Com 21 anos de estrada, O Mundo Analógico celebra trajetória na música independente
Banda de Criciúma traz mistura do rock, reggae e ska no repertório
4 min de leitura

Antes da chegada do verão 2006, na reta final de 2005, o circuito musical independente ganhava mais espaço nas rádios e TVs. Neste cenário, um grupo de amigos em Criciúma decidiu realizar uma apresentação acústica, com poucas músicas, de forma despretensiosa. A iniciativa deu certo, o repertório aumentou e, duas décadas depois, O Mundo Analógico ainda constrói sua trajetória, celebrando neste sábado, dia 7, 21 anos de história.
De acordo com o vocalista Rafael Ronchi, a banda completa a marca se agarrando à essência que uniu os integrantes, da vontade de fazer música e compartilhar o palco com os amigos. “Não é nada fácil, mas também não é difícil. Tivemos altos e baixos, troca de integrantes, choros, sorrisos, assim como perdas e conquistas. No meio desse tempo todo, fomos aprendendo a lidar com as situações”, confessou.
Atualmente, a banda é composta por oito membros. Além de Ronchi, que assume os vocais, Jonas Dagostin e Marcelo Furtado estão na guitarra, Gilson Naspolini com a bateria e Marcos Patricio no baixo. Completando com os instrumentos de sopro, Deivid Limas se encarrega do saxofone, Felipe Nazario do trombone e Victor Corrêa do trompete.
“A sonoridade que trazemos é pura referência de cada um, que coloca um pouco de cada tempero, formando assim o caldeirão sonoro que é O Mundo Analógico. Cada integrante já tocou ou toca em outras bandas que fazem essa mistura de rock, ska e reggae. Apostamos no que a gente gosta de escutar. A ideia é experimentar essas diferenças entre as referências que temos e nos divertir”, ressaltou Ronchi.

Referências musicais que vêm desde o início
Conforme contou o vocalista, as primeiras apresentações da banda traziam como repertório versões de músicas de artistas que, até os dias de hoje, são referências para o grupo. Entre eles, estão as bandas Sublime, 311, Pepper, Less Than Jake, Goldfinger e RX Bandits, sendo esta a responsável por inspirar o nome original do projeto.
“A música Analog Boy, da RX Bandits, deu origem ao nome Analog World. Diversas formações e anos depois, quando começamos a gravar composições próprias, todas em português, abrasileiramos o nome da banda também. Assim nasceu ‘O Mundo Analógico’. E o ‘O’ é importante, pois tem como referência The Specials, The Vandas, The Hives e outras bandas”, explicou.
Nos trabalhos autorais, O Mundo Analógico possui dois álbuns lançados. Nosso Mundo, de 2013, e O Recomeço de Tudo, de 2018, possuem, ambos, 12 faixas. Além disso, antes do lançamento do segundo álbum, a banda lançou um EP com quatro músicas, chamado Novo Mundo. Toda a discografia pode ser escutada de forma on-line aqui. A banda também divulga seus projetos e apresentações pelo Instagram.
Cenário musical em Criciúma
Com duas décadas de estrada, os integrantes também acompanharam as mudanças no cenário musical de Criciúma. Na avaliação de Ronchi, tanto a cidade quanto a região reúnem bandas autorais e covers de qualidade e mantêm uma cena ativa. Ainda assim, o vocalista observa dificuldades para que artistas catarinenses conquistem espaço e visibilidade fora do Estado.
“A região de Criciúma é forte nessa questão de shows independentes e grandes eventos, e nós conseguimos surfar em todos eles. Tocamos em eventos underground e ao mesmo tempo em grandes festivais por Santa Catarina e São Paulo. O difícil é que o Estado não é um exemplo de exportador de talentos, talvez porque não temos uma representação na comunicação, como os estados vizinhos”, detalhou.
Sobre o futuro da O Mundo Analógico, os planos, segundo o vocalista, são continuar realizando shows e uma possível nova gravação. Por enquanto, a prioridade é celebrar a trajetória com toda a energia na última apresentação de 2026, neste sábado. “Somos velhos, não podemos mais fazer tantos planos para o futuro a longo prazo”, brincou Ronchi, que ainda resumiu o segredo para chegar aos 21 anos de banda. “Gostar de tocar com os amigos, manter a leveza nas dificuldades e nunca esquecer que a vida é linda, basta você amar”, finalizou.





