Portal Engeplus
Publicidade
Mundo do Agronegócio

Gripe Aviária: vigiai e orai

Por Silmar Vieira - mundodoagronegocio@engeplus.com.br

3 min de leitura

Compartilhar:
Foto: Divulgação/Cidasc

Nos últimos meses a população mundial vem sentindo as consequências de um grande surto, o maior em décadas, da chamada Gripe Aviária (H5N5), que vem dizimando os planteis de aves de corte e postura em todos os continentes. Desde Europa, África, Ásia, Oceania e América, onde começou pela América do Norte, passou rapidamente pela parte central do continente e agora chega ao Sul, com casos relatados em quase todos os países da região.

Quase todos, porque o maior país do Sul do Continente Americano, o Brasil, quase que milagrosamente ainda está livre da doença. Mas por quanto tempo? É possível passarmos incólumes por essa pandemia?

É praticamente ficar a espera de um milagre (e dos grandes), imaginar que um país que tem o tamanho de um continente, com várias rotas de aves migratórias e que tenha casos da doença em todos os países com quem faz fronteiras, irá conseguir escapar sem notificações da enfermidade em seu território. Como a doença é transmitida majoritariamente pelo deslocamento de aves migratórias infectadas, as barreiras sanitárias terrestres não tem nenhuma eficácia em controlar a entrada do vírus onde quer que seja.

Publicidade

É fato que temos um dos mais eficientes sistemas de vigilância e controle sanitário animal do mundo, e não resta dúvida de que por isso estamos conseguindo nos manter por tanto tempo afastados da doença, quando vários países do chamado primeiro mundo já sentem as graves consequências econômicas em virtude do abate sanitário de milhares de aves de criação.

Porém, a nossa grande esperança de mitigar os efeitos da Pandemia de H5N5, está numa estratégia chamada de Sistema de Compartimentação, que é baseada na engenharia naval, prevendo na construção de navios que eles tenham barreiras entre os diversos compartimentos da embarcação que impeçam o avanço da água de um compartimento a outro, em caso de colapso. No filme sobre o Titanic a falha no isolamento dos compartimentos é bem relatada e dada como responsável por ter afundado o navio.

No sistema de compartimentação utilizado da avicultura brasileira o funcionamento segue a mesma lógica. Caso em um determinado compartimento haja uma falha que o leve ao colapso, imediatamente ele é isolado para que não comprometa os demais. Assim, caso a doença seja detectada em uma determinada região, ela é isolada das demais, como forma de garantir que continuem a funcionar normalmente. Isso evitaria um abate extenso de planteis, evitando problemas, tanto no abastecimento interno, quanto nas exportações de carne e ovos.

É com certeza um grande teste de fogo para este sistema, que ao longo das últimas décadas, desde sum implantação, vem garantindo a segurança e qualidade do produto brasileiro. A partir de agora só nos resta vigiar e orar para que tudo de certo.

Compartilhar:
Leia a seguirQuando a janela do seu escritório é o mundo.