… apesar de tomarmos conhecimento que foi uma brincadeira, eles continuam conosco até hoje”.
Portal Engeplus: Além da ronda escolar, como é realizada a segurança na escola?
Juraci: “Temos das 6h às 22h a vigilância e também o sistema de monitoramento por câmera. Nossa escola é bem segura. Eu estou na direção da escola há 12 anos e não me lembro de um incidente, de invasão, roubo de alguma coisa. Sempre conversamos no grupo de whatsapp (promovido pela Ronda Escolar) com todas as escolas do município. Quando é necessário eles dão atenção e sempre fazem a ronda nos horários de entrada e saída”.
Portal Engeplus: Qual a sensação após o episódio?
Juraci: “Desde o início eu tinha noção que era brincadeira. Na minha conversa com alunos e professores sempre conversamos assim, que era um trote que ele passou e não tinha dimensão do que ia acontecer com o áudio. É um alívio porque a escola, toda o funcionamento dela, é com presença do aluno. Nesta semana praticamente não tivemos alunos, a escola fica muito estranha sem as salas lotadas, sem movimento do aluno nos corredores. A partir da semana que vem, com a normalização, o pai que preferiu que o aluno não viesse vai trazer ele para a escola e vamos voltar a vida normal”.
Eu tenho estado presente nas salas de aula, conversando com os alunos. E o que comento com eles é que a internet tem o lado bom e o ruim, temos que saber filtrar. Fomos vítimas de uma brincadeira, que achavam que não teria consequência. Foi um susto muito grande.
Portal Engeplus: As faltas dos alunos serão justificadas?
Juraci: “Combinamos que no retorno vamos analisar caso a caso e se for necessário vamos justificar a falta”.
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