Solidariedade e aprendizado através do mar
Crianças carentes do Rincão aprendem surfe. Professor também ensinou deficientes neste sábado

Através do esporte, crianças em situação de vulnerabilidade social, no Balneário Rincão, têm oportunidade de praticar exercícios físicos e, ao mesmo tempo, ocupar o tempo e a mente para ficarem afastadas do mundo da criminalidade e uso de drogas. Isso é possível graças ao projeto social idealizado pelo morador do Rincão, Danilo Boss. Há dois anos, ele dá aulas de jiu-jitsu no Inverno e surfe durante o Verão para crianças carentes do balneário, tudo de forma gratuita.
Boss conta que em torno de 40 crianças com idade de oito a 15 anos já participaram de suas aulas. Hoje, ele está com 15 alunos na escolinha comunitária de surfe Rincão Radical. Ainda na areia, eles aprendem noções básicas sobre surfe e mar. Depois, começam a praticar na água e alguns até já participam de competições.
Todo o material usado durante as aulas, como prancha, parafina e roupa de lycra, é adquirido através de doações. "A escolinha é comunitária e as crianças não têm condições para comprar os materiais, então toda ajuda é bem vinda", destaca Boss. Ele fez um curso em Florianópolis para ser professor de surfe e hoje cursa Educação Física na Unesc, em Criciúma.
Quem quiser ajudar pode entrar em contato com ele através do Facebook ou pelo telefone (48) 9966-4552. As aulas de surfe acontecem nas manhãs de sábado e domingo na plataforma Norte do balneário; já os treinos de jiu-jitsu são realizados nas noites de sexta-feira no centro comunitário do município. É preciso que a criança ou adolescente seja morador do Rincão.
Projeto Praia Acessível - Na manhã deste sábado, Boss teve uma experiência inédita: praticar o surfe com deficientes visuais e físicos, como cadeirantes e pessoas com algum tipo de paralisia. A oportunidade surgiu com o projeto Praia Acessível, o qual foi encerrado de forma simbólica na manhã de hoje.
"Fiquei emocionado ao ver essas pessoas tendo o contato com a água depois de tantos anos. As orientações com a prancha de surfe foram diferentes do que é feito com as crianças, mas deu tudo certo. Foi uma realização pessoal e quero levar isso adiante, vou firmar uma parceria para dar aulas de surfe no próximo Verão também aos deficientes físicos e visuais", afirmou Boss.
Uma das pessoas que, hoje, surfou pela primeira vez foi o sideropolitano Celésio Colombo, de 47 anos. Ele teve meningite em 2006 e perdeu a visão, mas não o interesse por esportes. Ele representa Criciúma em competições de atletismo e bocha, inclusive já conquistou medalhas.
"Pescava bastante antes de ficar cego e mesmo depois continuei a entrar no mar, mas nunca tinha surfado. Foi incrível e pretendo fazer mais vezes, gosto de sempre aprender coisas novas", contou entusiasmado. Ele foi acompanhado do filho Lucas Nart Colombo, de 17 anos.



