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Desvios

Operação Tweed: Polícia Civil conclui inquérito que investigou crimes na Apae de Lauro Müller

Seis pessoas foram indiciadas pelo delegado Ulisses Gabriel, responsável pelo caso

Por Lucas Renan Domingos -

3 min de leitura

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Operação Tweed: Polícia Civil conclui inquérito que investigou crimes na Apae de Lauro Müller
Foto: Divulgação/Polícia Civil/Arquivo Portal Engeplus

A Polícia Civil concluiu o inquérito policial da Operação Tweed, que investigou crimes na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Lauro Müller. As investigações iniciaram em junho de 2019 e terminaram nesta quarta-feira, dia 20, com o indiciamento de seis pessoas pelos crimes de coação no curso do processo, injúria racial, peculato desvio, peculato apropriação, inserção de dados falsos em sistema de informação pública e tráfico de medicação controlada.

Entre os investigados estavam um presidente da instituição, um membro da diretoria da Federação Catarinense das Apaes (Feapaes), uma ex-presidente da Apae de Cocal do Sul, duas funcionárias da Apae de Lauro Müller e um advogado. Segundo informou o delegado responsável pela operação, Ulisses Gabriel, as diligências iniciaram depois da Polícia Civil receber denúncias de que um dos investigados estaria agindo de forma a prejudicar as investigações, impedindo que os fatos fossem levados ao conhecimento do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e ainda realizando crime de peculato, se aproveitando do privilégio da sua função.

No dia 10 de dezembro de 2019, o caso veio à tona após policiais civis, com apoio do MPSC e do Instituto Geral de Perícias (IGP) cumprirem sete mandados de busca e apreensão, além do afastamento cautelar de dois funcionários de seus cargos públicos.

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A Polícia Civil não conseguiu levantar o total de prejuízos sofridos pela Apae de Lauro Müller, enquanto os crimes ocorriam. Mas de imediato, durante as diligências, o MPSC concluiu que o então presidente da Apae, principal investigado, abastecia seu veículo com dinheiro da instituição, fazia uso do celular de trabalho para questões pessoais, utilizava um servidor da entidade para lavar seu veículo e fazia compras em mercados com dinheiro da instituição e também – duas notas fiscais em nome da Apae foram emitidas nos meses de janeiro de 2018 e janeiro de 2019, quando a instituição não estava em atividade, com valores somados de aproximadamente R$ 7,3 mil.

Veja abaixo outros crimes que teriam sido cometidos pelo grupo:

a) Abastecimentos irregulares de veículos particulares na conta da Apae no em um posto na cidade de Lauro Müller;

b) Conserto de veículo da Apae em um mecânica da cidade de Orleans com pagamento superior ao valor ofertado no mercado;

c) Tráfico de Ritalina, medicamento controlado

d) Desvios de alimentação da Apae de Lauro Müller

d) Fraude ao SUS (Sistema Único de Saúde), com inserções de atendimentos indevidos,

e) Compras indevidas em mercados da cidade de Lauro Müller, salientando-se no relatório que

f) Uso indevido de linha telefônica da Apae, não só para uso de trabalho, mas também com fins particulares, efetuando diversas ligações, as quais foram pagas com o dinheiro público

Dos investigados, apenas o presidente da Apae envolvido no caso segue afastado de sua função após o julgamento do processo. A operação levou o nome de “Tweed” inspirado em um fato ocorrido em uma cidade do Nordeste dos Estados Unidos. No século 19, o prédio do tribunal do município demorou 20 anos para ser inaugurado. O superfaturamento foi tão grosseiro que um carpinteiro chegou a receber o equivalente a US$ 5 milhões em dinheiro de hoje por 30 dias de serviço. Outro trabalhador, responsável pela argamassa, recebeu atuais US$ 2 milhões por dois dias de serviço. Quando finalmente foi inaugurado, em 1881, o Tribunal do Condado de Nova York, no nordeste dos Estados Unidos, terminou custando o dobro do valor que o país pagou na compra do Alaska. À época, os desvios foram comandados por William M. Tweed, ou “chefe Tweed”.

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