Transporte coletivo

Salvaro recebe sugestão de reajuste superior a 20%

Por Denis Luciano - denis.luciano@engeplus.com.br

Em 29/06/2017 às 11:47
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Foto: Arquivo Engeplus

As empresas reclamaram, o movimento sindical contrapôs mas a ata que o Conselho Municipal de Transportes encaminha ainda hoje ao prefeito Clésio Salvaro sugere um reajuste superior a 20% nas passagens de ônibus em Criciúma para validade a partir de 9 de julho. Foi o resultado da reunião da manhã desta quinta-feira entre conselheiros.

“Tivemos uma perda de 55 mil passageiros no sistema em um ano. Esse é um fenômeno não apenas local, mas nacional”, justifica o empresário David Tiscoski, representante da Associação Criciumense de Transporte Urbano (ACTU). “Novamente o passageiro vai pagar a conta duas vezes, quando paga ao ser transportado e quando vem esse cálculo anual que pune o povo, que parece nunca ter pago o suficiente”, rebate o sindicalista Edegar Generoso, representando o Movimento dos Usuários do Transporte Urbano de Criciúma (Mutuc).

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A planilha, que já apontava para um reajuste de 22%, recebeu reparos pelos empresários. “Eles reivindicaram mais, nós pedimos menos, agora é com o prefeito”, observa Generoso. Os valores sugeridos ficarão em torno de R$ 4,17 no cartão e R$ 4,50 na catraca. “Quem vai andar de ônibus assim. Esse valor quebra o trabalhador”, avalia o sindicalista. 

Gratuidade pesa

Para a ACTU, a gratuidade é, além da queda da demanda, um fator preponderante no cálculo da tarifa. “Esses descontos trazem reflexo de 19% no custo do sistema. Ou seja, de cada cinco ônibus que circulam, um é só para pagar a gratuidade. Não somos contra os benefícios mas uns estão pagando pelos outros”, pondera Tiscoski.

“Os benefícios devem existir, mas no formato atual são os outros passageiros que pagam, e não concordamos com isso”, destaca o empresário, apontando para uma ideia de necessário subsídio público para a tarifa. “Essa queda do número de passageiros deve-se também a uma política federal de subsídios para carros e motos em detrimento do transporte público, nós não temos subsídio algum”, detalha.

Sindicatos sem cálculo

Generoso lembra que, neste ano, o movimento sindical não formalizou a indicação de valores de contraponto para a tarifa. “Agora estamos focados no movimento nacional contra as reformas e não tivemos como contratar a assessoria para um cálculo independente e, em tese, não temos valores para sugerir”, confirma. O sindicalista reforçou, na reunião de hoje, sugestões para baratear a tarifa. “Precisamos partir para o Fundo Municipal de Transporte com dinheiro do estacionamento rotativo e da mídia em ônibus e acumular esse valor para amortizar no cálculo da passagem”, sugere.

Foi levantada na reunião, ainda, a discussão sobre a mudança no sistema para o futuro, conforme sugerido pelo promotor Alex Cruz. “Há consciência sim de que o sistema precisa ser reorganizado, que não fique sujeito a interesses particulares de estender linhas e horários. Precisamos diminuir o tamanho da malha sem cair a qualidade do serviço e trazer a tecnologia para baratear”, completa Tiscoski.

Ideia para os usuários

O movimento sindical apresenta uma sugestão aos usuários. “O valor atual, de R$ 3,40 no cartão, vale até 60 dias depois do decreto da nova tarifa para o uso, e para compra até a entrada em vigor do novo valor. Logo, sugerimos a quem tem um dinheiro que já reabasteça o seu cartão antes do reajuste”, conclui Generoso.

O prefeito Clésio Salvaro recebe nas próximas horas a ata da reunião com as planilhas dos cálculos da Diretoria de Trânsito e Transportes para então decretar a nova tarifa.

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