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Juventude e experiência

No ano de reconstrução, Criciúma aposta em soluções caseiras para se reerguer

Serginho Lopes e Evandro Guimarães terão a função de recolocar o Tigre na Série B

Por Thiago Hockmüller - thiago.hockmuller@engeplus.com.br

8 min de leitura

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No ano de reconstrução, Criciúma aposta em soluções caseiras para se reerguer
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

O Criciúma enfrentará em 2020 uma das temporadas mais difíceis de sua história. Nesta quarta-feira, dia 22, o Heriberto Hülse reabrirá para receber o time de Roberto Cavalo que enfrentará o Concórdia pela primeira rodada do Campeonato Catarinense. No entanto, o torcedor sonha mesmo é voltar à Série B do Brasileirão e esquecer o traumático rebaixamento do ano passado.

Para alcançar o acesso, realizar uma campanha digna no Estadual e estancar de vez a ferida aberta na última temporada, o clube resolveu apostar em heróis do passado e também em pratas da casa. O técnico Roberto Cavalo, o auxiliar Wilson Vaterkemper, o diretor executivo de futebol Evandro Guimarães e Vilmar, ex-zagueiro recém contratado para o cargo de observador técnico, todos campeões da Copa do Brasil de 1991 vestindo as cores do Tigre, são bons exemplos.


Serginho Lopes é o superintendente de futebol do Criciúma. (fotos: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus)

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E puxando a fila está Serginho Lopes, superintendente de futebol e responsável por comandar a tropa carvoeira. Aliás, Serginho também tem história no Tigre, onde está desde 2009, oriundo do projeto Tigrinhos - atuava como coordenador em Siderópolis.

Nos últimos quatro anos trabalhou como supervisor das categorias de base do Criciúma e contribuiu para a evolução de importantes ativos do clube, como o zagueiro Nino, os atacantes Julimar e Reinaldo e outros tantos que passaram pela camada jovem carvoeira.

Assim como todos os citados acima, Serginho também é torcedor, daqueles de arquibancada, que comemorou e se emocionou com os acessos que recolocaram o Criciúma na Elite do futebol brasileiro.

"A gente tem que amar o que a faz. E eu sempre fui assim, sempre me entreguei de corpo e alma em todos os lugares que passei. Aqui muito mais, porque sabemos da responsabilidade, o que tem que reconstruir aqui dentro. Eu já fui um torcedor de arquibancada do Criciúma quando aqui cheguei em 2009. Vi o acesso da Série C pra B. Eu vi da B pra A. Chego até se emocionar. Hoje estou do outro lado e eu vou fazer de tudo por esse torcedor, por essa cidade, pela região que ama o Criciúma. Dedicação e esforço não vão faltar", promete o superintendente.

Logo que anunciado, Serginho Lopes procurou fechar a parceria com Evandro Guimarães. A permanência da dupla Roberto Cavalo e Wilsão também encaixou na proposta idealizada para a temporada e serve como um trunfo.

O dirigente garante que todas as contratações foram pensadas desta mesma forma: jogadores que entendam o peso da camisa e queiram evoluir com o clube. Nada de medalhões, altos salários ou jogadores em final da carreira. Até mesmo porque o orçamento desidratado desta temporada não permite grandes contratações ou passos arriscados no mercado.

“Mas tem que ter jogadores com aquilo que queremos. Identificado com o Criciúma, que busquem o seu espaço, não interessa que é na Série C ou no Campeonato Catarinense e na Copa do Brasil. Esse clube é muito grande. Temos um orçamento para cumprir e eles vão buscar o espaço deles como a gente buscou o nosso dentro do clube”, pondera Serginho.

O que eles dizem:

Não adianta trazer jogador só por trazer. Tem que vir para cá com a ideia que nós temos, de querer crescer como profissional dentro do Criciúma. De buscar o espaço deles como atleta, dentro de campo, no dia a dia e respeitando o torcedor, a imprensa, para que possamos crescer juntos.

Serginho Lopes, superintendente de futebol do Criciúma
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Voltamos! eu, Cavalo, Wilson... o Serginho está construindo a história dele, que já é muito vencedora na base e com resultados excelentes. É lógico que o torcedor vincula o nosso nome ao passado, às conquistas, mas procuramos deixar isso um pouco de lado porque estamos construindo um novo caminho e a expectativa é grande. Devo muito ao Criciúma e a cidade.

Evandro Guimarães, diretor executivo de futebol do Criciúma
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Se não der na técnica, tem que ser raça

De fala tranquila e conhecedor da causa, Evandro Guimarães (foto ao lado: reprodução/Facebook) sabe o tamanho da responsabilidade que tem em mãos. Junto com Serginho Lopes e com os demais parceiros de 1991 terá um vestiário para comandar. E na visão do ex-jogador, a primeira missão é fazer com que os atletas conheçam o terreno onde estão pisando. Um campo vencedor, com uma torcida inflamada e esperançosa pelo retorno das glórias vividas na década de 90 e início dos anos 2000.

E por falar em títulos, o executivo tem moral para exigir taças. Campeão da Copa do Brasil em 1991, participou de um dos times mais destemidos e vencedores do Criciúma.

"Eu não tinha medo de ninguém, de time nenhum. Foi assim na Libertadores, foi assim nas duas Copas do Brasil que eu participei aqui. A gente sabia que se a técnica não funcionasse, lutaríamos muito, que a gente ia igualar na força de vontade, na determinação. E ficamos dois anos sem perder aqui dentro. Então é isso que a gente quer resgatar”, argumenta.

Para atingir esta característica no elenco, o executivo também listou o que espera de seus atletas: força, velocidade e um jogo físico. Quarta-feira, o torcedor poderá conferir de perto a primeira amostragem deste Criciúma versão 2020.

“Mas também não adianta resgatar só na conversa. Tem que ser jogadores rápidos, jogadores fisicamente em condições de suprir uma deficiência técnica. Mas não quer dizer que estamos abandonado a parte técnica, de forma nenhuma, tem que conciliar (as duas coisas). Tem que ter aptidão, o jogador tem que ser agressivo. Então tem algumas características psicológicas que o cara tem que trazer no perfil", pondera.

Quando fomos campeões aqui, em 1991, não foi por acaso, porque nós batemos na trave no ano anterior. Eliminamos Internacional, eliminamos São Paulo, Coritiba, times expressivos. E perdemos na semifinal nos pênaltis no ano anterior. Então por quê? Tínhamos muita garra.

Evandro Guimarães, diretor executivo de futebol do Criciúma
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Pensamento a longo prazo

Mesmo que a ideia seja resgatar a identidade do clube, ambos os dirigentes sabem que terão muito trabalho pela frente. Afinal, o Tigre vem de temporadas acidentadas tanto no Catarinense quanto nas competições nacionais. O rebaixamento da última temporada foi só a ponta do iceberg de problemas.

Além do mais, o orçamento é pequeno e o tempo de preparação curto. Vale lembrar que enquanto a maioria dos rivais do Estadual e Série C planejavam a temporada 2020, o Criciúma ainda estava respirando por aparelhos na Série B e tentando a permanência na segunda divisão.

Por isso, Serginho Lopes e Evandro Guimarães pedem paciência ao torcedor e não escondem o quanto a nação carvoeira será importante ao longo da temporada. "Não vai ser fácil, mas vamos conseguir. Não é fácil pegar um clube na Série C, mas o clube é muito grande, o torcedor é muito grande, o patrimônio é muito grande. A cidade e a região vivem futebol e tudo que vamos fazer é para eles”, afirma Serginho Lopes.

A própria ideia de montar um elenco jovem – maioria das contratações são de jogadores abaixo de 25 anos – e mesclado com jogadores das categorias de base é fruto do planejamento a longo prazo. Após a eliminação na Copinha, oito jogadores foram integrados ao elenco comandado por Roberto Cavalo. E quantos serão aproveitados dependerá do rendimento e da resposta de cada atleta.

Foram promovidos ao elenco profissional o goleiro Diego, o lateral-direito Claudinho, o zagueiro Welington, o volante Christofer, os meias Ykaro e Rullian e os atacantes Eduardo e João.

“Sabemos a importância do Criciúma na cidade, na região. Não estamos planejando o Criciúma só para um acesso, para uma volta à Série B. Estamos pensando a longo prazo. Temos olhado situações que não são nem para agora”, pondera Guimarães.

Com toda a expectativa em cima do planejamento, o Criciúma entra em campo pela primeira partida do Estadual a partir das 19 horas. E o Portal Engeplus conta para você todos os detalhes do duelo com a transmissão direto do estádio com a equipe do Tabelando, além de toda a repercussão do pós-jogo aqui no Portal.

Garra 91

E na onda de 91, o Criciúma anunciou na última sexta-feira, dia 17, os uniformes para a temporada que vão compor a marca própria do clube, a “Garra 91”. Os uniformes serão fabricados pela Spieler Sports e em breve estarão à disposição do torcedor na Loja Tigre Maníacos com uma linha de produtos com cerca de 60 itens.

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