Por Rafaela Custódio - rafaela.sousa@engeplus.com.br
Em 29/03/2025 às 16:03Familiares e amigos de Thamily Ereno, de 23 anos, realizaram uma manifestação na tarde deste sábado, dia 29, em Criciúma, para protestar contra sua morte durante uma operação da Polícia Civil. O grupo se reuniu em frente à Divisão de Investigação Criminal (DIC), no bairro São Luiz, e percorreu a avenida Santos Dumont até o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A jovem foi baleada na cabeça durante uma operação da Polícia Civil no último dia 21 de março, no bairro São Sebastião, em Criciúma. Ela foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital São José (HSJosé), porém não resistiu e morreu na unidade. A ação da Polícia Civil buscava cumprir um mandado de prisão contra um homem de 20 anos, companheiro da vítima, procurado por envolvimento em crimes de tráfico de drogas e organização criminosa.
O pai da vítima, Davi Ereno, liderou a manifestação neste sábado e falou sobre a busca por justiça e também esclarecimentos sobre o caso:
A manifestação foi marcada pelas redes sociais e mais de 50 pessoas compareceram ao ato. A irmã de Thamily, Thuany Ereno, garantiu que a família está buscando uma justificativa do Estado. “Ninguém veio nos dar uma satisfação. Estão distorcendo os fatos, iniciaram com uma história e mudaram para diversas versões. Queremos justiça pela Thamily”, frisou.
Processo de investigação
Em entrevista ao programa João Paulo Messer, da Rádio Eldorado, o delegado da 6ª Delegacia Regional de Polícia (6ª DRP), André Milanese, afirmou que durante a operação, os policiais civis buscaram cumprir um mandado de prisão contra um jovem de 20 anos, que era companheiro de Thamily e investigado por envolvimento em tráfico de drogas e organização criminosa.
“O namorado era investigado pela Delegacia de Combate às Drogas (Decod) de Criciúma. Antes da abordagem da última sexta-feira, os policiais já tinham cumprido um mandado de busca e apreensão na casa do criminoso. No local, os policiais apreenderam objetos e essas provas foram utilizadas para a expedição do mandado de prisão contra o companheiro da vítima”, explicou.
A abordagem no bairro São Sebastião aconteceu no momento em que o suspeito visitava a casa dos pais. Milanese afirmou que quatro polícias e duas viaturas participaram da operação. Os carros e os policiais estavam descaracterizados, pois não queriam ser identificados pelo investigado.
“Quando o casal entrou no carro de um motorista de aplicativo, os policiais foram realizar a abordagem. A Polícia Civil trancou a rua e se identificou. O motorista, ao invés de parar o carro e descer do veículo, decidiu obedecer o criminoso, que pedia para o condutor fugir. Neste momento, o motorista começou a dar ré em alta velocidade e quase atingiu uma policial, que estava encurralada em um canto da rua. Para o carro parar, ela efetuou o disparo que acabou atingindo Thamily. Queríamos apenas parar a agressão e não sabíamos que tinha uma terceira pessoa dentro do veículo”, pontuou.
Para o delegado, a abordagem da Polícia Civil foi correta e legítima. “Se o criminoso tivesse se rendido e o motorista de aplicativo obedecido à ordem de parada, isso não teria acontecido. Foi uma fatalidade, mas o criminoso e o condutor tiveram a opção errada, no momento errado. A policial civil agiu em legítima defesa”, acrescentou Milanese.
Os policiais conseguiram deter o companheiro de Thamily que era alvo da operação e o condutor do veículo, de 42 anos, também foi preso em flagrante por crime de tentativa de homicídio e desobediência. Já a policial, que realizou o disparo de arma de fogo, foi afastada das atividades por alguns dias e está fazendo um acompanhamento com psicólogos no Centro de Saúde Ocupacional da Polícia Civil.
“Quando o inquérito for finalizado, com todos os laudos periciais, será encaminhado ao Poder Judiciário, que decidirá se a policial figura como vítima ou se fez algum ato fora do padrão correto. Se isso acontecer, a oficial responderá a um outro processo. Encaminhamos o procedimento policial para a Corregedoria. Caso eles entendam que ela fez um ato ilegal, responderá um procedimento administrativo”, destacou.
Justiça revoga prisão preventiva de motorista de aplicativo
O juízo da 2ª Vara Criminal da comarca de Criciúma publicou despacho nessa sexta-feira, dia 28, revogando a prisão preventiva do motorista de aplicativo envolvido na operação policial que terminou com a morte da Thamily. A informação foi confirmada por Eduarda Viscardi, advogada de defesa do motorista.
A defesa contesta a versão apresentada pelos policiais. “A defesa do motorista acredita que essas ações visam justificar uma conduta policial equivocada, protegendo a corporação e uma operação que resultou na morte de uma pessoa e na prisão de um inocente”, diz nota divulgada pelos advogados do motorista. Ele segue respondendo o processo em liberdade.
Conforme os advogados de defesa, o principal argumento apresentado pelo judiciário para a revogação da prisão foi que o motorista não oferece risco à sociedade para ser mantido preso.
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