Em pleno Século 21 energia elétrica ainda é um problema para a agropecuária
Os últimos três secretários de Agricultura que tomaram posse em Santa Catarina anunciaram como uma das prioridades de suas gestões levar energia elétrica trifásica para todas as propriedades rurais de do estado.
Mas como assim? Quer dizer então que em pleno Século 21 a distribuição de algo tão corriqueiro como energia elétrica ainda é um entrave de desenvolvimento?
Infeliz e vergonhosamente, sim!
Agora imagine você que somos considerados a “Suiça brasileira”, justamente pelo desenvolvimento e organização. Se aqui penamos por falta de energia em quantidade e qualidade ideal para a produção agropecuária, como estará o restante do país, principalmente em estados com maiores dificuldades financeiras e de infraestrutura.
Nessa semana foi pauta do Canal Rural a reclamação de agricultores do Mato Grosso justamente pelo mesmo motivo. Aquele estado é um dos principais produtores de soja, milho e algodão do país, os nossos principais produtos de exportação e muitos produtores também não contam sequer ainda com energia trifásica nas propriedades. Eles são responsáveis por produzir uma safra recorde atrás da outra e não tem como fazer investimento em secadores e silos de armazenagem, porque a energia elétrica que chega às propriedades não comporta esse tipo de equipamentos.
Se formos então olhar para a situação das estradas por onde escoam a produção e ainda a falta de investimentos em rodovias, portos e aeroportos, a situação só vai piorando. A estimativa é de que cada caminhão de milho e soja que deixa o Mato Grosso para abastecer a demanda aqui em Santa Catarina, perde algo em torno de dez por cento da carga pelo caminho devido a precariedade nos veículos e nas condições das estradas. Como são milhares de caminhões fazendo esse trajeto todos os dias, da pelo menos uma vaga ideia de quantas toneladas de alimentos são desperdiçados todos os dias pelo descaso com as rodovias.
Voltando ao nosso quintal, como vamos exigir maior competitividade dos nossos produtores de leite, por exemplo, se não damos a eles condições sequer de terem uma ordenhadeira elétrica ou um resfriador de leite adequado por falta de energia elétrica na propriedade. Como costumo dizer, da porteira para dentro, no que depende do investimento e trabalho dos nossos produtores, somos primeiro mundo, da porteira para fora, onde dependemos de investimento público, continuamos num atraso vergonhoso.







