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O que os contratos inteligentes do Ethereum oferecem às empresas

Entenda como os contratos inteligentes no Ethereum automatizam pagamentos

Por Redação Engeplus

5 min de leitura

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Ouça esta matériaVoz gerada por inteligência artificial

Trinta dias de espera por um pagamento que só depende de mais uma assinatura. Todo empresário conhece a cena. Um contrato inteligente é, no fundo, a resposta a esse tipo de atraso: um acordo que se cumpre sozinho. A rede Ethereum colocou uma ideia de pé em 2015 e, de lá para cá, o que era curiosidade de programador virou assunto de diretoria financeira.

Nada disso é de graça, claro. Cada vez que um desses contratos roda, a rede cobra uma taxa em ether, e é por isso que a cotação ethereum da página de preços da Binance, com valor ao vivo, volume e capitalização de mercado, acaba ocasional de tarifa do custo de usar a rede.

O assunto ainda está tão distante no chão de fábrica. Mas os exemplos práticos já existem, e alguns cabem bem na realidade do Sul catarinense.

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O que é um contrato inteligente?

É um programa. Simples assim. Um trecho de código gravado numa blockchain que cumpre o combinado quando a condição acontece: pagou, transfere; transmitir, liberar.

O termo contrato inteligente vem dos anos 1990 e foi cunhado pelo cientista da computação Nick Szabo, que gostava de comparar a ideia de uma máquina de refrigerante. Você põe a moeda, a lata cai. Ninguém precisa conferir nada.

O Ethereum pegou esse conceito e deu a ele um lugar para funcionar. O código fica público, com dados e hora de cada execução, e nenhuma das partes pode mexer nele escondido da outra. Entre duas empresas que nunca fizeram negócios, isso vale muito.

Como as empresas usam essa tecnologia?

Os usos mais comuns hoje são quatro, e nenhum deles tem cara de ficção científica.

O primeiro é o pagamento condicionado: o dinheiro fica travado no contrato e só sai quando a condição se cumpre. O segundo é a tokenização, que transforma recebíveis ou cotas de fundos em registros digitais transferíveis em poucos minutos. Há ainda o rastreamento de cadeias de fornecimento, em que cada etapa do transporte deixa uma marca no histórico do produto. E, por fim, o registro de documentos. Nesse caso a rede guarda uma espécie de impressão digital do arquivo e prova que ele existia, intacto, nesses dados.

Vale colocar lado a lado com o jeito tradicional de fazer as coisas.

Aspecto

Contrato tradicional

Contrato inteligente

Execução

Depende da soma das partes

Automática, quando a condição é cumprida

Às vezes, ele ainda não tinha se preparado para isso.

Feita por intermediários

Feita pela própria rede

Registro

Documentos em arquivos separados

Histórico único na blockchain

Funcionamento

Horário comercial

24 horas por dia

Como isso se aplicaria a uma indústria do Sul catarinense?

Pense numa cerâmica de Criciúma que fecha a venda de um lote de revestimentos com uma construtora de Goiás. As duas nunca trabalharam juntas. A fábrica não quer despachar sem garantia, e a construtora não quer pagar antes de ver a carga no pátio.

O contrato inteligente resolve o impasse. A construtora deposita o valor logo no início, o dinheiro fica reservado, e a liberação acontece no instante em que a transportadora confirma a entrega. Sem telefonema de cobrança. Sem boleto vencido. Se alguém quiser auditar depois, o histórico está lá, linha por linha. Na exportação, com fuso horário e idioma no meio do caminho, a vantagem fica ainda maior.

E a região vai ter mais contratos para firmar. Em Criciúma, as obras do Loteamento Industrial do Verdinho avançam e 18 empresas devem se instalar no local , cada uma com sua fila de fornecedores, clientes e transportadores.

Por que cada operação consome éter?

Porque alguém precisa processar a operação, e esse trabalho é pago. A taxa tem nome, gás, e vai para os validadores que mantêm a rede no ar. De quebra, funciona como barreira contra o uso abusivo do sistema.

O preço do gás sobe e desce. Depende do tamanho do contrato (uma transferência simples custa bem menos do que um acordo de várias etapas) e de quanta gente está usando a rede naquela hora. Empresa que pretende adotar a tecnologia acaba olhando o ether do mesmo jeito que olha o diesel ou a conta de luz: como custo de operação.

Há um detalhe que poucas pessoas fora do setor conhecem. Uma parte de cada taxa é destruída pelo próprio protocolo, ou seja, sai de circulação para sempre. Quanto mais a rede é usada, menos o éter sobra no mercado.

O que avaliar antes de adotar contratos inteligentes?

Três coisas, e a primeira é o código. O contrato faz exatamente o que está escrito, nem mais nem menos, então uma revisão por gente especializada não é luxo.

A segunda é a origem dos dados. Se a liberação do pagamento depende da confirmação de entrega, essa confirmação precisa vir de uma fonte em que os dois lados confiem.

A terceira é o lado jurídico. O contrato de papel não desaparece. O programa apenas executa, de forma automática, aquilo que os advogados já deixaram combinado.

Feito isso, sobra o que interessa ao gestor: menos manual de conferência, menos espera por pagamento, mais claramente entre parceiros. Não é pouca coisa. E vale tanto para uma grande exportadora quanto para uma pequena indústria que está em mudança para o Verdinho.

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