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Fiesc alerta

Santa Catarina pode deixar de gerar mais de 20 mil empregos por causa do tarifaço dos EUA

As tarifas de 25% foram anunciadas na última quarta-feira, dia 15

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Por Rafaela Custódio - rafaela.sousa@engeplus.com.br

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Foto: Unsplash/Divulgação

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Entre os setores que foram taxados estão ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

As tarifas de 25% foram anunciadas na última quarta-feira, dia 15, e devem entrar em vigor no próximo dia 22, após uma investigação conduzida pelo United States Trade Representative (USTR). O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Felipe Bittencourt, demonstrou preocupação com os impactos do tarifaço sobre a economia catarinense.

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"A nossa principal preocupação é com o fluxo de caixa dos exportadores para os Estados Unidos, porque boa parte dessas empresas tem no mercado americano uma parcela significativa do faturamento. Essa elevada dependência pode levar e, em alguns casos, já levou empresas à recuperação judicial. Esse cenário tende a se agravar, especialmente nas regiões Serrana e do Planalto Norte, onde há forte produção e exportação de produtos de madeira. Mas os impactos também podem alcançar a região de Braço do Norte, mais próxima de Criciúma", comentou em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.

O economista afirmou ainda que a Fiesc acompanha a situação e trabalha em medidas para minimizar os prejuízos. "Na Federação, estamos desenvolvendo um programa que chamamos de 'destarifaço', voltado a reduzir os efeitos negativos dessa medida, enquanto aguardamos que a diplomacia brasileira e o setor empresarial atuem para ampliar a lista de produtos isentos e incluir também parte das exportações catarinenses", ressaltou.

Segundo projeções da Fiesc, Santa Catarina poderá deixar de gerar mais de 20 mil empregos caso as tarifas permaneçam em vigor por mais de um ano. "Temos um cálculo que aponta que o Estado tende a deixar de gerar mais de 20 mil empregos se esse tarifaço permanecer por mais de um ano. De fato, estamos preocupados", alertou.

Para Bittencourt, uma eventual resposta do Brasil, com a elevação de tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos, pode provocar uma reação ainda mais severa do governo norte-americano. "Isso pode inviabilizar qualquer capacidade de exportação que ainda reste após esses aumentos tarifários. O caminho, ao nosso ver, é construir, por meio da diplomacia política e empresarial, condições para retomar uma relação comercial próxima da que existiu ao longo de cerca de 200 anos de história. Precisamos fortalecer relações que sejam benéficas tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos. Estamos olhando para esse cenário com enorme receio", afirmou.

O economista também demonstrou preocupação com os efeitos de longo prazo, mesmo em um eventual cenário de revogação das tarifas. "Mesmo as empresas que não destinam 100% das exportações aos Estados Unidos acabam perdendo espaço junto aos seus clientes. Com isso, abrem caminho para concorrentes da China, Vietnã, Indonésia e Europa fortalecerem essas relações comerciais. Depois, ainda que o tarifaço seja derrubado, recuperar esse mercado será muito mais difícil", observou.

Entre os produtos brasileiros que ficaram de fora da nova taxação estão café, carne bovina, petróleo e suco de laranja. "Esses são produtos muito sensíveis ao consumidor americano. O café da manhã, por exemplo, é uma refeição muito importante nos Estados Unidos, e itens como café e suco de laranja fazem parte desse hábito. Quando esses produtos ficam mais caros, o consumidor tende a desaprovar as ações do governo", destacou.

Segundo Bittencourt, esse cenário reforça a importância da atuação diplomática também por parte do setor privado. "Precisamos apostar em uma diplomacia que mobilize os próprios clientes dos exportadores brasileiros nos Estados Unidos para dialogarem com seus representantes políticos e demonstrarem que essas tarifas prejudicam seus negócios. Essa diplomacia empresarial pode contribuir para convencer parlamentares norte-americanos a pressionarem o governo de Donald Trump pela ampliação da lista de isenções", pontuou.

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