Ofensas racistas no HH: Criciúma pode perder pontos, mandos de campo e inicia defesa com advogados
Torcedores foram identificados ainda na sexta-feira após a partida contra a Ponte Preta

O confronto entre Criciúma e Ponte Preta, pela 18ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, realizado na última sexta-feira, dia 15, não ficou marcado apenas pelos gols que assinalaram o 1 a 1 no placar. O clube paulista denunciou um caso de racismo contra seus jogadores ainda no primeiro tempo.
Nos acréscimos da etapa inicial, os jogadores reservas da Ponte foram para o aquecimento atrás do gol de Caíque França e logo uma confusão envolvendo atletas e torcedores fez a partida ser paralisada. Os pontepretanos denunciaram ofensas racistas vindas da arquibancada do Heriberto Hülse. O clube deu eco ao caso pelas redes sociais e avisou que o atleta envolvido registrou Boletim de Ocorrência.
A direção do Criciúma e a Polícia Militar (PM) conseguiram identificar dois torcedores envolvidos no caso. O primeiro por injúria racial e o segundo envolvido por criar tumulto ao jogar um copo de cerveja contra os jogadores. O setor jurídico do clube contratou o advogado Osvaldo Duncke Sestário Filho para atuar no caso. “Desde ontem estamos reunidos e já temos a identificação dos torcedores que praticaram os atos e estamos reunindo provas e o clube vai tomar as medidas cabíveis para penalizar os homens e estamos conscientizando os outros torcedores sobre a gravidade na esfera esportiva. Queremos conscientizar sobre o que pode acontecer. Podemos perder pontos, mandos de campo e até receber uma pena de exclusão do campeonato. Temos uma série de procedimentos que estamos tomando para evitar que isso aconteça”, afirmou o advogado.
O Portal Engeplus teve acesso ao Boletim de Ocorrência e o documento informa que dois torcedores do Criciúma identificaram os homens e ajudaram a Polícia Militar (PM) por meio de fotos. O Criciúma também cedeu imagens à guarnição e acompanhou o desdobramento da ocorrência. Segundo a PM, o atacante pontepretano Da Silva (foto abaixo) contou que um torcedor do Criciúma o chamou de 'macaco', sendo que ele conseguiu identificar o homem e repassou as características do acusado, porém após o ato racista, o criminoso deixou o local com seus amigos. “O Boletim de Ocorrência foi muito bem feito pela Polícia Militar e isso ajuda muito o clube. A Ponte Preta já ingressou com uma notificação pelos fatos e teremos uma denúncia da procuradoria”, explicou o advogado.
Foto: Rafaela Custódio/Portal Engeplus

De acordo com o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (9ºBPM), tenente-coronel Sandi Murís de Medeiros Sartor, a Polícia Militar e o setor jurídico do clube buscaram as imagens e dois torcedores identificaram os homens. O Boletim de Ocorrência foi encaminhado à Polícia Civil”, comentou.
O presidente do Criciúma, Vilmar Guedes, ressaltou que o clube despreza esta atitude. “Após o jogo houve envolvimento do setor jurídico. A nossa torcida é conhecida como ordeira, agora digo ao torcedor que um ato isolado pode prejudicar e muito o Criciúma. Podemos ter um prejuízo gigantesco financeiro e de perda de pontos e que isso não volte a se repetir”, solicitou.
O Criciúma deve lançar ainda nesta semana uma campanha contra o racismo em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Serão distribuídos panfletos e também esticadas faixas no Heriberto Hülse sobre racismo.







