Por Patrick Stüpp - patrick.stupp@engeplus.com.br
Em 25/03/2025 às 20:16O pai da jovem Thamily Venâncio Ereno, de 23 anos, busca uma resposta do Estado de Santa Catarina após a jovem ser baleada na cabeça, durante uma operação da Polícia Civil, em Criciúma. Em entrevista ao Portal Engeplus, David Ereno,informou que a família da vítima aguarda uma explicação detalhada sobre caso que aconteceu no bairro São Sebastião.
"Eu quero entender o que o Estado tem contra minha filha. Foi uma maneira brutal como ela foi morta. Eu preciso que o Estado se manifeste para saber se tem uma ficha ou alguma coisa que ela tenha feito errado para eles terem este procedimento", informou o pai da vítima.
Após ser atingida, a jovem foi socorrida e encaminhada ao Hospital São José (HSJosé) na última sexta-feira, dia 21. A morte foi confirmada às 2h40 de domingo, dia 23. Os familiares de Thamily criaram uma página no Instagram pedindo justiça pela morte da jovem. “A finalidade é ter este caso resolvido para a gente não ficar calado perante essas crueldades que acontecem", contou.
“Eu queria que o Estado fizesse uma coletiva de imprensa sobre o caso para que ele seja explicado com mais detalhes. Eu gostaria também de ser chamado e de ser ouvido, pois tem muitas informações que não estão corretas e tudo precisa ser explicado melhor”, acrescentou.
Processo de investigação
Em entrevista ao programa João Paulo Messer, da Rádio Eldorado, o delegado da 6ª Delegacia Regional de Polícia (6ª DRP), André Milanese, divulgou nesta terça-feira, dia 25, mais detalhes da investigação da Polícia Civil. Na operação, os policiais civis buscaram cumprir um mandado de prisão contra um jovem de 20 anos, que era companheiro de Thamily e investigado por envolvimento em tráfico de drogas e organização criminosa.
“O namorado era investigado pela Delegacia de Combate às Drogas (Decod) de Criciúma. Antes da abordagem da última sexta-feira, os policias já tinham cumprido um mandado de busca e apreensão na casa do criminoso. No local, os policiais apreenderam objetos e essas provas foram utilizadas para a expedição do mandado de prisão contra o companheiro da vítima”, explicou.
A abordagem no bairro São Sebastião aconteceu no momento em que o suspeito visitava a casa dos pais. Milanese afirmou que quatro policias e duas viaturas participaram da operação. Os carros e os policias estavam descaracterizados, pois não queriam ser identificados pelo investigado.
“Quando o casal entrou no carro de um motorista de aplicativo, os policiais foram realizar a abordagem. A Polícia Civil trancou a rua e se identificou. O motorista, ao invés de parar o carro e descer do veículo, decidiu obedecer o criminoso, que pedia para o condutor fugir. Neste momento, o motorista começou a dar ré em alta velocidade e quase atingiu uma policial, que estava encurralada em um canto da rua. Para o carro parar, ela efetuou o disparo que acabou atingindo Thamily. Queríamos apenas parar a agressão e não sabíamos que tinha uma terceira pessoa dentro do veículo”, pontuou.
Para o delegado, a abordagem da Polícia Civil foi correta e legítima. “Se o criminoso tivesse se rendido e o motorista de aplicativo obedecido à ordem de parada, isso não teria acontecido. Foi uma fatalidade, mas o criminoso e o condutor tiveram a opção errada, no momento errado. A policial civil agiu em legítima defesa”, acrescentou Milanese.
Os policiais conseguiram deter o companheiro de Thamily que era alvo da operação e o condutor do veículo, de 42 anos, também foi preso em flagrante por crime de tentativa de homicídio e desobediência. Já a policial, que realizou o disparo de arma de fogo, foi afastada das atividades por alguns dias e está fazendo um acompanhamento com psicólogos no Centro de Saúde Ocupacional da Polícia Civil.
“Quando o inquérito for finalizado, com todos os laudos periciais, será encaminhado ao Poder Judiciário, que decidirá se a policial figura como vítima ou se fez algum ato fora do padrão correto. Se isso acontecer, a oficial reponderá a um outro processo. Encaminhamos o procedimento policial para a Corregedoria. Caso eles entendam que ela fez um ato ilegal, responderá um procedimento administrativo”, destacou.
Prisão preventiva
Além da prisão em flagrante, o motorista de aplicativo teve a prisão preventiva decretada no último sábado. O celular dele e do namorado da vítima foram apreendidos.
“O motorista informou que, naquele momento, estava fazendo uma viagem particular para os dois e que conheceu o casal há algumas semanas. Além disso, ele vinha fazendo viagens corriqueiras de forma direta, via WhatsApp. Além disso, também vamos analisar os celulares para ver se encontramos um vínculo, fora as viagens. A gente suspeita que ele estava fazendo corridas para transportar coisas ilícitas. O celular do motorista e do namorado da vítima foram apreendidos”, ressaltou.
De acordo com o delegado da Polícia Civil, o motorista respondia um outro processo pelo crime de lesão corporal e dano. Ele é suspeito de jogar um carro que dirigia em cima de outra pessoa, de forma proposital. A defesa do motorista, apresentou, por meio de uma nova nota oficial, sua versão dos fatos na tarde de hoje. Confira o depoimento completo:
Desde o ocorrido, o caso tem sido amplamente noticiado pelos meios de comunicação, com pronunciamentos do delegado responsável pela investigação e do Delegado-Geral de Santa Catarina, no entanto, as versões apresentadas distorcem os fatos e tentam inverter responsabilidades.
Diante das declarações e publicações da Polícia Civil, as vítimas dessa operação foram transformadas em culpadas. A jovem Thamily, que perdeu a vida ao ser atingida por um disparo de arma de fogo efetuado por uma policial civil, é considerada “culpada” por estar acompanhada de um homem com mandado de prisão. Já o motorista, que apenas exercia sua atividade profissional, encontra-se injustamente detido sob a acusação de tentativa de homicídio e desobediência, como se tivesse a obrigação de identificar um policial, mesmo que este estivesse descaracterizado.
A preocupação da polícia, ao que tudo indica, não é esclarecer a verdade, mas sim justificar o erro de uma operação desastrosa que resultou na morte de uma pessoa e na prisão indevida de outra. Para tanto, diversas irregularidades e abusividades foram cometidas ao longo da investigação.
O motorista foi levado à delegacia sob a condição de testemunha, tendo inclusive permissão para manter consigo seu telefone celular. Contudo, após ser ouvido por três vezes, passou a ser tratado como suspeito e acusado de tentativa de homicídio.
Houve ainda a apreensão irregular do celular de uma testemunha que, posteriormente, foi identificada como um repórter. Seu aparelho foi devolvido apenas após a exclusão forçada das imagens registradas do ocorrido.
Mais recentemente, o Delegado-Geral de Santa Catarina utilizou suas redes sociais para divulgar provas sigilosas da investigação em curso contra o passageiro, comprometendo a lisura do processo e levantando sérias dúvidas sobre a condução do caso. Tal atitude causou estranheza à defesa, considerando tratar-se de uma autoridade com anos de experiência na carreira policial. No entanto, essa postura torna-se “compreensível” diante da informação de que a policial civil responsável pelo disparo fatal é filha de um Delegado de Polícia da região, com mais de 30 anos de serviço.
Apesar disso, a defesa do motorista acredita que essas ações visam justificar uma conduta policial equivocada, protegendo a corporação e uma operação que resultou na morte de uma pessoa e na prisão de um inocente.
Diante disso, reforçamos nossa confiança no Poder Judiciário para corrigir as ilegalidades e injustiças cometidas até o momento e que serão garantidos o sigilo processual necessário, bem como o direito à ampla defesa e ao contraditório, permitindo que a verdade dos fatos seja plenamente esclarecida, seja ela qual for!
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