Mãe e filha de coração celebram a vida e as portas abertas pelo amor
Conheça a história de Marília e Thays
Por Redação Engeplus
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A história de amor entre mãe e filha entre Marília e Thays não começou na gestação. O vínculo materno teve início apenas dez anos após o nascimento da menina. Foi no desembarcar de um voo, no dia 15 de dezembro de 1999, que o laço entre elas foi criado e nunca mais se desatou. Muito além das diferenças, o que as uniu foi o desejo de ser família. A menina que lá atrás ganhou colo e cuidado agora se prepara para oferecer o mesmo espírito materno ao filho que espera.
Dedicada profissional da Unesc há dez anos, Thays Bruna Alves, bacharela em Direito pela Universidade, traz na bagagem muito mais do que a voz calma e o sorriso discreto demonstram. Nascida no estado do Mato Grosso, a jovem enfrentou desafios desde muito pequena e conseguiu driblá-los com a ajuda da família que ganhou na jornada.
A mãe, Marília Alves, professora aposentada, lutou pela defesa da filha adotiva e se prepara para curtir o papel de avó dentro de poucos meses.
Desejo de transformar uma vida
O sonho de ser mãe já habitava o coração de Marília há alguns anos. Foi na adoção que ela vislumbrou essa realização. Por meio de um tio, a jovem conheceu a história da menina Bruna, como é chamada entre a família, uma pequena que já tinha ganhado o coração da avó, antes mesmo de o parentesco ser oficializado, lá no interior do Mato Grosso.
Percebendo que as condições de vida da criança não eram as mais adequadas e desejando oferecer oportunidades melhores a ela, a avó, Francisca, foi quem primeiro cogitou a possibilidade de adotá-la. “O tempo foi passando e ela sempre apaixonada pela Bruna. Nesse período o marido adoeceu, veio a falecer e ela se mudou para Criciúma para morar comigo. Foi aí que o alerta ligou: era agora ou nunca. Começamos os contatos para saber a possibilidade de trazer Bruna para cá também e oferecer uma vida melhor para ela”, lembra Marília.

Os avós biológicos da menina, com quem passava a maior parte do tempo e de quem mais recebeu carinho, no interior, ao ouvirem a ideia identificaram que ali poderia mesmo estar uma condição melhor de vida e autorizaram a viagem. “Emiti uma passagem, providenciei uma procuração e a Bruna veio. Esperei ela no aeroporto e ali recebi minha filha já com dez anos de idade”, rememora.
O dia em que pisou em Criciúma e passou a receber os cuidados de Marília e da avó Francisca, a qual já conhecia lá do Estado de origem, não se apaga da memória de Thays. “Eu lembro de tudo. Imagina! Eu mesma aceitei e disse que queria vir. Querendo ou não, eu decidi meu destino. Para uma criança que está sendo adotada e vê nisso uma oportunidade de uma vida melhor é como se tivesse ganhado um prêmio. Eu apostava ali todas as minhas fichas. Tinha que fazer dar certo”, comenta.
Sem receita de como ser mãe
Os ingredientes para a receita entre as duas eram amor e a vontade de fazer dar certo. Como entraves elas encontraram infinitas diferenças de cultura, de personalidade, de hábitos e até de formas de demonstrar carinho. “Ela veio com uma bagagem muito significativa de uma infância que não havia sido a mais adequada aos nossos olhos. Queríamos dar amor e educação, mas sabíamos que não poderíamos ultrapassar limites de vivências que ela já trazia consigo. Nessa adaptação cheguei a pensar que ela não me amava, mas aprendi que só temos jeitos diferentes de demonstrar o amor e tudo isso foi se ajeitando para que nos solidificássemos como família. Eu não tinha a receita de como ser mãe, mas estive sempre disposta a aprender”, garante Marília.
Em pouco mais de dez dias em que havia sido recebida na nova casa, Thays Bruna começou a identificar Marília como mãe. O registro oficial do processo de adoção, já iniciado antes mesmo da possibilidade de acolhimento da menina, surgiu apenas anos depois, em 2002, quando os laços maternos já eram indissociáveis.
As lutas, assim como para qualquer família, não foram poucas até aqui. O medo de alguma mudança no processo de ação, os desafios da adolescência sentida pela mãe como ameaça aos cuidados da menina e até problemas graves de saúde estremeceram a paz da casa, porém, jamais foram capazes de fazê-las desistir. “O amor chega onde nada mais chega. Promove mudanças e recupera feridas. Foi assim que nos solidificamos. Com respeito e muito amor”, acrescenta a mãe.
Lapidada para ser mãe também
Thays Bruna espera o filho Jonas, que leva o nome do pai, com a paciência de quem sabe que a hora certa chega para tudo na vida. Nesta, que é a segunda gestação encarada pela jovem, que já teve um aborto espontâneo em 2019, a palavra de ordem é aproveitar cada momento.
Ela, que chegou a cogitar não ter filhos biológicos e optar também pela adoção, já aguarda com expectativa pela história que irá construir com o ser que, nem ela mesma acredita, tamanha perfeição do processo, está se formando dentro do seu corpo. “Nossa história, ao contrário da minha com a mãe, se iniciará do zero. Eu já converso com ele e já o sinto. Claro que quero oferecer a ele aquilo que não tive e trabalhar para que ele jamais passe o que eu passei. Aquilo que aprendi sobre família também quero que ele aprenda da melhor forma”, deseja.

Se até os dez anos ela nem sabia a data do seu próprio aniversário, quiçá o comemorava, Thays proporcionará ao pequeno Jonas a celebração da vida a cada etapa, como merece ser comemorada. Na simplicidade de um bolo caseiro, na alegria de um encontro decorado com balões ao som de músicas infantis ou no calor de um abraço: ele sempre saberá que tem com quem contar.
Para os próximos anos ao lado do marido do Jonas a jovem pretende ingressar em um processo de adoção para dar ao primogênito um irmão ou irmã. “Sempre tive muita vontade de adotar uma criança, apesar de, ao estudar isso no Direito, acreditar que o processo de adoção deveria ser muito diferente. Para uma criança que está ali esperando para receber uma família é muito difícil. Quero poder oferecer esse amor para uma delas também”, acrescenta, decidida.
A partir de agora a relação entre Marília e Thays, assim como da avó Francisca e da tia Iris, promete se entrelaçar ainda mais com a chegada de mais um integrante para o grupo. Sob os cuidados da mais nova vovó, a iniciante na maternidade irá aprender mais sobre os desafios de estar do outro lado da relação, enquanto conta com os ensinamentos daquela que, indiscutivelmente, fez um bom trabalho e acerta nos conselhos. “A gente erra, mas tentando acertar. Isso porque a docilidade de ser mãe transforma o ser. É indescritível”, adianta, Marília, para a filha, orgulhosa pela nova história que começa a ser escrita.
Colaboração: Mayara Cardoso / Agência de Comunicação Unesc








