Temporada reprodutiva de baleias-francas termina com 84 baleias catalogadas
Uma das principais ações de pesquisa é o monitoramento aéreo
Por Redação Engeplus
7 min de leitura

Chega ao fim mais uma temporada reprodutiva de baleias-francas no litoral sul do Brasil e o Projeto ProFRANCA apresenta as principais ações e alguns resultados das pesquisas realizadas nesses últimos seis meses. A baleia-franca migra da região Antártica para Santa Catarina em busca de águas mais quentes para se reproduzir e ter os filhotes. Esse período é de extrema importância para a recuperação populacional da espécie, assim como para as atividades de pesquisa científica e monitoramento realizadas pelo ProFRANCA. Nesse contexto, o ProFRANCA, patrocinado pela Petrobras, finaliza mais uma temporada de ações relacionadas à presença das baleias na região, dando mais um passo rumo à conservação dessa espécie que ainda necessita de muito empenho para sair da lista de animais ameaçados de extinção.
Uma das principais ações de pesquisa é o monitoramento aéreo, realizado no auge da temporada. No sobrevoo realizado no dia 4 de setembro, 120 baleias foram registradas entre os municípios de Florianópolis/SC e Cidreira/RS. A análise das fotografias obtidas durante o sobrevôo, permitiu a catalogação de 84 baleias, sendo 60 adultos e 24 filhotes nascidos este ano. Dentre as baleias adultas, 35 foram reavistagens de baleias já conhecidas, e 25 foram novas baleias inseridas no Catálogo Brasileiro de Fotoidentificação das Baleias-Francas, mantido pelo Instituto Australis.

Segundo a Diretora de Pesquisa do ProFRANCA, Karina Groch, “esse foi um ótimo número de baleias catalogadas, e este ano, como a temporada iniciou mais cedo, muitos filhotes já estavam bem grandinhos no dia do sobrevôo, por isso conseguimos catalogar um número tão grande de filhotes, o que não costuma ocorrer, pois geralmente nesta época as calosidades ainda não estão bem colonizadas pelos ciamídeos, o que impede o reconhecimento individual”. O monitoramento aéreo permite acompanhar como a população de baleias-franca vem se comportando ao longo do tempo.
Segundo Eduardo Renault, Gerente de Pesquisa do projeto, “com esse tipo dado foi possível gerar os números atuais de crescimento populacional de 4,8% ao ano e que população de baleias-franca que frequenta o litoral sul do Brasil está estimada em 557 fêmeas reprodutivas”. O sobrevoo de helicóptero é a principal forma de obter imagens para catalogação das baleias-francas, porém o uso de drones vem auxiliando muito o trabalho dos pesquisadores. “Temos ainda muitas imagens obtidas com drone ao longo de toda a temporada que, após analisadas, poderão resultar em novas baleias catalogadas, bem como gerar informações sobre o tempo de permanência das baleias na região”, acrescenta a Diretora.

Monitoramento terrestre
Dentro das ações do ProFRANCA nesta temporada está, ainda, o monitoramento terrestre, possível graças ao comportamento costeiro da baleia-franca. A primeira baleia registrada na região foi avistada no dia 12 de junho na praia da Guarda do Embaú, Palhoça, SC, data em que se considerou aberta a temporada reprodutiva de 2021. Desde então o número de baleias foi aumentando. O monitoramento foi realizado em 15 pontos no litoral catarinense, desde a praia da Pinheira (Palhoça, SC) até o Cabo de Santa Marta (Laguna, SC), de 01 de agosto a 30 de novembro.
A maioria dos registros ocorreu na praia da Gamboa e Ribanceira/Ibiraquera, diferente do que ocorreu na temporada passada, quando a concentração foi nas praias de Laguna (SC). De acordo com Carolina Bezamat, coordenadora desta ação, ”o resultado deste ano coincidiu com o histórico já conhecido de preferência por aquelas duas enseadas. O monitoramento consiste em um esforço diário de observação que envolve a participação de 15 estagiários, vindos de várias partes do Brasil para complementar sua formação”.

Os estagiários observam as baleias, registram dados relativos à quantidade, presença de filhote, localização e comportamento. Para realizar esta ação o ProFRANCA contou com apoio das prefeituras de Palhoça e Laguna, além de cerca de 20 hotéis, pousadas e restaurantes dos 4 municípios onde o monitoramento foi realizado, Palhoça, Garopaba, Imbituba e Laguna. As avistagens registradas foram compartilhadas nas redes sociais e no site do ProFRANCA, auxiliando assim os turistas a procurarem praias com um maior número de animais, buscando facilitar a sua visualização e contribuindo para a valorização das baleias-francas como recurso turístico na Rota da Baleia Franca e região, um importante foco das ações do ProFRANCA.
Durante essa temporada teve continuidade a nova linha de pesquisa do ProFRANCA, a realização de estudos sobre ecologia alimentar. A pesquisa visa compreender melhor onde as baleias-francas que vem para o Brasil se alimentam,e assim elucidar essa lacuna de conhecimento sobre os hábitos da espécie. Cinqüenta amostras de pele das baleias foram coletadas nas saídas embarcadas realizadas ao longo da temporada, incluindo amostras de pares de fêmea e filhote, e indivíduos solitários. De acordo com Thaíse Albernaz, responsável por esta pesquisa, “as amostras de pele coletadas foram analisadas gerando informações preliminares sobre áreas de alimentação das baleias-franca”. O procedimento para coleta segue protocolo aprovado por comitês de ética internacionais e é utilizado no mundo inteiro para este tipo de pesquisa em diversas espécies de baleias.
Conhecimento tradicional
O ProFRANCA também realizou entrevistas e rodas de conversa com os pescadores da região da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, com o objetivo de buscar, de forma conjunta, alternativas para construir um cenário seguro tanto para a atividade do pescador quanto para as baleias.Também foram realizadas exposições itinerantes chamadas “Da pesca a conservação”, envolvendo cerca de 1000 pessoas das comunidades locais. “É muito gratificante ter essa interação com as famílias dos pescadores e a comunidade local, ouvir o que eles têm a dizer sobre a baleia e compartilhar conhecimentos, contribui não só para nosso entendimento como profissionais, mas também como frequentadores da região“, relata Camila Morais, responsável pela atividade. “O desenvolvimento dessa linha de pesquisa é de suma importância já que as questões que envolvem a pesca envolvem não só a baleia como também diversas famílias e comunidades” complementa Camila.
Sunset Migration e Lançamento do Livro
A última baleia foi vista no dia 12 de novembro. O fim de mais uma temporada reprodutiva foi marcado com a realização do evento “Sunset Migration”, no dia 04 de dezembro, e o lançamento do livro do projeto: A baleia do sul do Brasil: uma gigante em nosso litoral” (ProFRANCA/Instituto Australis – Carbo Editora). Assim, cerca de 200 pessoas celebraram a migração das baleias para as áreas de alimentação próximo à Antártida. Para a Diretora Karina Groch, “depois de uma intensa temporada é sempre um prazer abrir as portas do projeto e do Instituto Australis para abraçar todos com esse evento tão esperado, e fechando com chave de ouro o final da temporada!”

Centro de visitantes e atividades de verão
Em agosto, com o avanço da vacinação contra a pandemia COVID-19, o Centro Nacional de Conservação da Baleia-Franca, sede do ProFRANCA, foi reaberto, e veio com uma novidade, a inauguração do Espaço Australis, agora com o esqueleto de uma baleia-franca adulta de 14 metros de comprimento, além de outros esqueletos e novos materiais. De acordo com Daiana Bezerra, “as novidades foram muito bem recebidas pelas mais de 1000 pessoas que movimentaram o centro durante toda a temporada”.
As atividades do projeto continuam na temporada de verão. O visitante que quiser saber mais sobre as baleias pode visitar o Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca e ainda programar as crianças para as atividades infantis do programa “De férias com as baleias” que acontece nos meses de janeiro e fevereiro. Acesse o site para saber o horário de visitação, e acompanhe as redes sociais para acompanhar todas as informações sobre as atividades.
O ProFRANCA – Projeto Franca Austral – é realizado pelo Instituto Australis e conta com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.



