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Excesso de chuva

Santa Catarina registra safras de alho e cebola menores do que as estimadas

Em ambos os casos, problemas climáticos afetaram severamente parte das lavouras

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Santa Catarina registra safras de alho e cebola menores do que as estimadas
Foto: Divulgação/Epagri

Os produtores de cebola de Santa Catarina colheram cerca de 407 mil toneladas da hortaliça na safra 2023/2024. Já a produção de alho foi de cerca de 7,37 mil toneladas. Os dados são do projeto de monitoramento de safras do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), disponíveis no site do Observatório Agro Catarinense. Isso representa uma quebra de 27,5% na comparação com a safra anterior, quando foram colhidas 551,5 mil toneladas de cebola no Estado. No caso do alho, a redução foi ainda maior, de cerca de 38,6% em relação às estimativas iniciais, que eram de uma colheita de quase 12 mil toneladas.

Em ambos os casos, problemas climáticos afetaram severamente parte das lavouras. O excesso de chuva no período de desenvolvimento das plantas gerou inundações, perda de nutrientes do solo e baixa incidência de luz solar que afetaram a qualidade dos bulbos.

Produção de cebola

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No caso da cebola, os problemas climáticos levaram a uma queda significativa na produtividade. Inicialmente estimada em 29,85 mil quilos por hectare, a produtividade revisada ficou em 21,31 mil quilos por hectare, uma redução média de 8,5 mil quilos para cada hectare colhido. Além disso, conforme o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Jurandi Gugel, o excesso de umidade também teve consequências no processamento da cebola feito após a colheita. Houve registro de apodrecimento e doenças fúngicas que geraram uma perda estimada em mais de 65 mil toneladas. Com isso, a quantidade efetivamente comercializada pelos produtores deve ficar em aproximadamente 342 mil toneladas.


Foto: Divulgação/Epagri

Em termos de mercado, um movimento que chamou a atenção do analista, neste início de 2024, foi o crescimento das importações de cebola, que têm a Argentina como principal fornecedor. Em janeiro do ano em curso, as importações brasileiras bateram 5 mil toneladas, número bem superior ao registrado no mesmo mês dos últimos três anos, quando entraram no país 911 toneladas, em 2021; 660 toneladas, em 2022; e 1,38 mil toneladas em 2023. Mesmo com esses números, as importações anuais de cebola, no ano de 2023, foram 10,89% menores do que as registradas no ano anterior, conforme indicado no Boletim Agropecuário de fevereiro.

Produção de alho

Desde a safra 2018/2019, a área plantada com alho tem diminuído progressivamente em Santa Catarina. Os 994 hectares plantados na safra 2023/2024 representam cerca de 41,32% da área registrada em 2018/2019. Conforme Gugel, a baixa rentabilidade da cultura, nas últimas safras, tem desestimulado o plantio. Esse foi um dos motivos da redução na produção total, já que a área plantada teve uma diminuição maior do que o projetado inicialmente, o que foi agravado pelos problemas climáticos.

Em termos de mercado, a concorrência com o alho argentino, que disputa espaço com a produção catarinense justamente no período de comercialização, tem mantido os preços aquém do esperado pelos produtores nas últimas safras. Na safra atual, como a qualidade da hortaliça foi prejudicada pelos problemas climáticos, a maioria da produção foi destinada para indústria, que paga menos aos produtores. A exceção é a parcela do alho com maior qualidade, que teve valorização de preço no mês de fevereiro.


Foto: Divulgação/Epagri

“As medidas tributárias adotadas pelo Estado, com crédito presumido de ICMS, são contribuições importantes para aliviar a situação e melhorar a competitividade do alho catarinense no mercado interno”, explica o analista. No final de 2023, o governo do Estado encaminhou projeto que concede crédito presumido do ICMS, equivalente a 90% do valor do imposto incidente, aos estabelecimentos beneficiadores de alho, desde que tenham recebido a matéria-prima de produtores de Santa Catarina.

O projeto foi aprovado pelo Legislativo em dezembro e, conforme informações da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF), contempla 299 beneficiadores com incentivos fiscais que, no total, chegam a R$ 1,2 milhão ao ano. Medida semelhante já havia sido adotada em 2019.

Colaboração: Isabela Schwengber/Assessoria de Imprensa da Epagri

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