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Debate

‘Mulheres estão morrendo por serem mulheres’: vereadores se manifestam após feminicídio em Criciúma

No último sábado, dia 28, Grasiela de Cândido, de 39 anos, foi morta pelo marido

Foto de Rafaela Custódio - rafaela.sousa@engeplus.com.br

Por Rafaela Custódio - rafaela.sousa@engeplus.com.br

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Foto: Luan Aravena/Câmara de Vereadores de Criciúma

Os vereadores de Criciúma trouxeram à sessão ordinária da Câmara Municipal desta segunda-feira, dia 30, o tema do feminicídio. No último sábado, dia 28, Grasiela de Cândido, de 39 anos, foi morta pelo marido no bairro Linha Batista. O criminoso foi preso horas depois, após colidir um veículo Renault Clio contra um caminhão, em Urussanga.

O parlamentar Marcos Machado (MDB) falou sobre o primeiro caso de feminicídio de 2026 em Criciúma. “Ela era cheia de sonhos, cheia de vida, de uma comunidade pacata como a Linha Batista. Teve sua vida ceifada, voltando do trabalho, em casa, com as filhas. Uma mulher que era protegida por uma medida que não a protegeu, que não funciona. Não funciona aqui, não funciona em Santa Catarina, não funciona no Brasil. Nós estamos vivendo um momento em que o vagabundo não tem mais vergonha de ser vagabundo. Ele mata mesmo”, comentou o vereador.

Machado destacou que a luta contra o feminicídio não é uma pauta política. “Essa pauta não é mais uma pauta de direita e esquerda. É uma pauta da sociedade brasileira, da sociedade catarinense e criciumense. As mulheres estão morrendo, morrendo apenas por serem mulheres”, afirmou.

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O vereador ressaltou que o tema precisa ser tratado nas escolas. “O homem, hoje em dia, não consegue mais ser rejeitado. Nós não conseguimos mais explicar para um homem que, quando uma mulher não quer mais o relacionamento, ele tem que seguir a vida. O que não dá é proibir uma mulher de tocar a vida dela, de achar que, se ela não quer mais o relacionamento, ela não pode mais se relacionar com ninguém. É um debate que a Câmara dos Deputados precisa fazer”, observou.

“É bem verdade que não dá mais para achar isso normal. É mais um caso de feminicídio. É o primeiro caso registrado em Criciúma em 2026. Ela foi estrangulada. Deixou três filhas”, completou.

Já a vereadora Anequésselen Bitencourt Fortunato (PSD) também usou a tribuna para tratar do assunto. “Enquanto mulheres estão morrendo, a extrema-direita e a extrema-esquerda estão perdendo tempo e brigando entre si. Nós precisamos de medidas efetivas. Já registramos nove feminicídios em Santa Catarina neste ano. Desses nove, apenas a mulher de Criciúma tinha medida protetiva, ou seja, as outras oito não possuíam. Por que não tinham? Porque as mulheres têm medo de denunciar, têm vergonha. Elas são coagidas, sofrem inúmeras ameaças e acabam voltando aos seus relacionamentos”, comentou.

Anequésselen ressaltou que a Câmara de Vereadores é um local adequado para discutir pautas importantes. “Nós criamos leis, somos formadores de opinião, mas precisamos discutir e levar esse tema para as escolas e para as famílias. Que tipo de educação está sendo dada? Não adianta um jovem chegar aos 17 anos sem nunca ter recebido um ‘não’ dos pais e, quando recebe o ‘não’ de uma mulher, não saber como reagir. Na primeira frustração, ele resolve se vingar. E ele se vinga de quem?”, pontuou.

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