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Segurança

Polícia Civil investiga acusações contra professor de karatê de Içara que teria estuprado alunas

Vítimas relataram que foram levadas para a casa do suspeito onde foram abusadas

Por Lucas Renan Domingos -

6 min de leitura

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Polícia Civil investiga acusações contra professor de karatê de Içara que teria estuprado alunas
Foto: Rafaela Custódio / Arquivo Engeplus

A Polícia Civil de Içara está investigando uma denúncia de abuso sexual e estupro praticado por um professor de karatê, de 41 anos, contra ex-alunas. A informação veio à tona após uma adolescente que teria sido vítima do acusado expor a sua versão nas redes sociais. O texto publicado pela jovem fez com que outras possíveis vítimas também se manifestassem.

Na publicação divulgada na internet, a adolescente, atualmente com 14 anos e que na época do fato tinha 13 anos, conta que foi convidada pelo pelo professor para ir até a casa dele conversar sobre assuntos do esporte. Na residência, ela teria sido abusada pelo acusado.

“Chegando em sua casa, ele oferece uma garrafa de vodka . Conversando assuntos normais, me convida para o quarto, colocando a mão em suas genitais e retirando para fora. Logo recusei, mas ele insiste e me pede para fazer um oral. ‘Tira a camisa’ foi uma das falas que mais me assusta. De tanto recusar, ele se cansa e começa se masturbar olhando para o meu corpo, essa cena me traumatizou”, diz um trecho do relato da adolescente. Veja abaixo o texto completo e parte do relato feito pela mãe da adolescente para o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC):

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Uma outra adolescente que também diz ter sido abusada pelo professor procurou a Delegacia de Içara nessa quarta-feira, dia 18, e registrou um boletim de ocorrência. No documento ela afirma que em 15 de julho de 2020 o homem lhe ofereceu carona e a levou até a sua casa. Ao pedir um copo d’água, a suposta vítima teria sido levada pelo professor até um quarto onde foi estuprada. Veja abaixo o relato:

“E eu só tive coragem de falar isso agora, depois de perceber que não estou sozinha nesta. Foram quase dois anos lutando contra isso todos os dias e tive medo de contar pra alguém. Como se não bastasse tudo que ele fez comigo, me vendo chorar, pedindo para parar, ele ainda foi me consolar, como se aquilo fosse nada pra mim” publicou a adolescente também nas suas redes sociais.

Investigações

O delegado Rafael Iasco está a frente das investigações e afirmou que o caso passou a ser apurado a partir do boletim de ocorrência registrado nessa quinta-feira. “Os fatos aconteceram em 2020 e só agora a vítima e os familiares procuraram da delegacia para comunicar os fatos. Agora será instaurado o inquérito policial para serem realizadas as investigações e ver se os fatos corroboram com o que a adolescente relatou. O trabalho da Polícia Civil é coletar as provas para verificar a informação. Se o investigado realmente cometeu esses atos ele vai ser indiciado e o inquérito encaminhado ao poder judiciário. Até o momento, as vítimas e o acusado não foram ouvidas. Ainda temos muitas diligências a serem realizadas”, disse.

Ele afirma ainda que o professor já havia sido acusado de importunação sexual em outro inquérito policial. “Neste inquérito foi ouvida a vítima, o suspeito e até outras alunas que relataram que ele nunca tinha praticado atos contra elas. O caso, então, ficou um pouco nebuloso. Agora veio esta nova situação à tona que também vai ser apurado”, garantiu a autoridade policial.

Iasco afirma ainda que crimes de estupro são difíceis de serem apurados. “São crimes difíceis de serem comprovados. Até porque não tem testemunhas. Se houve conjunção carnal no caso desta adolescente que registrou o boletim de ocorrência, como foi há dois anos, é bem difícil de comprovar alguma coisa. A gente pede também que, se houverem outras vítimas, que elas procurem a delegacia para a gente ir somando os relatos”, pediu o delegado.

O que dizem as partes mencionadas nas acusações

O escritório de advocacia que representa a defesa do professor emitiu um comunicado e disse que o homem é inocente e que seus advogados estão buscando esclarecer os fatos:

Vimos por meio deste informar que o investigado pela Delegacia da Içara, que tem sido ligado a supostos crimes sexuais é representado por este escritório, que já acompanha as investigações e que contribuirá de todas as maneiras para elucidações e esclarecimentos dos fatos, pois, está convencido que os mesmos não ocorreram como se está noticiando.

Ainda, não está a mídia – por qualquer instituição ou veículo que seja – autorizada a divulgação de dados e informações pessoais do investigado que é inocente e que sequer pesa qualquer acusação. Toda e qualquer manifestação será fornecida por este escritório, ou na companhia de algum dos seus advogados.

A equipe está à disposição para eventuais e complementares esclarecimentos.

Atenciosamente,
Leal Viscardi e Zanette
Advocacia Criminal, Família e Sucessões

Na época dos fatos, o professor era aluno de um projeto de karatê ligado à Prefeitura de Içara. Ele também já fez parte do quadro de árbitro da Federação Catarinense de Karatê (FCK). O município não irá se manifestar sobre o caso e apenas informou que o investigado “não faz mais parte do quadro de servidores do município e que os casos citados estão sob responsabilidade da polícia”.

O projeto do qual o professor fazia parte divulgou uma nota afirmando que “o ‘professor’ acusado por assédio não faz mais parte da associação, ou de qualquer grupo de karatê que tenha ligação com o projeto de karatê de Içara”. Veja a nota completa abaixo:

A associação vem a público declarar que o ‘professor’ acusado por assédio não faz mais parte da associação Team Everaldo, ou de qualquer grupo de karatê que tenha ligação com o projeto de karatê de Içara. A [associação] recrimina qualquer tipo de abuso e exploração sexual, esperamos a fim de que sejam apurados todos os fatos e que a justiça seja feita

A FCK também emitiu uma nota. Veja abaixo

A Federação Catarinense de Karatê- FCK, vem por meio desta comunicar que tomou conhecimento das denúncias de assédio sexual ao qual vem circulando nas redes sociais que, envolvem nossos filiados. A FCK já se manifestou junto ao Ministério Público de Santa Catarina, promotoria do município de Içara/SC.

Informamos que, não compactuamos com nenhum tipo de assédio, discriminação, racismo ou outros crimes. Somos uma entidade esportiva que prima pelos bons princípios, e se coloca à disposição para apurar se houve algum ato que configure infração ética ou disciplinar no âmbito da nossa corporação.

Salientamos que, estamos atentos as determinações judiciais, assim que for julgado pelos órgãos cabíveis.

Aproveitamos para informar que o professor, não faz mais parte do quadro de professores da FCK.

Federação Catarinense de Karatê.

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