Golpe do cartão clonado: crime recorrente no Sul catarinense tem ligação com quadrilha de São Paulo
Polícia Civil já prendeu suspeitos em Criciúma, Tubarão, Laguna e Braço do Norte
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Nos últimos meses, um antigo crime voltou a ganhar força e fazer vítimas na região Sul de Santa Catarina. É o golpe do cartão de crédito clonado. A Polícia Civil tem investigado os casos e já realizou prisões de suspeitos em Criciúma, Tubarão, Laguna e Braço do Norte. A última ação foi realizada por policiais da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Criciúma (1ª DP), na quinta-feira da semana passada, dia 5. Conforme o delegado responsável pelas investigações, Túlio Falcão, o grupo que está atuando nos municípios sul catarinenses tem ligação com uma quadrilha do Estado de São Paulo.
Somente o homem que foi preso pela 1ª DP na última quinta-feira havia feito dez vítimas entre 28 de outubro e 5 de novembro deste ano, informou a Polícia Civil. Ele foi detido em flagrante no momento em que saía de um hotel onde estava hospedado para fazer uma nova vítima. De acordo com o delegado, o esquema montado pelos criminosos é complexo e envolve, inclusive, a comprar banco de dados de pessoas em mercado clandestinos, informações utilizadas para aplicar o golpe.
“Conseguem saber o número da vítima, endereço e onde ela possui conta bancária. Eles ligam para a pessoa se identificando como funcionários de um grande banco, falando que o cartão dela foi clonado e que precisa ser bloqueado. Pedem para o proprietário do cartão informar todos os dados, como número, senha e código de segurança, ou digitá-los no celular e, por meio de um software, conseguem salvar essas informações. Depois falam que um motoboy do banco vai passar na casa desta pessoa para recolher o cartão. Com os dados e o cartão em mãos eles efetuam saques das contas da vítima e realizam compras em máquinas de cartão que eles mesmo possuem”, explicou o delegado.
Homem preso em Criciúma tinha cartões, dinheiro, maquinas de cartão, drogas e documentos falsos - Foto: Divulgação/Polícia Civil

A ligação com uma organização criminosa paulista foi confessada pelo homem preso em Criciúma. “O golpe geralmente ocorre de forma esporádica. Ele falou para nós que é enviado por um grupo de São Paulo, vem para cá para recolher os cartões, fazer os saques por um tempo e depois retorna para o Estado dele. Meses após, volta para a região para tentar fazer mais vítimas”, contou Falcão. “Ele tinha até um documento falso, que usou para se identificar em todos os golpes que aplicou”, complementou. Em Criciúma, as investigações ainda seguem com o objetivo de identificar mais envolvidos.
Como prevenir o crime?
A maioria das pessoas lesadas, disse o delegado, são idosos. “Este perfil de vítima é mais fácil de ser convencida pelos criminosos”, salientou. Uma das vítimas, que era idosa, chegou a ter um prejuízo de mais de R$ 2 mil. A Polícia Civil tem intensificado a divulgação de medidas que possam prevenir o golpe.
“Primeiro, as pessoas precisam saber que nenhum banco realiza o recolhimento de cartão quando ele é clonado. Esta prática não existe. Segundo, as vítimas não devem, em momento algum, fornecer os dados do seu cartão para alguém por telefone, principalmente senha e código de segurança. Se existir alguma dúvida, o recomendado é que ligue para um funcionário de confiança do banco, como o gerente ou procure atendimento presencial. E caso seja uma vítima, avise a polícia”, recomendou o delegado.
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