Operação Penalidade Máxima II: alvo em Tubarão foi um jogador, confirma MPGO
Nome do atleta não foi divulgado; em Santa Catarina foram dois mandados de busca e apreensão
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O Ministério Público de Goiás (MPGO) deu mais detalhes na tarde desta terça-feira, dia 18, sobre a segunda fase da Operação Penalidade Máxima. Em Santa Catarina, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Chapecó e em Tubarão.
O promotor de Justiça do MPGO, Fernando Martins Cesconetto, que coordena as investigações, confirmou que no Sul do Estado o mandado de busca e apreensão cumprido possui relação com um jogador investigado na operação. O nome do atleta não foi divulgado.
Já em Chapecó, o alvo da ação foi o zagueiro Victor Ramos, da Chapecoense, que teve o celular apreendido e prestou depoimento. O clube emitiu nota onde afirma que “reforça o seu apoio e, principalmente, a confiança na integridade profissional do atleta”. Confira abaixo a nota divulgada pelo clube catarinense:
Nota Oficial | 18 de abril de 2023
A Associação Chapecoense de Futebol vem a público a fim de reiterar o seu posicionamento totalmente contrário a qualquer tipo de situação que envolva a manipulação de resultados de jogos. O clube entende que tais condições são totalmente antidesportivas, ferindo os valores éticos e morais da modalidade.
A respeito da “Operação Penalidade Máxima” e do cumprimento do mandado relacionado à ela em Chapecó – envolvendo um jogador do clube – a agremiação alviverde reforça o seu apoio e, principalmente, a confiança na integridade profissional do atleta.
Por fim, tendo em vista as investigações, o clube destaca o seu compromisso em colaborar totalmente com as autoridades e oferecer todo o suporte e informações necessárias na apuração e esclarecimento do caso.
Entenda o caso
O MPGO, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI), deflagrou na manhã a Operação Penalidade Máxima II, visando à obtenção de novos vestígios da atuação de organização criminosa especializada na manipulação de resultados esportivos de jogos de futebol profissional.
Há suspeitas de que o grupo criminoso tenha concretamente atuado em pelo menos cinco jogos da Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2022, bem como em cinco partidas de campeonatos estaduais, entre eles, os campeonatos goiano, gaúcho, mato-grossense e paulista, todos deste ano.
Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão em 16 municípios de seis Estados, expedidos pela 2ª Vara Estadual dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem ou Ocultação de Bens Direitos e Valores de Goiás.
Os mandados foram cumpridos em Goianira (GO), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Pelotas (RS), Santa Maria (RS), Erechim (RS), Chapecó (SC), Tubarão (SC), Bragança Paulista (SP), Guarulhos (SP), Santo André (SP), Santana do Parnaíba (SP), Santos (SP), Taubaté (SP) e Presidente Venceslau (SP).
Trata-se de desdobramento da Operação Penalidade Máxima, deflagrada em fevereiro de 2023, a qual resultou no oferecimento de denúncia, já recebida pelo Poder Judiciário, com imputação dos crimes de integrar organização criminosa e corrupção em âmbito desportivo.
Derrota no primeiro tempo, número de escanteios e de cartões rendiam até R$ 100 mil para jogador participante do esquema
Conforme já apurado, o grupo criminoso atuou mediante cooptação de jogadores profissionais de futebol, com oferta de valores entre R$ 50 mil a R$ 100 mil aos atletas para que eles cometessem eventos determinados nos jogos.
A investigação indica que as manipulações eram diversas e visavam, por exemplo, assegurar a punição a determinado jogador por cartão amarelo, cartão vermelho, cometimento de penalidade máxima, além de assegurar número de escanteios durante a partida e, até mesmo, o placar de derrota de determinado time no intervalo do jogo.
Há indícios de que as condutas previamente solicitadas aos jogadores buscavam possibilitar que os investigados conseguissem grandes lucros em apostas realizadas em sites de casas esportivas, utilizando, ainda, contas cadastradas em nome de terceiros para aumentar os rendimentos.
Confira os jogos investigados:
CAMPEONATO BRASILEIRO – SÉRIE A
10 de setembro de 2022
Juventude x Palmeiras – Jogador cooptado para receber cartão amarelo
5 de novembro de 2022
Santos x Avaí – Jogador do Santos cooptado para tomar cartão amarelo
RedBull Bragantino x América-MG – Jogador do Bragantino cooptado para recebr cartão amarelo
Goiás x Juventude – Dois atletas do Juventudes cooptados para receber cartão amarelo
6 de novembro de 2022
Cuiabá x Palmeiras – Jogador do Cuiabá cooptado para receber cartão amarelo
10 de novembro de 2022
Santos x Botafogo – Atleta cooptado para receber cartão vermelho (time não divulgado)
CAMPEONATO GOIANO
12 de fevereiro de 2023
Goiás x Goiânia – Parte dos atletas do Goiânia cooptados para garantir a derrota parcial do time no primeiro tempo
CAMPEONATO GAÚCHO
11 de fevereiro de 2023
Esportivo Bento Gonçalves x Novo Hamburgo – Atleta do Novo Hamburgo cooptado para cometer pênalti
12 de fevereiro de 2023
Caxias x São Luiz de Ijuí – Atleta do São Luiz de Ijuí cooptado para cometer pênalti
CAMPEONATO MATO-GROSSENSE
12 de fevereiro de 2023
Luverdense x Operário de Várzea Grande – Atletas cooptados para atingir número de escanteios no primeiro tempo e ao longo de toda a partida
CAMPEONATO PAULISTA
8 de fevereiro de 2023
Guarani x Portuguesa – Atleta cooptado a receber cartão amarelo
Mandados de busca e apreensão cumpridos:
Goiás: um mandado de busca e apreensão contra um jogador investigado
Rio Grande do Sul: três mandados de busca e apreensão contra dois jogadores investigados
Santa Catarina: dois mandados de busca e apreensão conta dois jogadores investigados
Rio de Janeiro: um mandado de busca e apreensão contra um apostador investigado
Pernambuco: dois mandados de busca e apreensão contra dois jogadores investigados
São Paulo: 11 mandados de busca e aprensão e três mandados de prisões preventivas contra dois jogadores, além de apostadores, aliciadores e intermediadores investigados.
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