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Além dos métodos de treinamento

Os ensinamentos de corrida e de vida aprendidos no Quênia

Treinador Marceço Olímpio participou do programa The Kenya Experience

Por Heitor Carvalho - heitor@engeplus.com.br

3 min de leitura

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Foto: Arquivo pessoal / Marcelo Olímpio

Com o objetivo de aprender métodos de treinamento para corrida, Marcelo Olímpio, de 40 anos, embarcou para o The Kenya Experiece, programa para o desenvolvimento de atletas e treinadores de corrida. No retorno para Criciúma após duas semanas no Quênia, o ex-atleta de triathlon e hoje treinador de corrida, trouxe na bagagem além do conhecimento prático e teórico sobre corrida, o sentimento de valorização da vida.

“Eu fui para aprender como treinador, buscando crescimento profissional, mas conquistei algo muito mais valioso, que foi o aprendizado sobre a vida. Hoje sou outra pessoa”, afirma Olímpio, que há 5 anos trabalha como treinador, tendo competido em alto nível por uma década, participando de duas edições do Ironmann.

A estadia do criciumense foi em um centro de treinamento localizado em Iten, capital e também maior cidade do condado de Elgeyo-Marakwet. “Vivenciei a realidade de um atleta queniano. Eu comia e bebia a mesma coisa que eles, assim como dormia e treinava sob as mesmas condições”.

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Junto com ele estavam outros 21 brasileiros, sendo 5 treinadores e 16 atletas. Único em Santa Catarina com a formação, o treinador elenca os motivos que diferem o método de treinamento no Brasil e no Quênia. “Acredito que seja um conjunto de fatores, que passa pelo foco e disciplina dos atletas. Têm a alimentação saudável, que é a base de milho e ovo, e até mesmo as bebidas, que são duas opções: água ou leite. E claro, o ambiente, eles treinam em uma região com altitude de 2.400km, então quando descem para competir eles têm mais facilidade”, destaca.

Enquanto vivenciava a realidade dos atletas, o treinador observava a realidade da população queniana, em especial as crianças. “Elas andam quilômetros para ir para a aula, isso em chão batido, sem sinalização alguma. Usando o único calçado que elas têm, ou caso não tenham, descalças mesmo”.

Diferente Olímpio, que há anos fez a escolha de ser corredor e posteriormente de ser treinador, as crianças do país localizado no continente africano não têm muitas escolhas.

“A corrida é praticamente a única opção do povo. Eles não correm para eles, correm para a família. Porque lá ou tu vive da corrida, ou tu planta para comer”.
- Marcelo Olímpio, treinador de corrida

Dentre as experiências que vivenciou no Quênia, Olímpio visitou a tribos Kalejin. São dessa tribo a maioria dos atletas responsáveis pelas medalhas conquistadas pelo país. “Eu gostaria de ter tido essa oportunidade quando ainda era atleta. Quem foi para treinar já teve uma evolução muito grande. Isso foi perceptível na primeira prova que eles competiram após o retorno”, conta.

Marcelo Olímpio não pendurou os tênis de corrida porque ainda treina, mas não tem mais a chance de conquistar medalhas como os atletas que participaram dessa experiência com ele. Porém a lembrança do que viveu no Quênia, isso ele jamais conquistaria em uma corrida, a não ser na da vida, como o fez.

Confira as imagens que o criciumense fez durante os dias em que participou do The Kenya Experience:

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