Tragédia em Blumenau completa 30 dias; veja o que mudou na segurança das escolas municipais na Amrec
Assunto segue sendo abordado e estudado por municípios da região carbonífera
Por Jessica Rosso Crepaldi - jessica.rosso@engeplus.com.br
Atualizada 9 min de leitura

Nesta sexta-feira, dia 5, completa um mês da tragédia ocorrida em uma creche em Blumenau, em Santa Catarina, que matou quatro crianças e deixou cinco feridos. Desde então a segurança nas escolas passou a ser uma cobrança da sociedade civil. Não passou um dia em que o assunto não se transformasse em debate nas redes sociais, sessões de Legislativos, Assembleias, palestras, entre outras ocasiões criadas para tratar do tema.
Enquanto isso, em algumas localidades do estado observou-se uma resposta imediatista de algumas autoridades, enquanto em outras, foi optado por não trabalhar desta forma, ampliando o debate, buscando por soluções com resultados a longo prazo.
As forças de segurança, setor que inclui o Corpo de Bombeiros Militar, as Polícias Militar, Civil e Científica e a Defesa Civil, desde o início marcam presença em vários destes debates, fazendo o levantamento da situação de cada escola de Santa Catarina e orientando as lideranças políticas, participando sempre que acionados nos debates.
O tenente-coronel Mário Luiz da Silva, comandante do 9° Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), explicou em sua última entrevista ao Portal Engeplus, o trabalho feito nas cidades atendidas pelo batalhão: Criciúma, Forquilhinha, Nova Veneza, Siderópolis e Treviso. Segundo ele, foram intensificadas as rondas escolares durante e ao final das aulas, além da permanência de policiais dentro das escolas. “Não de forma ininterrupta, porque seria humanamente impossível manter os policiais de forma constante dentro das escolas. Estamos nestes locais de forma esporádica e planejada, realizando patrulhas”.
A Polícia Militar também passou a realizar visitas preventivas nas escolas. Os policiais, no âmbito do 9º Batalhão, também estão levando informações sobre segurança para os gestores do ambiente escolar.

Foto: Thiago Hockmüller / Portal Engeplus / Arquivo
Fake news causaram sensação de pânico na população
Você ouviu falar que a tragédia de Blumenau poderia se repetir no dia 20 de abril? Essa foi uma das fake news ou - notícias falsas -, que levou milhares de pais a decidirem por não mandarem seus filhos para a escola nesta data. Isso provocou uma evasão significativa nas salas de aulas e aumentou a cobrança nos municípios catarinenses por melhorias na segurança das escolas.
Mesmo com os comandos dos órgãos de segurança dando entrevistas à imprensa e informando por canais oficiais que não havia indícios de um ataque nas escolas do estado, muitos não acreditaram ou preferiram não arriscar. A batalha contra as fake news tomou uma proporção significativa há alguns anos, mas neste caso em específico, foi possível perceber de forma conjunta e maciça o quanto ela se proliferou na sociedade.
Visando combater isso, paralelo a todo o trabalho já executado pelas forças policiais, foram criadas algumas ações de afastamento das fake news, "um grande problema que foi veiculado em todo o país, causando uma sensação de pânico muito grande em toda a sociedade", frisou o tenente-coronel Mário Luiz da Silva.
As forças de segurança criaram estratégias, principalmente de comunicação formal, de desmistificação de fatos levantados nas redes sociais para levar tranquilidade à sociedade.
Mas afinal, o que mudou?
O Portal Engeplus fez um levantamento e apresenta, a partir de agora, o que de fato mudou e que decisões foram tomadas pelo Governo Executivo de cada município da região carbonífera (Amrec) durante esses últimos 30 dias.
Criciúma
O assunto foi debatido recentemente em uma Audiência Pública que tratou da segurança nas escolas municipais. O encontro aconteceu no plenário da Câmara de Vereadores de Criciúma. O vereador Obadias Benones conduziu os trabalhos, que resultou nos seguintes encaminhamentos:
Contratação de vigilantes (que também poderiam atuar como serventes), capacitados para o uso de spray de pimenta e “arma de choque”.
Um trabalho a longo prazo, com psicólogos, para cuidar da saúde mental de todos os integrantes do ambiente escolar: professores, alunos, demais profissionais.
Estender o debate por meio de audiência pública. Envolver os municípios da Amrec e Amesc para fortalecer a segurança regional.
Questionar estatísticas de encaminhamentos de alunos da rede para posto de saúde para que recebam atendimento clínico em psicologia de cada uma das escolas da rede nos anos de 2021, 2022 e até abril de 2023.
Criação de um comitê com participação de pais, professores, conselho tutelar, psicólogos, representante da secretaria de educação para a criação de protocolos de segurança nas escolas e acompanhamento, como forma de prevenção de violência física e ou psicológica na comunidade escolar.
Alguns requerimentos serão feitos a partir destes pontos levantados e encaminhados ao Poder Executivo. Paralelo a isso, Benones explicou que uma conversa acontecerá com o secretário de Educação e o prefeito para ver se há a possibilidade do Legislativo fazer o acompanhamento.
Câmeras
Foto: Defesa Civil/Especial Engeplus
Serão instaladas cerca de 800 câmeras, em todas as unidades educacionais de Criciúma, da rede municipal, estadual, particular, faculdades e universidades. O Centro de Controle Operacional (CCO), será responsável pelo controle de todos os equipamentos, analisando as imagens 24h para ajudar a identificar qualquer tipo de sinistro que possa acontecer.
O CCO está em fase final de implantação, na sede da Defesa Civil de Criciúma. Alguns testes já foram feitos e algumas câmeras já estão funcionando. Além disso está sendo realizada uma verificação nas estruturas das escolas municipais no que diz respeito ao acesso. O município também conta com as rondas escolares da Polícia Militar.
Morro da Fumaça
O município de Morro da Fumaça foi a primeira cidade da região a adotar a medida de colocar vigias em todas as escolas e CEIs do município. Além disso, foram intensificadas as rondas da Polícia Militar. Melhorias nos muros. Consultorias preventivas da Polícia Militar e formação para todos os profissionais da educação com Polícia Civil referente a ameaças ativas, proteção e defesa em caso de ataque no ambiente escolar.
Urussanga
O município de Urussanga irá contratar vigias para as escolas municipais. Nessa quarta-feira, dia 3, a Polícia Militar fez um treinamento com orientações para todas as diretoras e coordenadoras das escolas de Urussanga. Uma palestra está sendo organizada para os pais de como proceder ou identificar alguns casos para manter a segurança também dentro de casa. Posteriormente o município estará divulgando informações a respeito.
A princípio a Polícia Militar intensificou as rondas escolares e o reforço na segurança com os portões fechados. Um decreto proibiu a entrada de pessoas sem autorização ou horário agendado dentro das escolas.
Cocal do Sul
O município de Cocal do Sul pretende contratar vigias para a rede municipal, porém a licitação que estava marcada para ontem foi adiada pois foi impugnada. Uma nova data deve ser marcada ainda para este mês, provavelmente na segunda quinzena. Até o momento foram colocadas câmeras em todas as escolas municipais.
Siderópolis
O município de Siderópolis realizou uma força-tarefa, com a participação das forças de segurança, para avaliar mais a fundo medidas estratégicas a serem tomadas em cada escola da rede municipal de ensino. Uma reunião feita nesta quinta-feira, dia 4, na prefeitura, apresentou o levantamento feito e as reais necessidades de cada instituição. A partir dessa avaliação serão tomadas as medidas cabíveis. As escolas da rede municipal já contam com câmeras de monitoramento. Além disso foram intensificadas as rondas escolares pela Polícia Militar.

Foto: Jessica Rosso Crepaldi
Treviso
O município de Treviso contratou uma empresa terceirizada para reforçar a segurança nas escolas, durante todo o período de aulas. Também está em processo de aquisição câmeras de monitoramento e portão eletrônico com interfones para reforçar ainda mais a segurança, como prevê a Lei nº 1.065/2023. Além disso, as rondas nas áreas escolares foram intensificadas pela Polícia Militar.

Foto: Prefeitura de Treviso
Nova Veneza
Nova Veneza está investindo em qualificação com os professores. Oferecendo palestras, junto a Polícia Militar, que está indo até as escolas para orientar os profissionais em como proceder em casos de violência na escola.
Além de reforçar a segurança nas entradas das escolas, colocando e ampliando os interfones com visores. E também está licitando novos equipamentos de videomonitoramento para que as escolas tenham mais câmeras em todos os ambientes. Além de ter a parceria com a PM que intensificou as rondas nas escolas do município.
Balneário Rincão
O município de Balneário Rincão contratou vigias para as escolas da rede municipal, sendo que as instituições de ensino já contam com acesso restrito, todos com portões eletrônicos e travas.
Içara
O município realizou uma reunião em que foi apresentado o projeto de Consultoria Preventiva junto à Polícia Militar (PM), com o intuito de identificar eventuais fragilidades nas estruturas das unidades. A prefeitura aguarda um relatório da PM que está realizando um diagnóstico preciso estrutural nas unidades de ensino que irá apontar as necessidades estruturantes. A partir deste laudo serão feitas as medidas necessárias para dificultar o acesso das pessoas estranhas nas unidades.
Foi contratada vigilância privada para as escolas que possuem o Ensino Fundamental 2. Escolas com maiores fluxos de pessoas. Além disso, agentes de trânsito foram realocados para fazerem o mesmo trabalho de vigilantes em creches maiores.
Uma campanha foi criada para desmistificar as fake news nas escolas. O material foi compartilhado para tranquilizar as pessoas.
Forquilhinha
O município de Forquilhinha contratou vigilantes para atuar na segurança das escolas municipais e dos centros de educação infantil da Rede Municipal de Ensino.
Além da contratação, medidas preventivas como compra de 100 novas câmeras de videomonitoramento de alta definição em locais definidos pela Polícia Militar, implantação da rede de segurança escolar, botão de pânico nas escolas, estão sendo tomadas e orientações estão sendo passadas aos estudantes, pais e responsáveis.
Orleans
No município de Orleans foi criado o Comitê Municipal de Segurança Escolar envolvendo todas as escolas do município, Policias Civil e Militar, Defesa Cívil, Corpo de Bombeiros, Prefeitura, Câmara de Vereadores, e outros órgãos. Na primeira reunião do Comitê foi lançada a campanha "Minha escola é da comunidade", visando concientizar a comunidade entorno das escolas a participar com um olhar especial da segurança dos alunos.
Será lançada uma cartilha com orientações em situações de emergências. As unidades escolares da rede municipal logo receberam câmaras de vedeomonitoranento em todos os ambientes das unidades. No momento foi reforçada a entrada das unidades escolares da rede municipal com interfones. No município a PM já fazia a ronda escolar em todas as unidades, depois do ocorrido foi intensificada essa prática.
No dia posterior ao ataque em Blumenau, foi realizado uma reunião com todas as diretoras da Rede Municipal de Educação e o tenente da Polícia Militar com orientações para o momento de insegurança. Em Orleans a Rede Municipal está organizando uma reunião com APPs, Conselhos Escolares, Diretores, Polícia Cívil, Bombeiros e Defesa Cívil para como proceder em todas as situações de emergências que surgirem no ambiente escolar.

O Portal Engeplus entrou em contato também com o município de Lauro Müller, mas até o momento não obteve uma atualização da situação nesse município.






