Caso Kenefer: PC tem sensação de dever cumprido

Os 80 dias de investigação para encontrar o acusado de estuprar e matar a menina Kenefer Maria de Jesus Guimarães foi de bastante cobrança para a Polícia Civil. A sentença de 38 anos e oito meses em regime fechado, decisão do Júri Popular que aconteceu na tarde dessa terça-feira no Fórum de Criciúma, trouxe a sensação de dever cumprido aos que trabalharam no caso.
O delegado Vitor Bianco Junior, que coordenou a investigação do crime ocorrido no dia 1º de maio de 2010 no bairro Floresta II, avalia que a condenação foi exemplar. “Nunca havia trabalhado em um caso parecido e, com certeza, essa história vai marcar a minha carreira e a dos policiais que estavam envolvidos”, falou emocionado. Para ele, foi gratificante ver o trabalho ser elogiado no tribunal.
Entretanto, o sentimento da falta de valorização pesa neste período em que a classe luta por melhores condições de trabalho. “Nossas mesas estão sempre abarrotadas. Naquele caso fizemos um esforço e nos preocupamos apenas em encontrar o autor do crime contra a Kenefer. Foram 80 dias que não tratamos de mais nada e a cobrança foi grande”, recorda.
O desejo do delegado é que a sentença anunciada pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Marlon Jesus Soares de Souza, sirva de exemplo para a sociedade. “Gostaria que as pessoas que estiverem pensando em cometer crimes parecidos, repensem. Toda decisão deveria ter uma conotação educativa, principalmente essa que teve uma pena alta”, defendeu.
A expectativa da polícia e da própria sociedade era de, no máximo, 35 anos de reclusão. “É muito bom ver o nosso trabalho coroado”, agradece. Ontem, as testemunhas intimadas para depor não precisaram ser ouvidas. Bianco Junior acredita que a investigação tenha facilitado a decisão sem o depoimento das testemunhas no júri. “O acusado era réu confesso e as provas não deixavam dúvidas de que ele era o autor. O que foi questionado era se foi estupro seguido de morte ou estupro e homicídio triplamente qualificado”, levantou dizendo que a polícia está feliz com o resultado. “Se esse não foi o meu melhor caso, foi um dos melhores”, ressaltou.



