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Câmara Municipal

Vereadores de Criciúma se pronunciam sobre greve dos professores da Afasc

Paralisação chegou ao segundo dia nesta quarta-feira, dia 13

Por Rafaela Custódio - rafaela.sousa@engeplus.com.br

11 min de leitura

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Vereadores de Criciúma se pronunciam sobre greve dos professores da Afasc
Foto: Divulgação/Câmara dos Vereadores

Os vereadores de Criciúma usaram a sessão ordinária da Câmara Municipal dessa terça-feira, dia 12, para falar sobre a greve dos professores da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc). Os profissionais paralisaram as atividades para reivindicar aumento salarial. Os parlamentares de Criciúma utilizaram o espaço político para falar sobre a paralisação.

Aldinei Poteleck (Republicanos)

“Todos nós subimos na tribuna e nos colocamos favoráveis à valorização dos profissionais da educação. Aprovamos o dissídio dos professores [que atuam nas escolas municipais de Criciúma]. A discussão é maior, a discussão é do impacto social que a paralisação causa na cidade. São quase seis mil crianças que deixaram de ser atendidas. A Justiça disse que o serviço de creche não é essencial, como? Olha o impacto social que causa nas pessoas. Vai lá no Renascer, Cristo Redentor, Boa Vista, onde as famílias estão em situação de vulnerabilidade, e muitas crianças têm a primeira refeição na creche. Aí vem a Justiça e diz que não é essencial? A discussão não é sobre valorização, é sobre o impacto social que causa. Ninguém queria judicialização, mas precisamos garantir que as famílias tenham seus filhos atendidos".

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Anequésselen Fortunato (PSD)

“É importante as professoras saberem que a Justiça não julgou o mérito da questão, o piso não foi avaliado, o que foi avaliado foram os requisitos da greve. A educação não ter sido considerada essencial, mas, ao analisar as jurisprudências dos tribunais, sim, no meu ponto de vista, no meu ponto a educação é considerada essencial, até porque hoje tive que desmarcar os compromissos porque não pude levar a minha filha para a Afasc, tenho uma filha que estuda lá. Não quer dizer que não valorizo os professores, mas isso deve ser feito com muita responsabilidade. O fato de eu respeitar o direito de greve e das professoras não significa que eu não possa discordar e expressar minha angústia e da sociedade ao ver os filhos que só têm aquele lugar para se alimentar, só tem aquele lugar para receber alimentação balanceada. A minha preocupação com a decisão judicial é o fato de a educação não ter sido considerada essencial. Que não festejemos essa greve, não há nada a ser comemorado. As professoras merecem apoio, mas as crianças merecem educação”.

Toninho da Imbralit (PSD)

“A greve não leva ninguém a nada. Os 63% de reajuste não tem como e não existe. Até porque a Afasc é prestadora de serviço, ela tem um valor estabelecido por contrato que limita pagar o que está no orçamento. Se faz uma greve para ludibriar as pessoas que acham que vão ganhar os 63%. Existem maneiras de se fazer greve; o diálogo deveria ser levado ao extremo. Quantas crianças se alimentam ali e em casa não tem o que comer? A greve seria a última circunstância”.

Marcio Daros da Luz (PSD)

“Sempre vou defender o diálogo. O servidor nunca é beneficiado com greve, só perde. O governo vai tomar providências, sim. Não sabemos qual futuro vai acontecer. Mas isso pode gerar impacto negativo, recebi muitas ligações de pais preocupados. Nunca vi um vereador discutir que o professor não tenha direito”.

Valdeci Bittencourt (PSD)

“Quero parabenizar o prefeito [Vagner Espindola] e o sindicato dos servidores municipais pelo acordo e hoje recebo a informação da greve. Entendendo os professores da Afasc, nenhum vereador é contrário, nós estamos todos os dias lá. Meu neto não foi para a creche porque não tinha serviço. Em nenhum momento, a Afasc recusou a conversação entre Afasc e professores, o que me deixa triste é que moramos em torno das pessoas pobres, a primeira alimentação é na Afasc e a última na Afasc. Olha o impacto social que está causando na sociedade. Tenho certeza que vai haver um entendimento e os professores voltarão para os postos de trabalho e tem milhares de pessoas precisando de vocês”.

Juarez de Jesus (PL)

“Feliz com greve? Jamais. Não posso ser hipócrita de dizer que não reconheço que os professores ganham mal na Afasc, eles precisam ganhar mais. Mas não posso ser hipócrita de dizer que tenho conhecimento jurídico dizendo que eles têm direito ao piso, eu não tenho. Então, é verdade que eu estive nos CEIs da Afasc, minha luta não é só pelos professores e mas também pelas crianças. Fui em diversos CEIs que não deixaram entrar. Precisam entrar em um acordo, quem sofre com tudo isso é a população de Criciúma. O cidadão sofre. Não temos caneta para dar aumento e não temos esse poder. Mas peço ao prefeito tentar fazer um acordo”.

Luiz Fontana (PL)

“Isso é decorrente do que vem acontecendo há algumas semanas. Na verdade, quem inflamou tudo isso foi o prefeito. É difícil entender, a Raquel da Silva está fazendo o papel dela. Ela representa uma classe. Ela é uma representante legítima. Eu não estou inflamando, não sou representante delas. Estou dando apoio. Mas é necessário escutar as professoras. Eu defendo professoras. 60% é difícil, mas um acordo, coloca plano alimentação, plano de saúde, vale-transporte”.

Obadias Benones (PL)

“A greve está estabelecida, não é o momento de apontar, o que dá para ser feito? O Vagner tem um desafio enorme. Ele está com a caneta na mão. Quebra esse contrato, quebra, acerta outro montante. Não é um momento de inflamar. Não queria greve, queremos que a cidade flua, chama os vereadores para tentarmos achar uma solução”.

Daniel Virtuoso Cipriano (PSDB)

“A Afasc não tem fins lucrativos, o que recebe passa integralmente para o serviço de educação. Chegou ao limite que ela pode. Se for para pensar em pagar mais, aí vamos ter que fazer outro sistema e debater orçamento até chegar ao valor dos professores. Não é forçando a Afasc a pagar o que ela não pode. Você não pode forçar uma empresa ou entidade a pagar uma coisa que ela não pode e existe um contrato. A matemática é simples. Está mexendo com a cidade, não é contra o professor, não somos contra o aumento, sei como funciona a Afasc. Mas temos que ser realistas. o diálogo”.

Gorete Mendes Correa Boaroli (PSDB)

“Conheço muitas professoras da Afasc, me ajudaram muito, foram muito solícitas na minha campanha, mas uma coisa a gente tem que ser bem realista, não é que a gente é contra, jamais seria contra o professor, tenho duas netas na Afasc. Agora as pessoas vêm lá dizer, até ontem uma professora que eu conheço muito bem falou: vereadora, nós temos direito ao magistério, nós temos direito. Se não está em jogo vocês terem direito ou não. A questão agora é a instituição ter esse recurso para repassar para elas. Me preocupa empresas de fora virem para dentro de Criciúma para tocar a instituição Afasc. E aí? Porque hoje a gente sabe que lá é muito bem tocada, pode ter problema. Gente, vou dizer uma coisa para vocês, eu vou falar o que eu falei aqui no começo do meu mandato, quando eu fui procurar creche para minha neta, eu estive em algumas creches particulares, vou dizer: as creches da Afasc não perdem para creche particular. Os professores da Afasc são de excelência. Agora, um aumento de 60%, caras professoras, é inviável. Não adianta. Alguém está vendendo um sonho para vocês que hoje não existe. Agora sim, pode ser construído? Pode. O contrato vence no final do ano. Dá para se trabalhar”.

Giovana Mondardo (PCdoB)

“Vale dizer, quem é que hoje teria condições de atender mais ou menos seis mil crianças como a Afasc atende numa disputa contra a Afasc, que também tem prédios públicos cedidos para fazer esse trabalho? Qual outra entidade poderia disputar? Ou concursa todo mundo, ou viabiliza condições melhores para que a Afasc possa operar de uma maneira mais sustentável financeiramente. São R$ 60 milhões do Fundeb que, se o prefeito romper o contrato agora, ou rescindir, não sei o que acontece. Eu disse: então se comprometa, por exemplo, num eventual novo contrato, de garantir lá que haverá equiparação do salário com a rede pública municipal. Porque se a gente se orgulha tanto de que o prefeito conseguiu agora pagar o piso do magistério de maneira adequada, que agora, vale dizer, poderá dizer isso dos professores também dessa que faz parte do serviço público do município através de uma conveniada que vai dizer ao longo dessas últimas décadas nós demos condições para que ela pudesse operacionalizar o seu serviço de educação pública municipal. Vale dizer, R$ 60 milhões estão indo para onde, se não, e por que não, para a conta dos professores, poder fazer girar a economia".

Marcos Soares Machado (MDB)

“Estou preocupado com a racionalidade que o tema exige. A primeira alimentação e a última é na Afasc e essa preocupação tem que ser diária. Não existe essa condição de 63% de aumento, já tem um orçamento previsto, precisamos aguentar o término do contrato. Ao mesmo tempo que não podemos alimentar a greve de forma demagoga. Professoras da Afasc e pais, vocês estão sendo ludibriados. E prefeito: parabéns, não se negocia com a cabeça na boca do tigre. O aumento real foi ganho e é a verdade precisa ser dita. Ao lado dos professores, mas jamais a favor da greve".

Sobre a greve

Atualmente, os professores da Afasc recebem R$ 3.133,62 por 40 horas semanais. A instituição ofereceu, em um primeiro momento, 5,36%, ou seja, o salário passaria para R$ 3.301,58. Porém, a proposta foi rejeitada no último dia 27 de abril. Na última sexta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (STEERSESC) trouxe uma nova proposta de 6,36%, que também foi rejeitada por unanimidade. O piso do magistério para 40 horas semanais é de R$ 5.130,63.

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