Santa Catarina: Defesa Civil confirma duas microexplosões durante temporais
Balanço estadual apontou também 6,4 mil residências afetadas e dois óbitos

Além dos três tornados confirmados em Santa Catarina, duas microexplosões foram identificadas pela Defesa Civil Estadual durante os temporais registrados entre domingo, dia 1º, e quarta-feira, dia 4. Os três tornados foram registrados em Chapecó, Xanxerê e Rio Negrinho. Já as microexplosões, foram confirmadas em Fraiburgo e em Timbó Grande.
Desde o início de novembro, 126 municípios contabilizaram ocorrências relacionadas ao mau tempo, com 62 deles decretando situação de emergência. O balanço atualizado divulgado nesta sexta-feira, dia 6, apontou ainda 6.423 residências afetadas, 100 pessoas desabrigadas, 557 desalojadas e dois óbitos.
Os tornados no Oeste ocorreram durante a passagem de uma linha de instabilidade. “Como o próprio nome sugere, são várias tempestades severas que se organizam em forma de linha”, explicou o meteorologista da Defesa Civil Caio Guerra. Segundo ele, o sistema pode ter centenas de quilômetros de extensão e costuma se deslocar rapidamente, provocando fortes rajadas de vento por onde passa.
Microexplosões foram registradas entre domingo e quarta
Os temporais iniciaram antes da linha de instabilidade. Na tarde de domingo, em Fraiburgo, no Meio-Oeste, uma tempestade severa atingiu o município. A análise dos meteorologistas indicou que a causa foi uma microexplosão, fenômeno em que uma corrente de ar desce com força de dentro da tempestade, atinge o solo e se espalha, causando danos em uma área restrita.

Posteriormente, na quarta-feira, uma tempestade severa e isolada atingiu Timbó Grande e causou danos em poucos minutos. Foram 25 habitações afetadas. As imagens aéreas feitas pela Defesa Civil mostraram árvores derrubadas e espalhadas para fora a partir de um ponto central, o que permitiu concluir que se tratava de uma microexplosão.
Como a Defesa Civil diferencia um tornado de uma microexplosão
Para quem vê os estragos, os dois fenômenos podem parecer semelhantes. Entretanto, de acordo com a Defesa Civil, há uma diferença na forma em que os ventos se distribuem e no padrão dos danos, analisados por imagens aéreas.
No tornado, o vento gira com força e o centro da rotação toca o solo. Por isso, as árvores caem em sentidos diferentes de cada lado do caminho, como se o vento puxasse tudo para o meio. O rastro é estreito e bem definido, e uma área muito atingida pode estar ao lado de outra praticamente intacta. Mesmo durando poucos minutos, o tornado causa destruição concentrada.
Na microexplosão, o vento desce da tempestade e se espalha ao bater no chão, como a água de uma torneira que atinge a pia. Árvores, estruturas e materiais caem na mesma direção, ou se afastam de um ponto central, dentro de uma área mais ampla. Esse padrão, somado às características da tempestade, indica a ocorrência da microexplosão.
Em ambos os casos, as análises de radar, as inspeções em campo e os registros fotográficos aéreos são fundamentais para confirmar os fenômenos e estimar a intensidade.



