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Economia e Mercado

Jornalista gaúcha levanta suspeitas sobre denúncias contra vinícolas

Vinícolas foram denunciadas por trabalho "análogo ao de escravos"

Por Joice Quadros - economiaemercado@engeplus.com.br

4 min de leitura

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Sem entrar no mérito da questão, que atribui aos órgãos competentes, como a Justiça do Trabalho e o Ministério Público, a jornalista Ana Inês Fachin, de Bento Gonçalves (RS), levanta uma série de suspeitas sobre a forma como foi denunciado o assunto de trabalho “análogo ao de escravos” em vinícolas gaúchas, amplamente divulgado pela mídia. Em áudio gravado nesta segunda-feira (6) e que viralizou nas redes sociais, Ana Inês relata que o alojamento onde estavam os trabalhadores denunciados fica a cerca 300 metros do centro da cidade e os moradores vizinhos estavam acostumados a vê-los caminhando na rua ou descansando entre uma jornada e outra. Pondera que um alojamento com duzentos homens, com idade entre 18 e 57 anos, é um “cenário” que ela “nem pode imaginar”, e, por esta razão, não emite juízo de valor sobre as condições do ambiente, mas põe em dúvida a questão de “fuga” de um alojamento aberto com sua localização a cerca de cem metros das Delegacias de Polícia Civil. Outra questão que levanta é sua “estranheza” por ter a denúncia sido feita em Caxias do Sul, a 58 quilômetros do alojamento, passando inclusive em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Sem meias palavras, acredita a jornalista que este assunto tem “outro propósito a parte da Justiça Trabalhista”.

Se é, ou não, seu relato é, no mínimo, intrigante.

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Três marcas de vinho estão sofrendo este ataque de trabalho “análogo ao de escravos”. Duas são cooperativas: a Vinícola Aurora e a Vinícola Garibaldi, sendo a terceira, Vinícola Salton, uma empresa familiar. Ocorre que antes mesmo do esclarecimento dos fatos, o assunto foi potencializado pela mídia e redes sociais, abalando a reputação das empresas no mercado interno e , agora, impedidas de exportar em função das denúncias. Pontua a jornalista que na Serra Gaúcha a maioria das propriedades são de pequenos produtores rurais, com cerca de 20 hectares, e algumas maiores com cerca de 80 hectares, com as famílias produzindo a uva, desde seu plantio, cuidado e colheita, até ser entregue na cooperativa, formada por estas famílias, para a devida industrialização. “As milhares de famílias de produtores rurais aqui de Bento e de Garibaldi jamais foram escravistas”, enfatiza, relatando que são famílias descendentes de italianos “em sua maioria que vieram com uma mão na frente e outra atrás”, que há mais de cem anos tiveram que deixar seu país em busca de uma oportunidade e construíram do nada, na Serra Gaúcha, “aqui se trabalha muito”, os vinhos que estão “entre os melhores do mundo”.

Em seu áudio, a jornalista associa os fatos a questões político-ideológicas divisionistas entre forças lulistas e bolsonaristas. Lembra que em Caxias do Sul, cidade distante do local dos acontecimentos onde foram feitas as denúncias, existe um braço forte da CUT e é cidade que elegeu dois deputados e um Senador pelo PT; lembra também que sua cidade, Bento Gonçalves, foi onde o Ministro Luis Fux, do STF, recebeu um “fora Fux”, sendo Bento Gonçalves e Garibaldi cidades onde o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu cerca de 77% dos votos nas últimas eleições. Em denúncia forte, destaca a jornalista que “foi exatamente assim que as empresas quebraram na Venezuela e foram vendidas a preço de banana”.

Ao encerrar seu áudio, Ana Inês Fachin diz que não pode afirmar “uma coisa ou outra porque cabe à justiça decidir e agir” mas que “não vamos deixar que destruam o que estas famílias construíram depois de um século de muito trabalho capricho e carinho” e sugere uma ida ao supermercado para comprar vinho da Cooperativa Aurora, Garibaldi ou Salton, “qualquer um deles”, diz, e outras marcas também porque são todos muito bons vinhos brasileiros. “E se você não toma vinho, compre e presenteie um amigo”, finaliza.

Joice Quadros
Bacharel em Jornalismo pela UFRGS e pós-graduada em Fundamentos da Educação e em Gestão Ambiental. Especialista em Comunicação Empresarial, Endomarketing e Comunicação na Gestão de Crises, com obras publicadas na produção de pesquisas na área de História e Biografias. Cadeira 28 da Academia Criciumense de Letras e Membro da Associação Brasileira de Jornalistas Escritoras. Nasceu em Santo Ângelo (RS).

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