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Investigação

Caso dos bilhetes: “Meninas não conseguem mais sair de casa”, diz vereadora sobre perseguição em Criciúma

Parlamentar afirmou que o homem faz montagens com o rosto das vítimas em imagens de nudez

Por Rafaela Custódio - rafaela.sousa@engeplus.com.br

3 min de leitura

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Caso dos bilhetes: “Meninas não conseguem mais sair de casa”, diz vereadora sobre perseguição em Criciúma
Foto: Divulgação

A vereadora Anequésselen Bitencourt Fortunato levou à Câmara de Vereadores, na sessão ordinária desta segunda-feira, dia 9, o debate sobre um homem que deixa bilhetes para mulheres que utilizam o transporte coletivo em Criciúma. Os casos vieram à tona no final de fevereiro, após familiares divulgarem a situação nas redes sociais e pedirem atenção redobrada.

“Estivemos, na semana passada, em uma reunião com algumas das vítimas. Confesso a vocês que eu custei a dormir naquela noite. Trata-se de um doente que está perseguindo essas meninas há mais de seis anos. Ele coloca bilhetes na mochila, tira fotos dos pés delas, faz montagens com o rosto das vítimas em imagens de nudez, cria vários perfis falsos na internet e passa a ameaçá-las. Então não é apenas um bilhete na mochila, como tem sido falado nas redes sociais. Há meninas que não conseguem mais levantar da cama e ir trabalhar, porque sofrem com essa perseguição há mais de seis anos”, detalhou.

Ao todo, seis vítimas já registraram boletim de ocorrência. “Encaminhamos o caso junto ao delegado da Polícia Civil para que esse assunto seja investigado e levado realmente a sério, porque não é brincadeira”, comentou. Em entrevista ao Portal Engeplus, a delegada da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), Ana Elisa Vargas de Souza, afirmou que o caso está sendo investigado e o homem já foi identificado.

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Anequésselen também falou sobre os números da segurança pública. “Em 2025, tivemos 31.651 casos de medidas protetivas e 52 feminicídios em Santa Catarina. Somente agora, no mês de janeiro, já foram registradas 3.223 medidas protetivas e oito feminicídios. Ou seja, em vez de diminuir, esses casos estão aumentando. Nós, como criadores e fiscalizadores das leis, precisamos fazer o nosso papel”, pontuou.

Encontro com vereadores

Uma reunião realizada na última quinta-feira, dia 5, reuniu vítimas, representantes do Legislativo e um especialista da área jurídica para tratar do caso.

Ao todo, seis vítimas já registraram boletim de ocorrência. Parte delas participou do encontro, que também contou com a presença de familiares e de pessoas que têm se mobilizado em apoio à causa. O objetivo foi orientar as mulheres sobre os procedimentos legais, além de discutir formas de acompanhamento e apoio diante da situação.

Segundo o advogado Jackson Leal, a orientação jurídica é fundamental neste momento para que as vítimas compreendam os caminhos legais disponíveis. “Nos reunimos para esclarecer quais são os procedimentos possíveis dentro da investigação e para garantir que as vítimas tenham o suporte necessário. É importante que elas saibam que existem mecanismos legais e institucionais para acompanhar o caso e buscar a responsabilização do autor”, afirmou.

Durante a reunião, também foi reforçada a importância de que qualquer nova situação seja comunicada às autoridades. Conforme discutido no encontro, além dos bilhetes de cunho sexual, outros possíveis tipos de conduta também já foram apontados pelas vítimas e poderão ser analisados pelos órgãos competentes a partir dos relatos e das informações registradas, caso novos elementos sejam apresentados.

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