Bancada do PL vota contra, mas compra de terreno para a Central do Recomeço é aprovada
Votação teve protesto de moradores do bairro Capão Bonito
Por Lucas Renan Domingos - lucas.domingos@engeplus.com.br
3 min de leitura

Com votos contrários, a Câmara de Vereadores de Criciúma aprovou em sessão extraordinária nesta quinta-feira, dia 18, que a Prefeitura de Criciúma compre o terreno para a instalação da Central do Recomeço. A área tem 20 mil metros quadrados, está localizada no bairro Capão Bonito e pertence à Igreja do Evangelho Quadrangular. O valor da aquisição será de R$ 750 mil.
A Central do Recomeço reunirá serviços atualmente ofertados pelo Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), Casa de Passagem (República), CAPS AD e Central de Emprego. Além do acolhimento noturno, o espaço contará com atendimento psicológico e psiquiátrico, acompanhamento de saúde, capacitação profissional, atividades laborais e apoio para reinserção social.
O projeto é uma aposta do governo do município para ampliar atenuar o crescimento do número de moradores de rua, focando na ressocialização. Foram 11 votos favoráveis e cinco contrários da bancada do Partido Liberal (PL).

A sessão chegou a ser suspensa por cinco minutos, para os vereadores poderem conversar com moradores da comunidade do Capão Bonito que são contra a instalação da Central do Recomeço no bairro. Eles alegam que o serviço levará pessoas em situação de rua para o bairro e temem por insegurança.
Na tribuna, os parlamentares do PL afirmaram ser favoráveis a iniciativa, mas questionaram o valor do custo para a compra do terreno e alegaram falta de diálogo com a população. Toninho da Figueira (PL) indicou a realização de uma audiência pública para debater com os moradores.
“Sou a favor do tratamento dessas pessoas, mas precisamos ir além, precisamos debater isso com a comunidade. Por que pagar mais de R$ 700 mil em um terreno se perto da BR-101 temos outras áreas avaliadas em R$ 400 mil, por exemplo?”, questionou.

Obadias Benones (PL) criticou o tempo entre a protocolamento do projeto e a votação. “O projeto no papel e na prática é maravilhoso. Vamos torcer para dar certo. Mas a forma como foi apresentado me deixa inseguro para votar. Eu discordo de a comunidade não ser ouvida. Iremos aprovar um projeto de R$ 750 mil para compra de um terreno sem ao menos fiscalizar se este valor é correto, sem um contraponto?”, indagou.
Membro da base do governo, o vereador Daniel Formentin (PSD) disse ser contra políticas públicas para dependentes químicos. “Eles entram nas drogas porque querem”, frisou. Porém, o parlamentar votou favorável ao projeto e justificou o seu posicionamento como um “voto de confiança” ao prefeito.
“A atual gestão municipal é voltada para a humanização a recuperação do indivíduo. Entendo a aflição da comunidade, que é rural. A insegurança deixa a comunidade apreensiva. Mas o governo é responsável e a instalação de clínicas e serviços naquele local vai ter medidas compensatórias. O bairro vai se desenvolver. Não tenho dúvida disso”, defendeu.







