Santa Catarina registra mais de 120 denúncias de assédio eleitoral após eleições
Relatos descrevem ameaças no ambiente de trabalho e incentivo a demissões em massa
Por Isabela Baldin
2 min de leitura

O estado de Santa Catarina já registrou 208 denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) relacionadas a assédio eleitoral até a noite dessa quinta-feira, dia 29. Na região Sul do estado, o número chega a 21, com o município de Criciúma liderando, com oito registros.
Segundo o MPT de SC, das ocorrências totais contabilizadas desde o início do ano, 124 foram registradas após o resultado das eleições de 2026. Os relatos descrevem ameaças, represálias no ambiente de trabalho e incentivo a demissões em massa.
Entre as situações apontadas, estão publicações e mensagens em redes sociais que estimulam empregadores a verificar o posicionamento político de seus funcionários e a demitir aqueles que apoiaram o candidato vencedor.
Em um período de 48 horas, de terça-feira, dia 27, até quinta-feira, 90 notificações chegaram ao ministério. A região de Florianópolis lidera os números do estado, com 72 registros. Confira os números na região Sul de SC:
Criciúma: 8
Tubarão: 3
Araranguá: 2
Braço do Norte: 2
Sombrio: 2
Balneário Gaivota: 1
Balneário Rincão: 1
Nova Veneza: 1
São Ludgero: 1
Em âmbito nacional, o MPT recebeu mais de 2 mil denúncias somente após o pleito, contabilizando desde o início de janeiro mais de 4 mil ocorrências em todo o Brasil. Todas estão relacionadas à perseguição de trabalhadores pelas redes sociais e a influencers que incentivam a demissão de funcionários por causa de posicionamento político.
“Por causa disso, o MPT ajuizou uma ação contra a Meta para impedir a reprodução desse tipo de conteúdo ilícito. A Justiça do Trabalho determinou que a empresa apague os conteúdos indicados, notifique os usuários sobre a ilicitude e adicione avisos contra esse tipo de publicação”, relatou o coordenador nacional da Coordigualdade, Igor Gonçalves.
Casos estão sendo investigados
Após o grande número de ocorrências, o Ministério do Trabalho publicou um vídeo em suas redes sociais com o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, informando que a prática é proibida e que os casos estão sendo investigados, sendo cabível a responsabilização de todos os envolvidos, a reintegração dos trabalhadores que sejam demitidos e até mesmo o pagamento de multas por dano moral coletivo.
“Se você ficar sabendo desse tipo de prática, denuncie ao Ministério Público do Trabalho no nosso portal: mpt.mp.br/assedio-eleitoral. O Ministério Público do Trabalho está ao lado do trabalhador antes, durante e depois das eleições. Contem conosco”, enfatizou.





