Com som autoral e visual nostálgico, Cereja Bloom resgata a essência do rock clássico
Banda do sul de SC prepara o primeiro EP para ser lançado em 2027
5 min de leitura

Da união entre artistas de cidades diferentes, com referências musicais diversas, nasceu a Cereja Bloom. A banda independente de Laguna, que fez seu primeiro lançamento em 2025, traz a união do rock de outras décadas, a psicodelia, e o indie rock atual para compor uma identidade própria. Com dois singles lançados, o grupo prepara a chegada de ‘Mar de Mármara’, para o dia 28 de outubro, e trabalha no primeiro EP, com lançamento para 2027.
A história da banda inicou em conversas entre o guitarrista Matheus Pires, que vinha da banda Mais Inverno, e o baterista Vini Ferreira, integrante da Evil Kill. A vontade era a de criar músicas próprias, com Pires fora dos vocais. Na busca, surgiu o nome de Vanessa Cargnin de Caldas, a Chovvve, para assumir a voz. O tecladista Hyuri de Souza e a baixista Franciellen Berto completaram a formação em seguida. De início, os músicos se reuniam para tocar covers. Mas bastou a química florescer para o repertório autoral surgir.
“Nos reunimos há quase três anos para compor juntos. Geralmente alguém traz um tema para trabalharmos ou uma melodia e nos unimos para desenvolvê-la. Às vezes é um processo desafiador, porque em alguns momentos cada um está com uma ideia diferente. Mas todos fazem parte das decisões da banda. Não só das músicas, mas de todos os posicionamentos”, destacou Vanessa em entrevista ao Portal Engeplus.

As letras abordam sobre afetos, ciclos e transformações. De acordo com ela, responsável por escrever as letras, um coração partido é uma das melhores fontes de criatividade. No processo, Vanessa contou que busca tentar dar nome para sentimentos até então desconhecidos por ela e explicá-los por meio das canções.
A união do rock anos 70 e contemporâneo
‘Autenticidade’ talvez seja a característica que os integrantes mais procuram manter no trabalho. Conforme contou Pires, a preocupação parte tanto das letras como da sonoridade. Além de traços do indie e da psicodelia, na hora de criar, os músicos trazem como referência sons que absorveram durante a vida, sendo o rock das décadas de 70 e 80 as maiores influências.
Além dos clássicos, como Fleetwood Mac, as referências da banda também perpassam por artistas atuais do cenário brasileiro e internacional. Entre eles, estão Yma, Walfredo em Busca de Simbiose, Ana Frango Elétrico, Crumb e Beach House. Segundo o guitarrista, apesar das inspirações, a ideia é sempre produzir algo que não fuja da essência da Cereja Bloom.
“Trazer essa sonoridade é um desafio. O nosso som tem uma pegada um pouco mais antiga, e o rock hoje em dia não está tão em alta como era em épocas atrás. Tem uma dificuldade ainda maior porque o mercado da música está bem afunilado. Mas tentamos manter a nossa autenticidade e acho que isso atrai o público. Afinal, se eu estou fazendo a música que todo mundo faz, querendo ou não, não tem uma originalidade ali”, pontuou.
Primeiros lançamentos e preparação para o EP
Lançado em outubro de 2025, o single ‘Desaforo’ marcou o início oficial da caminhada da banda. Segundo Ferreira, esta foi a segunda música finalizada pelo grupo e, desde o início, os integrantes souberam que seria a escolhida para o primeiro hit. Em seguida, veio 'Souvenir', lançado em junho de 2026. E, em 28 de outubro, ‘Mar de Marmara’ chegará às plataformas, marcando o último single antes do lançamento do EP, previsto para março de 2027.
“O público pode esperar a identidade que já apareceu em ‘Desaforo’ e em ‘Souvenir’: timbres analógicos, órgão, com uma pegada na psicodelia, além de letras sobre afetos, ciclos e transformações. É muito legal ver que, nos shows, mesmo sendo uma banda nova, as pessoas já cantam junto, se identificam com as letras e curtem os riffs. Como banda independente, essa troca é o que mais nos motiva a seguir”, contou a baixista, Franciellen.
No EP, o público que acompanha a Cereja Bloom pode sentir falta de ‘Palácio de Sal’, a primeira composição do quinteto. De acordo com Ferreira, a música não foi incluída por não se encaixar na estética do projeto. Porém, o som segue tendo presença fiel nas apresentações da banda.

Por que ‘Cereja Bloom’?
‘Despertar a paixão’. O baterista destacou como o nome da banda nasceu a partir do mito do perfume de cereja de Afrodite. Em meio a trocadilhos entre os membros da banda, a ideia de fragrâncias levou à história a qual quem sentisse o aroma do perfume da deusa do amor se apaixonaria. O ‘florescer’, bloom em inglês, aparece como o próprio efeito do perfume escrito em palavras.
“Acho bonito pensar que a vontade de criar transformou pessoas que mal se conheciam em quase uma família. Hoje a gente conversa todo dia, sobre a banda e sobre a vida, participa da rotina um do outro e se ajuda no que precisar”, refletiu.
Apesar de estar no início da trajetória, a Cereja Bloom, segundo Pires, planeja os próximos passos após o lançamento do primeiro EP. A possibilidade de um álbum já é considerada, explorando novos estilos e sensações diferentes. “Como banda independente do Sul de Santa Catarina, a gente precisa abrir o próprio caminho. A ideia é seguir criando parcerias com outras bandas e casas de show pra dar mais visibilidade à cena independente”, encerrou. Confira o trabalho da Cereja Bloom no Spotify, Instagram e YouTube.







