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Segurança pública

Polícia Científica: além do compromisso em esclarecer crimes, instituição atua com identificação civil e criminal

Atualmente, Criciúma conta com 37 servidores

Por Rafaela Custódio -

7 min de leitura

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Foto: Divulgação/Polícia Científica

Um trabalho minucioso e cheio de cuidados. Assim se resume os serviços prestados pela Polícia Científica de Santa Catarina. A coleta de provas, seja um fio de cabelo, uma gota de sangue ou a análise do local, são fundamentais na hora de esclarecer a autoria de um crime. Tudo isso é realizado pelos policiais científicos. Trata-se de um serviço complexo, cheio de desafios e que é a base para a produção das provas técnicas.

A Polícia Científica ainda exerce outras importantes funções para a sociedade, como a emissão de carteiras de identidade e exames médico-periciais de natureza criminal em pessoas vivas ou mortas. Os exames em pessoas vivas são realizados quando da ocorrência de lesões, por exemplo, lesões provocadas após agressões, brigas, acidentes de trânsito, violências sexuais entre outras.

Os exames em pessoas mortas, comumente conhecidos como necropsias, são realizados nos casos de óbitos de causa violenta, como acidentes de trânsito, arma de fogo, arma branca, afogamentos, enforcamentos, choques elétricos, cadáveres em estado de putrefação, mortes suspeitas, entre outras.

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Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

A Polícia Científica no Sul de Santa Catarina é comandada pelo perito-superintendente Jones Cambruzzi Pereira, que está no cargo há quatro meses. “Hoje, respondo por uma grande região do nosso estado que inicia em Passo de Torres e vai até Paulo Lopes. Temos núcleos em Criciúma, Araranguá, Tubarão, Laguna e Sombrio, sendo que em Sombrio temos dois agentes que cuidam apenas da emissão de identidades”, detalha.

Em Criciúma, a Polícia Científica conta com 37 servidores, entre peritos e agentes. Com esses profissionais, o órgão de segurança atua em quatro diretorias, sendo criminalística, análises forenses, medicina legal e identificação civil e criminal, todas pautadas em critérios técnico-científicos. A diretoria de criminalística é composta por balística, contabilidade forense, documentoscopia, engenharia forense, identificação de veículos, informática forense, local de crimes contra a vida e patrimônio, perícias ambientais, perícias em áudio e imagem, perícias especiais, papiloscópicas, dentre outras.

“Atuamos em muitas áreas do conhecimento e é interessante a população conhecer que nosso trabalho é muito amplo, por exemplo, em periciais ambientais realizamos trabalhos desde áreas de desmatamento a loteamentos irregulares. Atuamos também com perícias em desabamentos, mortes por choque elétrico e acidentes de trânsito com morte. Trabalhamos com informática também, com a extração de dados relacionados a crimes, como, por exemplo, pedofilia. Atuamos também na balística, com armas de fogo utilizadas em crimes. É importante ressaltar que apenas quatro cidades de Santa Catarina realizam exame com comparador balístico e Criciúma é uma delas. As outras são Chapecó, Joinville e Balneário Camboriú”, ressalta o perito-superintendente.

Análises Forenses

A Polícia Científica é responsável pela realização de exames periciais laboratoriais empregando conhecimento técnico-científico nas áreas de Química Forense (drogas entre outros), Toxicologia Forense (dosagem de álcool em sangue dentre outros), Vestígios Biológicos (identifica vestígios biológicos como sangue, esperma, pelos e saliva) e Genética Forense.

Instituto Médico Legal

O Instituto Médico Legal (IML) faz parte da Polícia Científica. Em Criciúma, está localizado no bairro Pinheirinho. “É um desejo trazermos essa diretoria para nossa sede localizada na região da Próspera. Esta área de atuação é muito importante para a população. Vale ressaltar que realizamos perícias em pessoas vivas e mortas. Mortes naturais são responsabilidade do Serviço de Verificação de Óbito (SVO), mas todas as mortes violentas passam por nós”, explica o perito-superintendente.

Carteira de Identidade

O posto de identificação da Polícia Científica está aberto das 9 às 18 horas no Shopping Della, que está localizado na rua Marechal Floriano Peixoto, no Centro de Criciúma. “Os agendamentos estão disponíveis no nosso site e o serviço de emissão da carteira de identidade é feito no Shopping Della. São 131 vagas disponíveis diariamente, porém 30% das pessoas agendadas não comparecem. No ano passado, Santa Catarina integrou seu cadastro biométrico com o cadastro da Receita Federal, quando criou o número único, primeiro documento da história do país a unificar o CPF [Cadastro de Pessoas Físicas] e o RG [Registro Geral]”, comenta.


Foto: Divulgação/Polícia Científica

Além de Criciúma, a Polícia Científica possui postos de identificação em Urussanga, Cocal do Sul, Forquilhinha, Içara e outras cidades. “Esses serviços trazem cidadania à população. É um documento importante e que com ele é possível exercer a função de cidadão no país”, observa.

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Servidores em Criciúma

Criciúma conta com 37 servidores entre peritos e agentes, mas o perito-superintendente garante que o número deveria ser maior. “Precisávamos de no mínimo mais 20 pessoas trabalhando na Polícia Científica de Criciúma. Peritos e agentes são cargos importantes para a sociedade. Devemos receber nove novos profissionais do último concurso de agente criminalístico e estamos aguardando ansiosamente”, destaca. Além de Criciúma, o perito-superintendente ressalta problemas por falta de efetivo em Tubarão e Laguna.

Principal demanda em Criciúma

Os crimes envolvendo a informática estão crescendo muito e o perito-superintendente ressaltou que a prática de crimes geralmente passa por dispositivos eletrônicos, seja para troca de mensagens ou registro de dados sensíveis em equipamentos. “A informática forense da Polícia Científica envolve a busca, coleta e análise dos vestígios de informática contidos nas chamadas ‘mídias de armazenamento eletrônico’. Também envolve a análise dos sistemas informatizados e dos equipamentos de informática e eletrônicos em geral, quando se questiona a respeito de sua natureza, funcionalidade, histórico de utilização, entre outras características”, comenta o perito-superintendente.

Serviço com materialidade

O perito-superintendente destacou que a Polícia Científica atua com três bases. “Trabalhamos com a materialidade, seja em um caso simples como, por exemplo, uma pessoa que jogou uma pedra em uma janela ou mais complexo como um homicídio. O estado tem que registrar que alguém foi lesado, com isso, um laudo pericial é produzido, somos os responsáveis por colocar isso em um documento. O laudo pericial auxilia as demais forças de segurança nas investigações e, além disso, é por meio dele que o juiz obterá apoio técnico e científico para chegar a uma justa decisão”, garante.

Segundo o perito-superintendente, outra forma de atuar da Polícia Científica é com a dinâmica dos fatos. “Por exemplo, em um furto o criminoso pode pular um muro ou entrar em um local que a porta estava aberta. Há diferenças de agravantes e nós temos a missão de falarmos como foi o caso”, explica.

A terceira e última base é a autoria do crime. “Pelos vestígios que encontramos no local, conseguimos realizar uma análise que nos traga a autoria e isso envolve tudo que citamos. Usamos diversos mecanismos para chegarmos à conclusão do crime”, destaca.

Mas, afinal, quem é o perito-superintendente da Polícia Científica do Sul?

Jones Cambruzzi Pereira é natural de Criciúma, formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e atua na Polícia Científica há quatro anos. Anteriormente, atuou na Eletrobras por dez anos. “Já atuo na Polícia Científica há três anos em Criciúma. Mas quando entrei na Polícia Científica, comecei atuando em Caçador. Entretanto, minha esposa é sargento da Polícia Militar (PM) e foi transferida para Criciúma, com isso, fui transferido também”, recorda.

Na Polícia Científica, ele também atua nos setores de identificação veicular e engenharia forense. “Quando assumi a superintendência, minha primeira missão foi relacionada a gestão de pessoas na região de Tubarão e Laguna, tínhamos questões que precisavam ser resolvidas neste quesito e resolvemos. Isso foi gratificante”, conta.

A estrutura do prédio da Polícia Científica também é uma prioridade da gestão do perito-superintendente. “A perita geral da Polícia Científica, Andreza Boer Fronza, pediu para cuidarmos da estrutura, pois são prédios antigos. Em Criciúma, estamos com um projeto para reformar a unidade e trazer o IML para este local. Estamos procurando alugar outros locais em Tubarão e Laguna”, garante.

O setor de identidade também é tratado como prioridade para a Polícia Científica. “É um documento que traz cidadania à população. O setor de identidade é um dos canais que temos mais interação com os moradores do Sul catarinense. Queremos que as pessoas se sintam bem e sejam atendidas da melhor maneira possível”, pontua.

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