Automedicação pauta mais uma roda de conversa do Janeiro Branco
Hábito, bastante comum entre os brasileiros, pode trazer vários efeitos colaterais

Reações alérgicas, dependência e até mesmo morte, podem ser causadas pela automedicação, um habito-infelizmente-considerado comum entre os cidadãos. E foram esses perigos que pautaram mais uma roda de conversa da Campanha Janeiro Branco, organizada pelo Ambulatório de Saúde Mental, da Secretaria de Saúde do Municipio.
A psiquiatra Thaise Bonetti, que atende no espaço, mediou a conversa, que também reuniu enfermeiras e agentes comunitárias de saúde do Município. “Há pessoas que tem receio de tomar os medicamentos. Já outros optam por fármacos porque a vizinha ou algum outro familiar tomou e fez bem. Por isso, é preciso se conscientizar, cada pessoa tem um organismo e um diagnóstico diferente. A automedicação traz muitas complicações como intoxicações, mal estar, porque muitos fatores precisam ser ponderados antes de ingerir cada medicamento", explica a médica.
Dados da Farmácia Municipal de Içara, excluindo as farmácias particulares e outros serviços, mostram um nível preocupante de consumo de remédios psiquiátricos pela população. Somente em 2018, foram distribuídos 201 mil comprimidos de clonezapam 2mg e 103 mil comprimidos de Diazepan 10mg, por exemplo. “Há medidas não farmacológicas para muitas coisas, e os próprios médicos as recomendam. No dia a dia com as famílias, percebemos que no caso de pessoas que tem problemas para dormir, por exemplo, se elas começam uma atividade física, uma caminhada, já passam a dormir melhor”, ressaltou a agente comunitária do bairro Raichaski Vera Nuerberg.
A equipe do Ambulatório de Saúde Mental optou por realizar rodas de conversa, para que profissionais de diferentes áreas construam juntos melhores ações para a saúde mental dos munícipes. "Saudade mental é constituída na troca, na discussão e fazendo uma escuta de qualidade, ouvindo os pacientes e usuários de vários serviços públicos, não somente os da saúde" colocou a coordenadora do Ambulatório Marileia Pacheco.
"Quando se tem uma escuta qualificada, também se tem uma fala e um encaminhamento qualificados. Cumprimento todos os envolvidos neste debate tão importante. Considero essencial a extensão dessas ações para os profissionais dos outros setores do Governo. Com um trabalho em rede, que já é aplicado em várias outras questões, buscamos juntos melhores diagnósticos", colocou o prefeito Murialdo Canto Gastaldon, que também participou da conversa.
A programação continua na próxima semana com mais dois encontros. Dia 28, às 13h30, a roda no Ambulatório, terá como tema a importância da aceitação e da adesão ao tratamento e no dia 31, a partir das 8h30, no Auditório da Cooperaliança, o diálogo será sobre a saúde mental do trabalhador e a importância de cuidar de quem cuida.







