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Criciúma

Travessa Henrique Lodetti: com obra parada, comerciantes são afetados e temem fechamento de lojas

Não há previsão para o retorno das obras; Prefeitura de Criciúma não se manifestou

Por Rafaela Custódio -

4 min de leitura

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Travessa Henrique Lodetti: com obra parada, comerciantes são afetados e temem fechamento de lojas
Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

Criciúma está buscando se tornar uma cidade mais atrativa e turística. Após os três parques e o planetário, o município está preparando o Parque da Santa Luzia e a ligação pelo subsolo entre a Mina Modelo e o Mirante do Morro Cechinel. Uma das últimas novidades foi anunciada na área central, com a Travessa Henrique Lodetti, que ganhará uma espécie de cobertura e buscará fomentar o comércio. A ideia inicial agradou os comerciantes, porém a obra está paralisada desde o início de dezembro, e com isso os lojistas estão enfrentando problemas com a falta de clientes e também estrutura.

“O primeiro problema surgiu com a calçada que foi quebrada e retirada. Isso já trouxe reflexo no comércio e também para a população, pois as pessoas que precisam utilizar os serviços do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já não estavam mais conseguindo. Pessoas com cadeiras de rodas não conseguem passar pela calçada”, conta a comerciante Valdirene Claro dos Anjos.



Valdirene, que possui comércio há dois anos na rua, ressalta ainda o temor com furtos e roubos. “A segurança ficou péssima. Os comerciantes estão tendo prejuízos com a obra, pois a rua foi fechada e não temos mais clientes. E ainda temos a insegurança, pois diversas lojas foram furtadas e até roubadas”, afirma.

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No dia 8 de fevereiro, a Prefeitura de Criciúma abriu uma licitação para contratação de empresa para a construção de redes de distribuição subterrânea de energia elétrica, em baixa tensão, na Travessa Henrique Lodetti, dentro da área de concessão da Celesc em redes energizadas e desenergizadas. “Temos que esperar essa licitação. Não acredito que essa obra saia esse ano. Minha sala é alugada e estou sobrevivendo. É bem complicado e só os comerciantes próximos sabem o que estamos enfrentando nos últimos anos”, lamenta Valdirene.

Já Valmor Dalsasso tem comércio na rua há 22 anos. “Nessas duas décadas nunca fui assaltado. Depois da obra, sim. O movimento na loja caiu 80% e estamos vindo de uma pandemia, o que é preciso lembrar. O aluguel é difícil de pagar. São quase três meses sem obra, está tudo parado e nós aqui sem ter o que fazer”, comenta. “A esperança é a última que morre, mas sinceramente? Já está difícil. Estamos sobrevivendo todos os dias e a tristeza só aumenta”, completa.

Outro comerciante incomodado com a situação da paralisação da obra é Pedro Polo. “Tenho comércio aqui há 23 anos. Sabemos que a rua coberta que foi planejada não existirá mais. O projeto será alterado. Ninguém passou aqui para conversar conosco. Nós que montamos um grupo e fomos atrás da Prefeitura. Estou muito chateado com a situação. Trabalho com produtos com data de validade e meu faturamento caiu drasticamente. Não temos mais movimento, não recebemos mais clientes e estamos aqui sem fazer nada”, ressalta. “Era necessário que esse projeto da rede elétrica já estivesse pronto antes da obra, né? Como isso foi acontecer? É complicado, porque quem sofre as consequências somos nós, comerciantes”, acrescenta.

Com uma barbearia há 12 anos na rua, Edi Motta conta que esse é o pior momento do seu estabelecimento. “Meus clientes não vem, onde vão estacionar? Como vão chegar? Meu faturamento caiu pela metade. Não recebemos mais clientes novos e tudo isso interfere no final do mês. As lojas estão sendo furtadas e roubadas diariamente e quem paga o prejuízo?”, questiona. “A obra está parada desde o dia 17 de dezembro. Mas minhas contas estão chegando, assim como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). A Prefeitura de Criciúma poderia nos ajudar, mas nada, nem aparecem para conversar. Não sabemos se essa obra vai sair realmente. Estou pagando para trabalhar”, afirma.

Não são apenas os comerciantes da Travessa Henrique Lodetti que estão sofrendo com as obras paradas. Lojistas da Henrique Lage também estão com problemas financeiros. “A rua era um grande ponto de rotatividade, ou seja, muitos carros, muitas pessoas circulavam diariamente e isso obviamente impactava no comércio. Agora não temos mais isso há meses. Os furtos e roubos aumentaram muito. Nos últimos 24 meses foram 30% de faturamento a menos. Aos sábados tínhamos um movimento grande e hoje não temos mais. A situação complicou para todos os comerciantes, todos”, pontua o comerciante Dilto Girardi, que possui comércio há 32 anos na Henrique Lage.

O Portal Engeplus entrou em contato com o secretário Municipal de Infraestrutura, Planejamento e Mobilidade Urbana, Tita Belloli, porém ele informou que não poderia atender a reportagem por motivos de viagem.

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