Há 10 anos no cenário da Nereu Ramos

Todas as pessoas que passam pela praça Nereu Ramos, em Criciúma, já devem ter observado a presença de seu Delclésio Cechinel. Há 10 anos ele faz parte do cenário do logradouro com a comercialização de pipocas doces e salgadas. Com um sorriso no rosto e esbanjando simpatia, no inverno ele chega a vender cerca de 100 pipocas por dia. No verão, a concorrência com o sorvete é desleal e as vendas caem para 40 pipocas por dia.
Desde que assumiu o posto deixado pelo cunhado, o senhor de 50 anos, aposentado da mina quando tinha 38 anos, busca o complemento da renda familiar. “No começo foi melhor, acho que as pessoas tinham mais dinheiro. Hoje ainda temos que concorrer com os outros produtos que as crianças gostam de consumir”, comparou. O trabalho na esquina da Casa Londres, acontece de segunda a sábado, sempre acompanhando o horário do comércio. “Agora tão falando em abrir todo sábado, mas os comerciantes não terão vida”, pontuou.
O senhor afirma que gosta do que faz. “É muito compensador. Estamos sempre rodeados de pessoas, crianças e até dos pombos que param do meu lado para comer milho. Eles limpam a praça para mim”, falou aos risos. Segundo Cechinel, o dinheiro arrecadado com as vendas das pipocas dá para sobreviver, cada pacote custa R$ 1,50. “Antes era o complemento do meu aposento, mas agora o aposento que se tornou um complemento”, revelou.
Durante esses 10 anos de trabalho ele já pensou algumas vezes em parar. ‘Só que pensando bem, o trabalho também é uma maneira de aproveitar a vida. Tenho clientes fiéis que sempre passam por aqui para comprarem pipocas ou só para falarem comigo. Isso é animador”, salientou. Quanto a concorrência, ele afirma que serve como incentivo. “Assim eu venho sempre trabalhar para não perder o ponto”, garantiu.



