Ceramistas iniciam greve no Sul de SC
O impasse se arrasta há semanas e as partes envolvidas não chegaram a acordo nenhum

Após a rodada de negociação mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entre ceramistas e sindicato patronal não ter apresentado resultados definitivos, os trabalhadores da indústria cerâmica iniciaram a greve da categoria na tarde deste sábado, dia 20. O impasse se arrasta há semanas, e as partes envolvidas não chegaram a acordo nenhum até o momento.
Até o momento, o sindicato dos trabalhadores aponta que a proposta patronal não traz aumento real de salários, reduz o adicional noturno de 30% para 20% e as horas extras em feriados de 100% para 50% para novos contratados e cria condições de contratos diferentes, entre funcionários que exercem a mesma função. Além disso, a proposta patronal previa a diminuição do abono de férias de R$ 1.220,00 para R$ 600,00 estendendo-o aos não sócios. Os trabalhadores querem manter a convenção de 2020 e aumento real de 3%.
Contraponto
Em entrevista ao Portal Engeplus, o presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Criciúma e Região (Sindiceram), Otmar Josef Muller, explica que neste sábado o sindicato patronal realizou uma terceira proposta aos trabalhadores, cedendo em alguns pontos. "Foi recusada, mais uma vez, não havendo movimentos do lado laboral na busca de acordo", destaca.
Segundo Muller, há uma cláusula que tem sido o ponto de travamento no acordo: o pagamento de um abono de férias exclusivo aos filiados do sindicato laboral. "As empresas se dispõem a manter este abono, mas para todos os funcionários. Da forma como é, só para os que pagam mensalidade ao sindicato laborao, hoje nas grandes empresas é entendido como incorreto. Configura financiamento sindical indireto, segundo a OIT. Por isso, infringe as regras de governança corporativa das organizações maiores, que são hoje os controladores das maiores empresas da região", destaca.
Muller citou, ainda, a mediação realizada pelo TRT, que não propiciou avanços na negociação. "Hoje pela manhã apresentamos nossa proposta final, não aceita pelos dirigentes sindicais, nem se dispondo a levá-la para votação em assembleias", afirma.
Segundo o presidente, caso as ameaças de greve persistam, o TRT deve novamente ser acionado pelo patronal. "Esperamos que não ocorram atos de violência que impeçam nossos trabalhadores de acessar seus postos de trabalho. Temos certeza que a grande maioria deles está satisfeita com suas condições de trabalho e lhes agrada ainda esta última proposta das empresas", conclui Muller.
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