'Falha de procedimento operacional', diz secretário sobre o que possibilitou o motim
Fato ocorreu durante a movimentação de detentos dentro da unidade prisional
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Foram aproximadamente cinco horas de negociação para que a rebelião na Penitenciária Sul de Criciúma fosse encerrada nesta sexta-feira, dia 14. O movimento iniciou por volta das 9 horas e se encerrou logo após as 14 horas. O chefe da Secretaria de Administração Prisional e Socieducativa de Santa Catarina, secretário Leandro Lima, classificou o caso como um “grave incidente de perturbação da ordem” e reconheceu que o motim se iniciou após uma falha de procedimento na Galeria H, onde estavam os reclusos.
O fato aconteceu durante a movimentação dos detentos dentro da unidade, os detalhes de como o episódio ocorreu não foram repassados. “O que podemos falar é que houve uma falha no procedimento operacional na abertura e fechamento de uma porta. Isso ocasionou uma reação em cadeia e foi o suficiente para que alguns presos tentassem lograr êxito em realizar alguma fuga ou algo do tipo”, pontuou Lima.
Dez detentos participaram da rebelião. Na galeria inferior havia ainda mais 100 reclusos e eles não aderiram ao movimento, o que contribuiu para a negociação. “Não foi uma rebelião generalizada e nem foi uma ação previamente calculada pelos apenados. A unidade prisional possui uma excelente estrutura, profissionais capacitados, inclusive dois policiais penais foram feridos durante o movimento, mas evitaram que algo pior acontecesse. A unidade já está em sua normalidade, a situação está totalmente controlada”, acrescentou.
Negociações com os detento
Após render os policiais penais, o grupo de reclusos ainda tomou posse de uma arma calibre 12 de munição de borracha, granadas e do celular de um dos profissionais. Dois policiais penais ficaram feridos e conseguiram escapar do motim. Eles foram atendidos no local e passam bem. Outros dois ficaram reféns dos detentos ao longo de toda a negociação, que foi conduzida pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope).
“O gerenciamento da crise foi muito bem-sucedido. Durante todo o momento preservamos pela vida dos policiais penais, dos demais policiais que estavam atuando no episódio e também dos detentos. Houve um trabalho coordenado, com todas as forças policiais respeitando suas responsabilidades e fazendo com que a gente construísse uma negociação e rendição dos presos de forma pacífica”, afirmou o major Lucius Carvalho, subcomandante do Bope de Santa Catarina.
Apesar de serem equipadas com munições não letais, as armas que ficaram sob a posse dos detentos podem ocasionar ferimentos graves. “Caso não sejam bem manuseadas e atingirem alguma pessoa em curta distância, elas podem, sim, ser letais, principalmente se o disparo for na região do tórax e da cabeça. Estabelecemos uma confiança com os presos e adotamos técnicas para procurar a melhor solução. Eles reivindicaram demandas referentes ao sistema e também individuais e com a presença de advogados da OAB alcançamos a entrega das armas, a liberação dos reféns e a tomada do pátio. Operação de muito sucesso”, pontuou Carvalho.
Demandas solicitadas pelos presos
Para que liberassem os reféns e o movimento fosse encerrado, os detentos elaboraram uma lista de reivindicações. “Em nenhum momento o Estado propôs algo que não pudesse alcançar. Houveram algumas demandas de melhoria na alimentação, na oferta de ressocialização, que também estamos tendo dificuldades por conta da pandemia. mas essas reivindicações surgiram de forma vazia para justificar o ato e aproveitar a oportunidade”, apontou Lima.
Um dos pedidos dos presos seria a transferência dos envolvidos. “Haverão, sim, transferências para unidades prisionais federais. Vamos tomar todas as providências administrativas e fazer o encaminhamento para o Poder Judiciário, fornecendo todas as informações”, comentou o secretário.
Novos crimes cometidos
Ao fim do motim, a Polícia Civil lavrou autos de prisão em flagrante contra os reclusos envolvidos. Conforme o delegado Diego de Haro, o procedimento se fez necessário, pois ao realizar o movimento os detentos cometeram crimes. “Foram quatro ilícitos penais: extorsão mediante sequestro, motim, roubo com causa especial de aumento de pena. Três desses delitos são graves e precisamos apurar os fatos e aplicar as punições”, afirmou.
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