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Mundo do Agronegócio

A Revolução Francesa, as cooperativas e a Agricultura Familiar

Por Silmar Vieira - mundodoagronegocio@engeplus.com.br

4 min de leitura

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A Revolução Francesa, as cooperativas e a Agricultura Familiar

Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Esse foi o tripé da Revolução Francesa, ocorrido no final do Século 18 e que ecoam até hoje, sendo base na construção das constituições de praticamente todos os países ocidentais. O movimento tinha por objetivo romper com os privilégios das monarquias, que em seguida havia passado à mão da burguesia e buscava, principalmente, a oportunidade de qualquer cidadão acessar aos meios de desenvolvimento e prosperidade a partir do seu esforço e trabalho. Modificando-se e buscando novos meios e métodos, esse tripé moral e social acabaria por influenciar a criação de sistemas de cooperativos entre artesãos, primeiro na Inglaterra e em seguida na Alemanha, que com os movimentos migratórios, aportariam em terras tupiniquins.

O sistema cooperativo consiste na união de determinados setores como forma de fazer frente às exigências e pressões do capital, possibilitando que mesmo pequenos, desde unindo seus esforços e capital, possam concorrer com grandes conglomerados e conseguir melhores condições para competir em igualdade de condições. Mesmo que indiretamente, os ideais da Revolução Francesa influenciam a visão cooperativista, uma vez que propõe a liberdade de escolha para unir-se quase que fraternalmente a outros indivíduos, em igualdade de direitos e deveres, com objetivo de evolução individual e ao mesmo tempo coletiva. Se um gera movimento, todos se movimentam.

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Essa visão posta em prática deu muito certo na Europa, primeiro em iniciativas no meio urbano e em seguida adaptando-se também a iniciativas no meio rural, com a união de produtores agrícolas para diversos fins, desde a compra e distribuição de insumos, até o financiamento das atividades, com as cooperativas de crédito. Por termos uma intensa imigração de países europeus que já desenvolviam a atividade cooperativa e pelo fato de termos aqui um sistema de propriedades rurais em pequenas glebas de terra e geridas pelas próprias famílias, a chamada agricultura familiar, muito parecida com o modelo europeu, não foi difícil adaptar o sistema à nossa realidade.

Desde cooperativas agropecuárias, onde se priorizava a compra e venda de produtos em conjunto, barateando os custos dos insumos e aumentando o lucro na venda, até a construção de infraestrutura como com as cooperativas de eletrificação rural, que levavam este importante insumo até os mais distantes rincões, o sistema cooperativo foi sendo incorporado e ajudando a desenvolver, principalmente a região Sul do Brasil, onde surgio com mais força. Mesmo assim ainda se sentia a dificuldade na hora de conseguir crédito, principalmente para quem estava começando a empreender. É aí que surgem as cooperativas de crédito, que juntam os recursos de todos para fazer frente ás exigências do capital e criando condições de acesso a crédito e investimento em diversos setores.

O presidente da cooperativa Sicredi que atua no sul catarinense, Aloísio Westrup, conta que as origens do Sistema remontam à primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina, a Sicredi Pioneira RS, sediada em Nova Petrópolis na serra gaúcha.

Uma história que começou há mais de 120 anos, pelo pioneirismo do padre suíço Theodor Amstad. Em suas andanças, o religioso presenciou a precariedade vivida pelos imigrantes, em sua maioria produtores rurais. Inspirado pelo sistema Raiffeisen, implantado na Alemanha, Amstad apresentou o cooperativismo como solução para os problemas econômicos e sociais enfrentados pela comunidade na época.

O modelo deu certo, cresceu e atualmente o Sicredi atende mais de 6 milhões de associados, pessoas físicas, empresas e agricultores em todo o Brasil. A Instituição Financeira Cooperativa conta com mais de 2,4 mil agências e mais de 300 produtos e serviços financeiros.

No sul catarinense, são 19 espaços de atendimento distribuídos em treze cidades, com previsão de expansão para os próximos anos. Em 2023, deve ser inaugurada uma agência na cidade de Turvo, e há previsão de inauguração em breve nas cidades de Sombrio e São Ludgero.

Westrup reforça que o crescimento só tem um objetivo: levar a mais associados a oportunidade de participar das decisões e dos resultados econômicos e sociais. “Somente em 2022 contemplamos mais de 120 projetos de toda a região com o Fundo Social. Além disso, emprestamos recursos de associado para associado, dinheiro que fica na região e fortalece a economia local”, completa o gestor, enumerando algumas das vantagens da cooperativa.

Exemplo do impacto social da Instituição, vem do Instituto Show de Bola, de Criciúma. O projeto oferece aulas para 60 crianças de sete a 16 anos em diversos bairros da cidade. Em 2022, ele recebeu recursos do Fundo Social do Sicredi. “Ver os alunos usando as camisetas, bermudas e meias novas adquiridas com o apoio da cooperativa, foi motivo de muita alegria”, diz o presidente do Instituto, Arthur Duarte dos Santos.

A exemplo de instituições como o Sicred, hoje o sistema cooperativo se espalha pelo Brasil inteiro, com cooperativas das mais diversas áreas, mas sempre seguindo o lema do cooperativismo e da Revolução Frances: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

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