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Contraponto

Para advogados de Salvaro, denúncia e prisão do prefeito foram precipitadas

Eles buscam também reverter as medidas cautelares impostas pela desembargadora

Por Lucas Renan Domingos -

4 min de leitura

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Foto: Thiago Hockmüller/Arquivo/Portal Engeplus

Após a decisão judicial que substituiu a prisão preventiva de Clésio Salvaro (PSD) por medidas cautelares, os advogados de defesa se manifestaram sobre o despacho da desembargadora Cinthia Schaefer, relatora do processo da Operação Caronte. Em coletiva na tarde desta quinta-feira, dia 27, eles interpretaram que a denúncia e a prisão do prefeito afastado foram precipitadas e reforçaram que não há indícios da participação dele em crimes.

"A denúncia foi precipitada em relação a pessoa do prefeito. Poderiam denunciar os outros que foram denunciados, mas também não quero condenar ninguém por antecipação. Mas, se fosse para denunciar, o prefeito não deveria ser denunciado neste primeiro momento. Se no decorrer do processo aparecesse alguma coisa que comprometesse o prefeito, bastava aditar a denúncia", disse César Abreu, um dos advogados de Salvaro.

Ele argumentou que na denúncia não há elementos que possam colocar o prefeito afastado em prática de delitos. "A denúncia é uma narrativa. Se você ler esta narrativa, você passa a ter um determinado convencimento de que aquilo pode ser verdade. E você não vê com regularidade a prisão depois da denúncia. E isso aconteceu [com o Salvaro]. Um dia depois da denúncia, veio o pedido de prisão. Isso não é normal. Se não teve elementos para pedir a prisão durante a investigação, por que pedir depois da denúncia feita? O prefeito tem a convicção que ele agiu dentro da legalidade", frisou o advogado.

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Na interpretação de Abreu, as decisões tomadas pela desembargadora ao determinar a prisão preventiva de Salvaro foram tomadas com base apenas na denúncia feita pelo Ministério Público de Santa Catairna (MPSC). Para o representante da defesa do prefeito, a desembargadora reavaliou sua posição após análise dos argumentos apresentados pelo grupo de advogados do prefeito.

"Ela chegou a dizer em um julgamento que se sensibilizou com a questão das funerárias, do caixão, que é um assunto que toca sentimentalmente as pessoas. E talvez isso tenha impulsionado a ter uma decisão mais grave naquele momento. Mas nós vimos que ela estava se embasando apenas na visão do Ministério Público. E nós nos apressamos em colocar a nossa versão", acrescentou.

O advogado classificou o MPSC como uma instituição democrática, mas voltou a afirmar que as denúncias foram preciptadas. "É uma instituição que merece respeito pelo trabalho que vem desenvolvento. Em relação ao prefeito, o Ministério Público se precipitou. Acusar alguém de organização criminosa e não encontrar resquício de corrupção, me parece incoerente. É umbilicalmente ligado você praticar crime para tirar vantagem. Uma vantagem teria que ter", afirmou Abreu.

Medidas cautelares

A prisão preventiva de Clésio Salvaro foi revertida com condicionantes. Ele usará tornozeleira eletrônica por 90 dias, não poderá ter contato com testemunhas e outros denunciados, não poderá fazer uso de rede social e conceder entrevistas, não poderá acessar a Prefeitura de Criciúma e qualquer outro órgão público municipal e ficará afastado do seu cargo público pelo prazo de 120 dias.

Os advogados tentam afrouxar também as medidas cautelares. "Nos gostaríamos que o prefeito voltasse e saísse pela porta da frente da prefeitura. Mas ainda é algo que temos que examinar", disse Abreu sobre o retorno do prefeito ao mandato.

A defesa de Salvaro também tentará explicações sobre as restrições do uso da rede social. Eles aguardam uma decisão judicial sobre um requerimento protocolado pelos advogados de Bruno Ferreira, ex-secretário de Assistência Social de Criciúma, também denunciado, que pediu explicações sobre o que Ferreira pode ou não fazer em suas redes sociais.

"Eles estão querendo relaxar a medida para o Bruno usar o WhatsApp e Instagram para fins eleitorais. Se for favorável, podemos pedir a extensão também da decisão para o prefeito Clésio Salvaro", acrescentou o advogado Giovanni Dagostin Marchi, outro que representa o prefeito. O advogado Alexandre Barcelos João também integra o grupo de defesa de Salvaro.

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